Técnica Individual - Art. 10
- Toque de Bola Acima da Cabeça, para o Levantamento e para a Defesa.
- Situações de Jogo.
É um fundamento decisivo no Vôlei de Praia. É utilizado, principalmente, nos levantamentos que são efetuados após a recepção de saque, defesa ou um toque no bloqueio (a regra permite apenas mais dois toques).
Requer dos jogadores, primeiramente, grande velocidade de deslocamentos para a "chegada embaixo da bola". Depois, habilidade para executá-lo de variadas formas e, sobretudo, precisão absoluta, a fim de que o levantamento seja bem aproveitado pelo atacante.
É também largamente aplicado por jogadores de grande habilidade, nas defesas de bolas atacadas em que o jogador que a pratica está intencionalmente em um posicionamento mais adiantado e, conseqüentemente, impossibilitado de executar a manchete, fundamento mais apropriado na defesa.
O treinamento deve ser freqüente, variado e sob diversas circunstâncias (abordarei neste capítulo), com o objetivo de proporcionar ao jogador a confiança necessária a uma atuação desembaraçada e eficaz.
- Para o Levantamento.
A fim de que o toque seja bem aproveitado no levantamento, é importante observar os fatores que se seguem.
A - Deslocamento.
No item que trata da Dinâmica do Jogo, pode-se constatar que o levantamento é efetuado, quase sempre, após um deslocamento ou em deslocamento, que o jogador faz com o intuito de "chegar embaixo da bola". No diagrama a seguir exemplo de uma série de deslocamentos que o jogador (J1) pode ter que realizar. De modo geral, ele desloca-se para a Zona de Levantamento, mas nos casos em que a recepção do saque é imperfeita, é necessário fazer outros deslocamentos.
B - Chegada embaixo da Bola.
É um fator muito importante para um bom levantamento. Os procedimento, no momento da chegada sob a bola, são:
1 - posicionar-se corretamente em relação ao ponto em que a bola está;
Na representação gráfica a seguir, apresento alguns elementos para facilitar a compreensão. A linha tracejada, em vermelho, representa o eixo do jogador, ou seja: a linha que compreende as pernas, o tronco e a cabeça. A setas, em verde, significa a angulação do braços em relação ao eixo do corpo e ao ponto em que a bola está posicionada. As três bolas, em amarelo, exemplifica três pontos hipotéticos em que a bola pode ser tocada.
O posicionamento ideal (foto a seguir) é o que os braços estão no prolongamento do eixo do jogador para o toque na bola A. O jogador tem facilidade para os levantamentos para frente e para trás.
A angulação dos braços para o toque na bola B não é apropriada. O jogador terá facilidade para levantamentos para frente, mas terá dificuldade para os levantamentos para trás.
A angulação dos braços para o toque na bola C, pela mesma razão, não é apropriada. O jogador encontrará facilidade para os levantamentos para trás, mas terá dificuldade para executar levantamentos para frente.
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Na foto acima, Levantamento de Costas com a bola posicionada corretamente: sobre a cabeça da jogadora (Mônica Rodrigues), como na figura (bola A) ao lado.
2 - apoiar os pés corretamente em relação ao ponto em que a bola deve ser levantada.
No diagrama a seguir, demonstro o posicionamento adequado do pé de apoio, em relação ao ponto em que a bola é levantada. O jogadores quando deslocam-se da posição em que estão posicionados - na recepção do saque - para o levantamento, devem observar o seguinte procedimento:
J1, apoiar o pé direito (pd) paralelamente à rede e o pé esquerdo (pe) ficará ligeiramente atrás e afastado do primeiro em distância correspondente à largura dos ombros.
J2, apoiar o pé esquerdo (pe) paralelamente à rede e o pé direito (pd) ficará ligeiramente atrás e afastado do primeiro em distância correspondente à largura dos ombros
Nota
Este procedimento "quebra" a velocidade do corpo do jogador - em deslocamento - e propicia, conseqüentemente, maior equilíbrio para a execução do toque no levantamento. Também o primeiro pé apoiado (paralelamente à rede) funciona como uma espécie de "régua", diminuindo com isso a possibilidade de erros muito comuns como, por exemplo, a levantada "grudada" na rede e a que passa para o outro lado da oposto (figura a seguir).
Na foto acima, a jogadora (Mônica Rodrigues) está levantando a bola para a saída da rede. Reparem que o pé que está apoiado é o esquerdo.
Nota
No caso das bolas afastadas da rede o princípio é o mesmo, mas com uma diferença: o ângulo dos pés, em relação à rede, varia até 90 graus. Nos diagramas a seguir, apresento dois exemplos de situações de jogo bastante freqüentes.
No da esquerda, J1 se desloca para a Zona de Levantamento (seta tracejada em verde) e, em virtude do passe imperfeito, desloca-se novamente (seta tracejada em verde), a fim de de posicionar-se adequadamente e realizar o levantamento (seta cheia em vermelho). Neste caso, ele, muito provavelmente, chegará e efetuará o giro do corpo sobre o pé direito, para posicionar-se de frente para o ponto em que levantará a bola. Reparem que a angulação dos seus pés é oblíqua (35 graus), em relação à rede. No da direita o procedimento com o J2. No caso o giro e apoio e com o pé esquerdo.
No diagrama da esquerda, o J1 desloca-se para a Zona de Levantamento (seta tracejada em verde), mas a bola é recepcionada incorretamente e fica no centro da quadra. Ele se desloca novamente para o ponto em que a bola se encontra (seta tracejada em verde) e gira (setas curvas em verde) o corpo sobre o pé direito, a fim de posicionar-se de frente para o ponto em que levantará (seta em vermelho) a bola. No final do giro, ele estará com as pontas dos pés, praticamente, perpendiculares em relação à rede. A fim de justificar o levantamento perpendicular à rede, coloco o deslocamento do J2 para o ataque. O ideal é o que ele consegua se deslocar para extremidade da rede. Quando não tem tempo, aproxima-se em linha reta para o ataque. Neste caso, a trajetória da bola é absolutamente perpendicular à rede, considerando que a mesma tem que ficar entre a linha do J1 e a do J2. No diagrama da direita, o exemplo em deslocamento e levantamento para a outra extremidade da rede.
Muitos jogadores, nessas circunstâncias, executam o levantamento por meio da manchete, por duas razões: ou porque não chegam a tempo para posicionar-se para o toque ou porque não têm habilidade para executar o toque após ou em giro do corpo. São poucos os jogadores que executam o toque em deslocamento, técnica que facilita bastante o desembaraço nesses tipos de levantamento.
Convém chamar atenção para um aspecto importante. As bolas fora da Zona de Levantamento ocorrem com maior freqüência por ocasião das defesas. A diferença é que os jogadores se deslocam para as mesmas, saindo do bloqueio e/ou dos pontos em que estão posicionados para a defesa.
As campeoníssimas Adriana Behar e Shelda foram campeoníssimas porque possuem, obviamente, uma série de virtudes. Na minha opinião, são extraordinárias - não há nada parecido - nos levantamentos. Arrisco a afirmar que têm aproveitamento de - praticamente - 100%.
Cont. no art. 11, com Tipos e Maneiras de Execução do Toque.