Técnica Individual - Art. 70
- Exercícios para a Aprendizagem e o Aperfeiçoamento dos Meios de Ataque - Parte VI.
- Seqüência de Exercícios no 09.
- Objetivos: - coordenação entre a aproximação para o ataque, o salto e os golpes na bola; - equilíbrio do corpo - no ar - para a execução dos golpes;
- execução o ataque após o toque da bola no bloqueio.
Em seqüências anteriores (07 e 08), foram apresentados exercícios para a aprendizagem e o aperfeiçoamento da técnica individual dos meios de ataque, após a recepção do saque e a defesa, respectivamente. O objetivo com os exercícios desta tem em vista a aprendizagem e a aperfeiçoamento da execução dos meios de ataque, após o toque do bloqueio.
É uma situação de jogo que requer, de ambos os jogadores, procedimentos táticos individuais essenciais, para facilitar a execução da técnica individual. Ocorre com elevada freqüência e que nem sempre resulta em ataque eficaz e, consequentemente, em ponto; ora em virtude de erros táticos ora por causa de erros técnicos..
Deve ser treinada detidamente e, na medida do possível, de modo sistemático. É ação difícil de ser executada. Muitos treinadores e atletas não se dão conta de fatores importantes e que influem para a eficácia da ação. Por exemplo.
A - Após o toque no bloqueio a bola toma direções imprevisíveis.
B - O levantamento ocorre no segundo toque.
C - O jogador-levantador (JD), além de ser rápido no deslocamento para alcançar a bola, deve considerar as condições do jogador-bloqueador (JB), a fim de executar o levantamento mais apropriado.
D - O jogador-bloqueador tem que se deslocar rápida e inteligentemente para possibilitar o levantamento.
E - Uma vez recebendo levantamento, considerar que é um ataque em condições desfavoráveis, em relação ao bloqueio adversário. Mais do nunca é necessário alcançar a bola no ponto mais alto possível e atacá-la com o meio, entre todos, o mais apropriado.
No grupo de diagramas a seguir, as quadra têm o mesmo ponto do bloqueio (retângulo amarelo). O mesmo ponto de ataque (espaço em azul claro). Estão divididas em setores: no sentido transversal (em três 1/3) e no longitudinal (em dois 1/2). O jogador-bloqueador (JB) sai do bloqueio e desloca para os mesmos pontos. O jogador-defensor (JD) executa o levantamento de três pontos diferentes: do terço central (no diag. 1), do terço final (diag. 2) e do terço inicial, próximo à rede (diag. 3). Todos os três pontos situados na metade à direita do bloqueio-ataque. O intuito é o de chamar atenção para as atribuições de JB e JD.
JB – deslocar-se após o bloqueio, com máxima velocidade, para o ponto em que faz a aproximação final do ataque, a fim de realizá-la com, pelo menos, duas passadas.
JD – Deslocar-se, com máxima velocidade, para alcançar a bola, após o toque no bloqueio, a fim de se posicionar bem para executar o levantamento. Deve considerar: quanto mais afastada da rede, mais alta a mesma deve sair do ponto em que executa o levantamento; de maneira que chegue alta no ponto do ataque.
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Nota
As linhas tracejadas, entre o JD e o ponto do ataque, simbolizam o ângulo no qual o levantador executará o levantamento. Em outras situações de jogo semelhantes, como veremos a seguir, ele diminui consideravelmente.
No grupo de diagramas a seguir, a representação gráfica para exemplificar a situação do levantamento quando a bola toca no bloqueio e fica na mesma metade da quadra em que é realizado o mesmo. É absolutamente imperativo que JD consiga sair do bloqueio e recue abrindo de modo para possibilitar a passagem da bola vinda do levantamento.
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Agora, vamos ver o que ocorre quando o JD não consegue recuar abrindo para receber a bola (recua em linha reta) . Aproveitando os mesmos elementos dos diagramas anteriores. No diag. 7, o levantamento executado da meia metade à direita em relação ao ponto em que o bloqueio é realizado; o ângulo, para o levantamento, e a faixa para o ataque, diminuem. No diag. 8, o JB tem que, de qualquer maneira, abrir para a esquerda de maneira que o levantamento seja possível; repare que no levantamento a trajetória da bola é, praticamente, perpendicular em relação ao ponto do ataque.
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Nota
É muito comum a bola ricochetear no bloqueio e sair dos limites da quadra. Requer raciocínio, tanto de JB quanto de JD. No diag. 9, o levantamento vindo da direita. A bola tem que sair, das mãos do levantador, bem alta de maneira que chegue alta no ponto do ataque. No diag. 10, uma situação bastante complicada; o levantamento à esquerda do ponto do bloqueio. JB tem recuar, perpendicularmente, em relação à rede, até, mais ou menos, a linha de JD. Esperar a saída da bola para, então, começar sua aproximação para o ataque.
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Os exercícios que serão apresentados a seguir levarão em conta essas observações. Ou seja, é necessário observar os procedimentos mencionados. Embora sejam de natureza técnica, procedimentos táticos individuais influem para o sucesso da ação como todo.
131 – O treinador/colaborador, posicionado na quadra oposta. Lança a bola de maneira que a mesma passe cerca de 50 cm acima do bordo superior da rede. Em diferentes pontos da quadra e em diferentes alturas, simulando um toque no bloqueio. Neste exato momento, o jogador-bloqueador (JB) recua abrindo para o ponto em que faz a aproximação para o ataque e o jogador-defensor (JD) se desloca e executa o levantamento. Os jogadores trocam de funções – alternadamente – de acordo com a determinação do treinador.
A mecânica dos exercícios: JB (realiza os exercícios, tanto na entrada quanto na saída da rede), no bloqueio, recua abrindo, e executa o ataque; JD, executa o levantamento dos pontos de defesa (pd1, pd1b, etc.) mostrados no diagrama a seguir.
1º. Movimento:
de pd1a para PA2
de pd2a para PA12º. Movimento:
de pd3a para PA2
de pd4a para PA13º. Movimento:
de pd5a para PA2
de pd6a para PA14º. Movimento:
de pd1b para PA2
de pd2b para PA15º. Movimento:
de pd3b para PA2
de pd4b para PA1
6º. Movimento:
de pd5b para PA2
de pd6b para PA17º. Movimento:
de pd1a para PA1
de pd2a para PA28º. Movimento:
de pd3a para PA1
de pd4a para PA29º. Movimento:
de pd5a para PA1
de pd6a para PA210º. Movimento:
de pd1b para PA1
de pd2b para PA211º. Movimento:
de pd3b para PA1
de pd4b para PA212º. Movimento:
de pd5b para PA1
de pd6b para PA2
Nota
Os movimentos mencionados anteriormente estão de acordo com o seguinte critério: dos pontos em que o levantamento é mais simples para o mais difícil: pd1a e pd2a...pd3a e pd4a... pd5a e pd6a. Depois os pontos B. Em todos eles o levantamento é executado na metade da quadra oposta a que realizado o bloqueio. Portanto, o jogador-levantador faz o levantamento para sua frente.
Os movimentos (descritos em vermelho) são de execução mais complicada. O levantamento é executado na mesma metade da quadra em que ocorre o bloqueio. Logo, os procedimentos apresentados nas observações iniciais terão que ser colocados em prática.
O ataque (do exercício 131) é por meio de cortada, no centro do terço final da quadra oposta.
132 – Mesma mecânica do ex. 131, com o ataque por meio de cortada, na paralela, no terço final da quadra oposta.
133 – Idem 132, com o ataque na diagonal, no terço final da quadra oposta.
134 – Mesma mecânica do ex. 131. O ataque por meio de “lob”, na paralela, no terço final da quadra oposta.
135 – Idem 134, com o ataque na diagonal.
Nota
O “lob” pode ser executado com a palma da mão aberta (semelhante à cortada) e/ou com o punho cerrado (“soco”).
136 – Mesma mecânica dos exercícios anteriores. O ataque por meio de “caixinha”, na paralela, no terço inicial da quadra oposta.
137 – Idem 136, com o ataque na diagonal.
Nota
A “caixinha”, da mesma maneira que o “lob” pode ser executado com a palma da mão aberta (semelhante à cortada) e/ou com o punho cerrado (“soco”).
138 – A mesma mecânica dos exercícios anteriores. Agora, um colaborador, na quadra oposta, segurando uma tabuleta (para simular o bloqueio), rigorosamente em frente do corpo do atacante. O ataque é por meio de cortada em qualquer ponto da quadra oposta.
139 – A mesma mecânica, com o ataque por meio de “lob”, na paralela, no terço final da quadra oposta.
- Aspectos a serem observados durante a execução dos exercícios.
1 – Os exercícios sugeridos têm em vista a aprendizagem e o aperfeiçoamento dos meios de ataque. Todavia, é excelente oportunidade para a aprendizagem de procedimentos táticos individuais. A execução correta depende de ambos os elementos. Isto é, o acerto tático individual é essencial para a correta execução do ataque. Partindo desse pressuposto, é extremamente importante atentar para as observações feitas no início do artigo. A seguir o que cabe a cada qual.
- Jogador-Bloqueador (JB):
a) – sair do bloqueio com velocidade máxima para o ponto em que faz a aproximação final para o ataque;
b) – fazer a aproximação final com passadas largas (pelo menos duas);
c) – saltar com a maior impulsão e equilíbrio possíveis;
d) - golpear a bola bem acima do bordo da rede e/ou do bloqueio, a fim de poder executar qualquer um dos meios de ataque; o mais conveniente;
Notas
- No momento em que o atacante golpeia a bola, tem que ter a possibilidade de atacar por meio de cortada, golpe em que a bola deve estar mais alta. No exato momento do golpe, ele opta pelo meio mais conveniente. É comum o atacante deixar a bola cair (do ponto ideal) para executar “lobs”, “caixinhas”, golpes típicos de “largadas”. Não é o ideal. O adversário percebe. Descarta a defesa da cortada em prepara-se para a defesa de outros golpes. Repetido: a bola tem que estar alta no ponto de ataque, de maneira que sejam possíveis todos os meios. Na medida do possível, imprimir uma trajetória de cima para baixo.
- Para esse fim, é extremamente importante a utilização da tabuleta. O colaborador que segura a mesma deve postar-se rigorosamente em frente ao corpo do atacante.
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- Jogador-Defensor (JD):
a) – deslocar, com velocidade máxima, para a bola após o toque no bloqueio, de maneira poder fazer um bom levantamento;
b) – considerar a movimentação de JB, a fim de adequar o levantamento às condições do mesmo, ou seja, se JB estivar atrasado, deixar a bola cair e levantá-la por meio de manchete ou alçá-la mais alta;
c) – em qualquer circunstância, sobretudo em pontos mais distantes da rede, a bola deve sair alta do ponto do levantamento de modo que chegue alta no ponto de ataque e, com isso, possibilite a execução de qualquer um dos meios de ataque; nada pior que receber uma bola baixa, levantada do fundo da quadra;
2 – É extremamente complicado o ataque de bolas levantadas do fundo da quadra e/ou da mesma metade da quadra em que é realizado o bloqueio. Requer discernimento tático individual de ambos os jogadores. No Menu Estratégias/Táticas – Vôlei de Praia, do artigo 12 ao 35, você pode encontrar tudo – detalhadamente – a respeito dos procedimentos na levantada e no ataque.
3 – Vale lembrar. A potência do ataque não é importante no processo de aprendizagem. O mais importante é justamente a aprendizagem correta dos meios de ataque. Com o decorrer do aperfeiçoamento global do atleta a potência será desenvolvida, paulatinamente. A execução incorreta é fator limitante grave, que afeta a performance de atletas; até os de alto nível.
Continação no art. 71 com a Conclusão - Técnica Individual - Meio de Ataque (em construção).