Técnica Individual - Art. 48
- BLOQUEIO.
- Qualidades Indispensáveis para o Bloqueador.
D - Percepção de Direção.
É uma qualidade indispensável a um bloqueador. É comum o bloqueador, por instinto de preservação, fechar os olhos no momento do golpe, o que é compreensível, mas não é correto. No Vôlei de Praia este fato não pode, de maneira alguma, ocorrer.
É imprescindível que o bloqueador tente perceber a direção que o cortador dará à bola. O treinamento técnico individual deve ter em vista condicionar o bloqueador a ter como prática comum olhar todos os movimentos do atacante, desde o momento em que recepciona o saque até o que ataca.
Para isso, primeiramente, ele deve entender que o ataque, propriamentedito, é a conclusão de uma ação, e não um ato isolado. Tendo em vista a aquisição da propriedade de observar todos os movimentos do atacante, na prática dos exercícios é recomendável acostumá-lo a realiza-los olhando:
- a recepção do saque;
- a primeira aproximação, do ponto em que efetua a recepção até o momento em que faz a aproximação final;
- a aproximação final, o momento em que executa as passadas que antecedem o salto;
- o salto;
- os movimentos do tronco e braços.
A pergunta que cabe: e a bola? Com o hábito de olhar, o atleta desenvolve um campo de visão mais abrangente, no qual a bola está presente o tempo todo. Um exemplo - sim-pló-rio.
- o atacante recepciona o que?
- a bola recepciona vai para onde?
- o atacante começa a primeira aproximação no momento em que a bola está aonde?
- o atacante faz a última aproximação quando a bola sai da onde?
- salta para atacar o que?
- ataca o que?
No diagrama a seguir, um exemplo da ação. O jogador-atacante, da equipe adversária, recepciona em determinado ponto da quadra (JA), faz a primeira aproximação (linha interrompida em verde), a aproximação final (seta em vermelho) e salta para o ataque. O bloqueador se posiciona rigorosamente a frente do JR, desde o momento em que este recepciona o saque (linha interrompida em azul). Dependendo da trajetória que o atacante fizer, o bloqueador se desloca, paralelamente à rede (seta em azul), até o momento que tem que saltar.
Enfim, só por essas respostas é fácil concluir que a bola está sempre no seu campo visual. O bloqueador está raciocinando a cada etapa do ataque - recepção, as aproximações, o salto e os movimentos do tronco e braços. Ou seja, vai obtendo elementos para suas decisões. Vamos raciocinar juntos.
- Dependendo do ponto da quadra em que a recepção é feita, pode haver variação nas aproximações do atacante?
- Dependendo do ponto em que a bola é passada e, conseqüentemente, o ponto da quadra em que a bola é levantada, pode haver variação na qualidade do levantamento?
- Dependendo do afastamento/aproximação da bola em relação à rede, bem como a altura em que a mesma é levantada, pode haver influência no ataque?
- Dependendo da maneira pela qual o atacante faz a primeira e última aproximações, pode haver interferência no ataque?
- Dependendo do salto, o atacante tem as mesmas opções de ataque?
- Dependendo dos movimentos do tronco e dos braços, pode haver variação no tipo ou potência do ataque?
Em outras palavras, neste espaço de tempo o bloqueador aproveita todos esses elementos para tomar cada uma das suas decisões, isto é:
- o ponto da rede em que deve se posicionar para aguardar o desenlace da ação;
- o ponto de referência, em relação ao atacante, que deve adotar para saltar;
- o momento exato em que deve saltar;
- o procedimento que deve adotar em relação à direção da trajetória da bola.
Todos esses elementos influem significativamente nas tomadas de decisões e, mais especificamente, na percepção de direção que o atacante pode dar à trajetória da bola. De modo geral, o bloqueador pode optar por uma de duas alternativas.
A marcação do ponto, pela obstrução da bola, ou tenta interceptar uma direção de ataque (diagonal ou corredor). Se, no momento do ataque, for capaz de perceber que o cortador fará o contrário do que optou, pode também trocar o local em que colocará as mãos, na tentativa de bloqueio.
Na figura abaixo, um exemplo de troca de colocação dos braços no momento do ataque. O bloqueador salta e, percebendo que o cortador atacará em outra direção, movimenta os braços, quando no "ponto morto da impulsão".
Nota
Exagerei propositadamente a movimentação dos braços. Não recomendável que seja tão para os lados. O objetivo é o de chamar atenção para o fato de que o bloqueador perde alcance quando movimenta os braços. Por isso, deve fazê-lo esporadicamente, como um recurso técnico individual.
Outro exemplo é mudar o salto no momento do ataque, ou seja, ao perceber que uma cortada será dada mais para a diagonal do que o esperado, ao invés de saltar verticalmente, saltará obliquamente e com certeza cairá desequilibrado (figura a seguir). Na praia é possível porque o bloqueio é uma ação individual e sempre em razão de uma ação final.
Nota
Essas mudanças de procedimento no bloqueio devem ser eventuais, pois há sempre uma combinação com o parceiro que defende e para este o ponto de referência principal é o bloqueio.
Cont. no art. 49, com outra qualidade indispensável; Velocidade de Deslocamentos.