Tec. Individua - Artigo 05

- Saque - Parte IV

- Qualidades Indispensáveis para Execução do Saque.

Uma ótima performance no saque - não só em um jogo, não só em um campeonato, mas sistematicamente - resulta de uma série de fatores.

1 - Qualidades Físicas Funcionais. O Saque do Tipo "Viagem" é o requer maiores qualidades físicas funcionais, ou seja.

- Velocidade de Deslocamento, por ocasião das passadas que precedem a impulsão.

- Força Explosiva da musculatura dos membros inferiores, para obter boa impulsão e, com isso, executá-lo com maior alcance (no saque do tipo "Viagem").

- Força Explosiva da musculatura dos membros superiores, tendo em vista golpear a bola com maior potência e, assim, imprimir maior velocidade possível à trajetória da mesma.

- Velocidade dos Movimentos do tronco e dos braços, para golpear a bola com a maior potência possível.

- Flexibilidade de Movimentos da coluna vertebral e dos ombros, propiciam maior amplitude dos movimentos e, consequentemente, contribuem para melhorar a potência do golpe.

2 - Correta execução da Técnica.

- No Saque do tipo Tênis.

1 - O afastamento das pernas é (aproximadamente) igual à largura dos ombros (boa base), a fim de que o corpo fique equilibrado no momento da execução;

2 - Uma das pernas e o pé ligeiramente à frente do outro (ponta do pé que está atrás na linha do calcanhar do pé que está na frente). Na execução do saque com a mão direita, a perna e o pé esquerdo tem que estar na frente. Com a mão esquerda, a perna e o pé direito na frente;

3 - Na preparação para o golpe, a bola deve ser segurada com a mão aberta, o braço estendido na altura do ombro (do mesmo braço) e o braço, que desfere o golpe, atrás da cabeça e semiflexionado. O golpe na bola pode ser desferido de alumas maneiras, como por exemplo, no centro (saques com potência e/ou curtos), no centro direito e/ou esquerdo da bola ( saque co efeito "rosca"), do centro à face inferior, saques longos.

- No Saque do tipo "Viagem" e ou "Chapado".

1- O jogador alça a bola com uma (mais usado) ou duas mãos à sua frente,

2 - Dá duas ou três rápidas passadas sendo que a última bem larga.

3 - Salta com os dois pés e, no ponto mais alto da impulsão, golpeia a bola, da mesma maneira que o faz em uma cortada.

 

- Variações do Saque Viagem.

O Viagem evoluiu de tal maneira que, atualmente, é largamente utilizado de duas maneiras:

- Golpe tipo Top Spin

O jogador golpeia a bola na sua parte centro-alta fazendo com que a mesma passe o rente ao bordo superior da rede e descaia rapidamente.

- Golpe tipo Chapado

O jogador golpeia o centro da bola, a fim de que a trajetória da mesma seja paralela ao solo e descaia mais no fundo da quadra.

 

Nota

Nas figuras a seguir:

Na fig. 1, o golpe no saque do tipo "Viagem", ou seja, no centro da bola e rigorosamente sobre o eixo do corpo;

Na 2, o golpe no tipo "Chapado", no centro da bola e ligeiramente à frente do eixo do corpo.

Nada impede de o golpe ser desferido um pouco mais acima ou um pouco mais abaixo do centro. Alguns jogadores utilizam essa variação para buscar o saque mais curto, mais longo, e/ou fazendo a bola passar mais rente ou acima do bordo superior da rede.

A fim de dar o efeito "Rosca" a batida deve ser no centro direito/esquerdo da bola.

 

 

3 - Equilíbrio Emocional.

Os dois primeiros itens estão focalizados, de modo detalhado, e estão disponíveis em artigos do JUSTVOLLEYBALL. Vale dar um revisada. Neste, serão focalizados outros aspectos, todos igualmente importantes. Refiro-me aos que influem no equilíbrio emocional e, consequentemente, na performance; propriedade que o atleta deve ter ao longo de toda sua carreira.

 

1. Concentração.

No momento de executar o saque o jogador deve estar absolutamente concentrado, a fim de cumprir a tática estabelecida com um golpe preciso. Há fatores que quebram a concentração:

- cansaço,

- irritabilidade,

- falta de autoconfiança,

- ambição exacerbada.

- Cansaço.

Após um " rally " intenso, muitas vezes o jogador não se encontra apto a uma execução precisa do saque, seja pela frequência respiratória alta (resfolegando), seja pelo esgotamento físico, o que compromete o gesto motor.

- Irritabilidade.

É frequente observarmos um jogador desconcentrar-se em virtude da irritação com o próprio erro, erros do companheiro, erros de arbitragem, discussão com o adversário, etc.

- Falta de Auto-confiança (Medo de Errar).

A autoconfiança adquire-se no treinamento. No jogo propriamente dito, pela sucessão precedente. O jogador deve se preocupar com a regularidade. Se treina sem o compromisso com o acerto (precisão) e no jogo saca apenas algumas vezes muito bem, errando frequentemente, em um momento decisivo não tem a autoconfiança necessária para a execução e, por isso, teme o erro; fator que o desconcentra.

- Ambição Exagerada.

Há ocasiões em que um jogador, ao invés de manter um saque produtivo (em função da tática estabelecida) , que já resultou em vários pontos ou "quebras" de recepção da dupla adversária, tenta um ponto direto, a fim de tornar-se o "grande protagonista", o "herói do jogo", etc. Em outras palavras, o saque não é uma ação isolada; é também função integrante de um sistema. Um jogador, ao sacar, deve concentrar-se nos objetivos propostos.

 

2. Habilidade.

É comum escutarmos a indignação: - "como pode errar um saque ?!" Observado de modo isolado, o saque é simplesmente a ação de colocar a bola em jogo e realmente não parece ser difícil. Entretanto, em jogo de competição ele tem objetivos táticos e requer precisão quase que absoluta do jogador que o executa. A precisão e a regularidade, inerentes a um bom sacador, são frutos da sua habilidade, do domínio da técnica. Esse atributo é adquirido por meio de treinamento constante buscando atingir objetivos, níveis, requeridos pela competição.

 

3. Regularidade.

O bom saque não é só aquele que resulta em ponto. O saque positivo compreende:

- os "aces" (direto no chão),

- os que provocam o erro de recepção (não há possibilidade de uma outra ação)

- os que dificultam as jogadas de ataque.

Os negativos:

- são os errados, em que a bola "morre":

. os que a bola bate na rede e não passa;

. os que a bola vai para fora,

. os que o adversário recepcionam excelentemente.

Ao final de uma partida o jogador deve ter um percentual de positivos, pelo menos, acima de 20%. Há jogos em que esse percentual cresce ou decresce em função da qualidade técnica do adversário.

Notas

- Para ilustrar o comentário, em um Campeonato Mundial, realizado no Rio de Janeiro e vencido por Karch Kirally e Pat Powers os saques eram dirigidos ao primeiro (que era excepcional atacante e atacava com extrema eficácia), ainda que possa parecer engano, por dois motivos. O primeiro, porque Powers não levantava bem; o segundo, porque sobre Kirally é praticamente impossível os 20% de sucesso mencionados.

- Atualmente, muitos jogadores possuem extraordinária técnica e que batem marcas altas de aproveitamento e com extrema regularidade. É difícil citar os nomes de apenas alguns. Contra estes não é fácil obter-se rendimentos significativos com o saque.

 

4. Condicionamento Físico.

O saque (exceto aquele inicial) é executado sempre após um "rally", que pode ser mais ou menos intenso. De qualquer forma, há uma intensidade. Nos finais de jogo o preparo físico pode influir no rendimento de todos os fundamentos, notadamente aqueles que dependem de precisão. No do saque, ainda que despercebidamente, é considerável. Entre aqueles que sacam o "Viagem" só o bom condicionamento físico garante as qualidades físicas necessárias à sua execução.

 

Cont. no art. 06, com Exercícios para Aprendizagem/Aperfeiçoamento do Saque.

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