Técnica Individual - Art. 24 A

- Toque de Bola Acima da Cabeça, para o Levantamento e para a Defesa.

- Treinamento do Toque

- Para a Defesa.

- Exercícios para Aprendizagem e Aperfeiçoamento.

 

- Seqüência de Exercícios no 13.

 

- Objetivos: - consolidação da técnica de amortecimento do impacto da bola;
  - aprendizagem/aperfeiçoamento da manobra "Reco-Reco”;
  - defesa tendo em vista à transição do sistema defensivo para o ofensivo.

 

O “Reco-Reco” é uma manobra tática executada por todas as equipes, e em todos os níveis de competitividade. Consiste no seguinte.

O jogagor-bloqueador (JB), no seu posicionamento para o bloqueio, percebe que a bola foi imperfeitamente levantada e que o atacante adversário não pode atacar com grande potência. Ele recua com velocidade máxima a fim de adotar seu posicionamento defensivo. Quando consegue, ótimo. Quando não consegue, tem que executar a defesa deslocando-se para trás.

O toque Acima da Cabeça é um dos fundamentos utilizados para a defesa na manobra “Reco-Reco”; o outro a manchete.

 

Nota

 

A execução do toque, no caso, é avaliada pelo árbitro. Quando a bola é atacada com grande potência o jogador pode tocá-la ainda que incorretamente. Quando a pot&encia não é grande o toque tem que ser absolutamente correto.

 

128 – O treinador/colaborador, sobre uma plataforma, do lado oposto da rede, alça a bola, cerca de 1 m sobre sua própria cabeça, e ataca sem muita potência de modo que a trajetória da bola seja curva, acima da cabeça do jogador-bloqueador (JB). Este, que está se deslocando para seu posicionamento defensivo, executa a defesa por meio do toque para o alto e excuta um segundo toque para a zona de levantamento.

129 – Idem ex. 113, com o ataque com as mesmas características, entre JB e a linha lateral da quadra.

130 – Idem ex. 114, com o ataque entre JB e a linha que divide a quadra em duas metades.

No diagrama a seguir, elementos que compõem a quadra na organização dos exercícios.

 

 

131 – Mesma mecânica dos exercícios anteriores. Agora o ataque reto na direção do corpo do jogador, com potência compatível com a capacidade de cada atleta. JB, executa a defesa com o toque, enviando a bola para a zona de levantamento.

132 – Idem ex. 116, com o ataque entre JB e a linha lateral da quadra.

133 – Idem ex. 116, com o ataque entre JB e a linha que divide a quadra em duas metades.

134 – Mesma mecânica. O ataque sem muita potência, de maneira que a trajetória da bola descreva uma linha curva: reto, ente alinha lateral e JB; ou entre JB e a linha que divide a quadra em duas metades.

135 – Idem ex. 119, com o ataque com potência máxima. Também: reto; entre JB e a linha lateral; ou entre JB e a linha que divide a quadra em duas metades.

Na figura a seguir, representação gráfica com os dos dois tipos de trajetória. Ponto de Ataque (PA) para PB, a curva; PA para PC, reta.

 

 

 

- Aspectos a serem observados durante a execução dos exercícios.

 

1 – “Os primeiros exercícios da seqüência têm em vista a aprendizagem da manobra ‘Reco-Reco” com a defesa por meio do toque acima da cabeça. A potência dos ataques, desferidos pelo treinador/colaborador, devem ser compatíveis com a capacidade de cada atleta. Enquanto a manobra não for aprendida não adianta imprimir muita potência.

2 – O treinador deve estar atendo ao ponto em que o atleta toca na bola. Deve ser a frente da linha da cabeça e, no máximo, sobre a mesma. Nunca além destes pontos. O apoio que proporcionam as pernas, o tronco e os braços, fica inviabilizado.

Na figura a seguir os pontos em que a bola deve ser tocada.

 



Desenho de Eduardo Rodrigues

 

3 – A manobra tem que ser realizada nas duas metades da quadra (entrada e saída da rede). Nos ataques entre o jogador-bloqueador e as linhas laterais e/ou entre o mesmo e a linha que divide a quadra em duas metades, o atleta tem perceber a intenção do atacante e, na medida do possível, cambar mais para um flanco ou outro, a fim de se posicionar de frente para a trajetória da bola.

4 – É extremamente importante que o atleta se exercite a manobra deslocando de frente para as linhas laterais e/ou para a linha que divide a quadra em duas metades. Muitos atletas só conseguem deslocar com o corpo voltado para a direita ou para a esquerda. No meu modo de ver, isso não é bom; acarreta em fator limitante.

5 – Atletas de alto nível deslocam-se de diferentes maneiras. Muitas vezes, porque não exercitaram de todas as maneiras. Ou, se sentem melhor com uma maneira ou outra. Contudo, existem alguns itens que devem ser considerados. Por exemplo.

a) – A Maneira como se posicionar para o bloqueio
b) – O tipo de passada para a saída do posicionamento de bloqueio.
c) – A importância da movimentação dos braços durante o deslocamento;
D) – A decisão tática de deslocar e parar executar a defesa ou executá-la em pleno deslocamento.

 

- Conclusão.

No decorrer da apresentação dos artigos sobre o Toque acima da Cabeça, enfatizei, até repetitivamente, o grau de importância deste fundamento. No vôlei de praia, o levantamento influi significativamente na performance do time. No vôlei de quadra, as recepções imperfeitas, ou bolas defendidas que saem da quadra, ou que tocam no bloqueio, contam com maior número de jogadores para recuperá-la e torná-la atacável. No de praia, apenas um tem que realizar o levantamento. Muitas vezes em locais distantes dos quais estão posicionados. Isto é, tem que executá-lo após deslocamento longos, feitos com velocidade máxima. Ou seja, têm que executar o levantamento diante das condições mais complicadas. E mais, têm que alcançar máxima eficiência ao longo de todas as partidas.

No voleibol brasileiro existe o que se poderia chamar de uma "cultura" entre o jogadores: a execução do toque é facílima, não requer treinamento. Na minha maneira de entender, esta "cultura" decorre de uma visão estanque do fundamento e da função. O fundamento puro e simples, realmente, não é nada difícil de ser executado. O levantamento, não. Requer a correta execução do fundamento diante de situações de jogo, muitas vezes, bastante complexas.

Dito isso, nada justifica o desmazelo com que alguns treinadores e jogadores têm para com o treinamento do toque. Para eles, é apenas uma parte do aquecimento. É fácil observar treinamentos em que os jogadores começam a sessão dando toques de qualquer maneira, manchete de qualquer maneira, o tradicional ataque e defesa, de maneira preguiçosa, etc... Na realidade, apenas o treinamento específico do levantamento é realizado; em módulos de exercícios técnicos/táticos e no treinamento tático.

Da mesma maneira, o toque para a defesa. Depende de grande capacidade em sua execução. A velocidade da trajetória da bola, atacada com extrema potência, requer ao defensor além da boa execução, a habilidade para amortecer o impacto que a mesma provoca. Logo, repito, não basta o saber dar um toque. O fundamento tem que ser bem aprendido e aperfeiçoado no decorrer de toda a carreira de um atleta. O objetivo deve ser o de capacitar para executá-lo sob as circunstâncias mais complexas.

Os exercícios descritos visam a aprendizagem para os iniciantes, o aperfeiçoamento para os iniciados e um treinamento físico e técnico para os jogadores de alta competitividade, onde são desenvolvidas as qualidades físicas apresentadas na PARTE do Site que trata da Preparação Física (ver Treinamento Orgânico Integrado - TOI). Com a aplicação dos mesmos, ao longo da programação do treinamento, o jogador tem oportunidade de se capacitar e, com isso, obter melhor aproveitamento nos treinamentos físico, técnico-tático e tático.

Sobre a Preparação Física, vale enfatizar a importância de um bom condicionamento. Na areia, após os primeiros exercícios, um jogador não muito bem condicionado perde a qualidade na execução do exercícios e compromte a execução dos toques. É extremamente importante a execução perfeita e para isso é conveniente dosar o número e tempo ou repetições das seqüências. As seqüências podem ser distribuídas ao longo do período de treinamento, pois há ainda as seqüências de manchete, ataque e defesa e demais fundamentos.

Tive a preocupação de apresentar as seqüências de modo gradativo, ou seja das menos para as mais complexas. A intenção é a de que possam ser adotadas em qualquer nível de competitividade. Cabe ao treinador selecionar seqüências ou execícios mais adequados aos seus atletas.

Finalmente, uma informação. O Just Volleyball está elaborado em três partes: preparação física, técnica individual e estratégias/táticas. Os assuntos de uma parte estão vinculados com os das outras. Sugiro o acompanhamento das três partes, obviamente, tendo em vista um melhor entendimento do vôlei de praia de maneira interligada.

 

Continuação no art. 25 com a Manchete.

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