Técnica Individual - Art. 47
- Qualidades Indispensáveis para o Bloqueador.
C - Percepção de Tempo.
Uma das mais importantes qualidades que o bloqueador tem que possuir é percepção de tempo. Sem a qual é muito difícil, para não dizer impossível, ser um bloqueador eficiente. Resulta de uma combinação: tática individual-velocidade do processamento cerebral.
A fim de saber o momento exato em que deve saltar para o bloqueio é absolutamente necessário levar em conta uma série de variáveis, de modo geral, relacionadas às várias maneiras de ataque - tática individual - a saber :
- bola junto da rede;
- bola afastada da rede;
- bola baixa;
- bola levantada do fundo da quadra para a rede;
bola atacada por meio de "caixinha".
- Bola Junto da Rede.
É a bola em que o bloqueador, de boa estatura e impulsão, tem a maior possibilidade de sucesso. Deve esperar no solo (tempo de bloqueio) e, no momento em que o atacante vai completar o movimento do braço para o ataque, realizar velozmente a flexão, extensão e o salto, tentando chegar com as mãos o mais perto possível da bola.
Na figura a seguir, repare que a distância entre a bola e as mãos do bloqueador é mínima. O atacante fica sem espaço para desviar a bola. É o tipo de situação mais favorável ao bloqueador, desde que observe o fator tempo. Deve colocar as mãos no momento exato; se colocar antes, pode ser "explorado", depois, rebaterá a bola.
- Bola Afastada da Rede.
A bola afastada da rede, geralmente, passa mais rente e mais baixa ao bordo superior da mesma. Requer do bloqueador um tempo pouco maior de espera antes do salto. Os braços, como sempre, devem estar acima e do outro lado da rede (figura a seguir). O movimento final do bloqueio (invasão dos braços sobre a rede) deve coincidir com a passagem da bola pela rede.
- Bola Baixa.
É, de modo geral, uma bola que só pode ser atacada para o fundo da quadra e que passa rente ao bordo superior da rede. O bloqueador, como sempre, deve aguardar o momento exato para o salto e realizar o fundamento (flexão/extensão das pernas, impulsão e colocação dos braços sobre a rede) com a maior velocidade possível (figura a seguir).
Nota
Nesta circunstância pouco adianta alcance, ou seja, colocar os braços estendidos sobre a rede. A bola pode bater nos braços e/ou antebraços e sair da quadra (bloqueio "explorado"). O importante é acertar o tempo de bloqueio, isto é, colocar as mãos sobre o bordo da rede no exato momento em que a bola está passando.
É muito comum o bloqueador se atrasar, em relação ao tempo do bloqueio. Por ter tomado a decisão tarde demais ou por realizar sem a velocidade requerida os movimentos para a execução do bloqueio (flexão/extensão das pernas, impulsão e colocação dos braços sobre a rede). O que ocorre nestes casos é a "rebatida" da bola pelo movimento de elevação dos braços e mãos. Neste caso, a bola toca no bloqueio e volta para a quadra do atacante, o que não é um bloqueio positivo. O certo é que no momento em que a bola é atacada o bloqueio - fundamento - já esteja completo.
- Bola Levantada do Fundo da Quadra para a Rede.
É uma situação de jogo muito freqüente, sobretudo após uma defesa ou uma recepção defeituosa. Requer extrema habilidade e raciocínio do levantador. A bola nessa situação de jogo não pode, de maneira alguma, chegar baixa e próxima da rede. É um tipo de ataque em que o atacante não tem uma visão apropriada da quadra adversária e, em conseqüência, está sujeito:
- ao erro;
- a atacar a bola muito rente do bordo superior da rede;
- atacar por meio de "largada".
O bloqueador, por conseguinte, deve "atrasar" ao máximo o salto e fazê-lo quase que no mesmo tempo em que o atacante desfere com o golpe. No caso da bola fora da rede, então, deve saltar após o golpe do atacante adversário.
- Bola Atacada por meio de "Caixinha".
A "Caixinha" ("largada" do Vôlei de Praia) é executa em duas circunstâncias distintas:
- por opção;
- por impossibilidade de ataque forte.
Quando é executada por opção do jogador, é mais difícil de ser percebida; o atacante finta um ataque por meio de cortada e, no momento do golpe, opta pela "largada". Por isso, o bloqueador deve saltar para o bloqueio no mesmo "tempo" em que o faz em um ataque por cortada.
Quando é executada por impossibilidade de ataque por meio de uma cortada forte, ocorre em bolas mal levantadas, muito fora ou muito próxima da rede, baixas, curtas, longas, etc... Neste caso, o bloqueador atento pode perceber claramente e decidir-se sobre dois procedimentos:
- "atrasar" o salto, ou seja, saltar no momento do golpe do atacante;
- sair do posicionamento de bloqueio para o de defesa.
Notas
- Em qualquer das situações descritas, o "tempo de espera" se dá no chão. A flexão e extensão das pernas, o salto e a invasão dos braços, como sempre, devem ser realizados no menor tempo possível.
- É fundamental, considerando a estratégia defensiva elaborada, que o bloqueador ocupe um espaço pré-determinado, pelo qual o jogador da defesa se orienta. A fim de que este espaço fique bem definido, o bloqueador deve adotar o seguinte procedimento: aguardar o "tempo exato" para o salto, olhando para a aproximação e o salto do atacante e postar-se, em relação ao mesmo, levando-se em conta três opções:
- em frente a um dos braços;
- em frente ao eixo do corpo;
- ligeiramente à direita/à esquerda do corpo, tendo em vista a obstrução de determinada trajetória da bola (diagonal/paralela).
Cont. no art 48, com outra qualidade indispensável; Percepção de Direção.