Preparação Física - Art. 07

Velocidade - Parte III

 

- Fatôres que Limitam a Velocidade.

O treinador deve identificar qualquer fator limitante da velocidade e minimizá-lo por meio de exercícios específicos. Menciono alguns fatores limitantes constatados durante minha carreira e aproveito para enfatizar que a velocidade deve ser aplicada ao voleibol.

 

- Velocidade de Deslocamento.

1 - Incorreção na Técnica do deslocamento.

Na técnica de um velocista é flagrante a elevação dos joelhos e os movimentos acentuados dos braços. O comprimento das passadas são proporcionais ao tamanho das pernas e os ombros não fazem qualquer movimento de rotação. Essa técnica é influenciada por fatores inatos e pode ser aprendida ou melhorada com o treinamento específico. No voleibol é comum um jogador ter a velocidade de deslocamento diminuída pela incorreção na técnica utilizada.

Por exemplo fig. 01 - (a e b) e fig. 2 - (a e b):

- ao deslocar-se para executar um levantamento [fig. 1, (a) e (b)], preocupado com a bola, o jogador corre com os braços elevados, preparados para o toque, ao invés de correr normalmente e elevar os braços ao chegar no local em que a bola se encontra;

- ao deslocar-se para pegar uma bola "largada" [fig. 2, (a) e (b)], o jogador corre com a manchete pronta.

 

2 - Deficiência Muscular.

Nos deslocamentos existem grupos musculares mais importantes que outros, principalmente da perna e da coxa. Há jogadores que possuem alguma deficiência, isto é, força insuficiente nesses grupos musculares ou uma perna discrepantemente mais forte que a outra. O treinamento de força pode ser útil. O atleta deve ser conscientizado de que, além da sessão regular de musculação, deve fazer exercícios suplementares, a fim de sanar qualquer deficiência e conseqüentemente melhorar sua velocidade.

 

3 - Flexibilidade Insuficiente.

Uma boa flexibilidade de movimentos contribui para o desenvolvimento da técnica da corrida e, como decorrência, melhora a velocidade de deslocamento.

 

4 - Excesso de Peso.

Quanto maior for o peso (gordura) a ser tracionado, maior é a dificuldade de executar um movimento veloz e o risco de contusões, devido a sobrecarga nas articulações.

 

- Velocidade de Movimento.

1 - Técnica Incorreta do Movimento. A correta execução do fundamento possibilita movimentos mais velozes. Cito a seguir incorreções mais verificadas em cada fundamento.

- Cortada.

- Aproximação com passadas curtas.

- Salto sem auxílio dos movimentos dos braços.

- Não utilização do movimento do tronco (arqueada).

- Percurso limitado do movimento do braço (precedente ao golpe).

- Falta de flexibilidade para alguns movimentos da articulação escápulo-umeral.

Nota

O golpe - potência e precisão - resulta, sobretudo, da coordenação em velocidade de todos êsses movimentos.

 

- Bloqueio.

- Incorreção do posicionamento do tronco em relação às pernas.

- Percurso dos braços mais longos (fig.a seguir).

Na figura a seguir, os braços diretamente para o posicionamento adequado (fig. b) e os braços com um percurso maior para atingirem o posicionamento adequado (fig. a).

 

- Flexão das pernas insuficiente.

 

- Saque.

- Percurso do braço limitado (precedente ao golpe).

- No saque "Viagem", as mesmas incorreções mencionadas na cortada.

 

- Toque e Manchete.

São fundamentos em que não há necessidade de movimentos velozes. A velocidade é necessária para o jogador colocar-se apropriadamente em relação à bola.

É essencial e indispensável a coordenação entre o final do deslocamento e a execução do fundamento. Sobre isto chamo a atenção para um fato que ocorre freqüentemente, até com jogadores de grande categoria. Após deslocarem-se para um levantamento, há jogadores que necessitam parar e tocar a bola com os dois pés paralelos. Não têm a habilidade de tocarem a bola na corrida, apoiando-se na perna com que chegam, e por isso perdem algumas frações de tempo. A mesma situação ocorre com a manchete.

Cabe lembrar que é o caso típico da aplicação da velocidade de deslocamento. Influi significativamente na execução do fundamento e, conseqüentemente, para realização da função na qual o mesmo é aplicado. Por exemplo:

- em um simples passe

- na recepção do saque;

- na defesa;

no ataque, por meio de "colocada".

 

A maioria das ações nos esportes com bola são realizadas por meio de movimentos extremamente velozes e após um deslocamento também velocíssimo. No Vôlei de Praia verifica-se uma sucessão constante de deslocamentos coordenados com a execução do fundamento, a qual deve ser sempre perfeita. A seguir exemplifico duas dessas seqüências/cadeias.

As linhas representam os deslocamentos e os retângulos as ações.

 

Na cadeia defensiva - a equipe tem a bola. A ação inicial é o saque. Após sua execução o jogador, que executa o saque, desloca-se para o posicionamento de defensivo, de acordo com sua atribuição, para a defesa ou para o bloqueio. Caso consiga dominar a bola, contra-atacará, ou seja levantamento e ataque. Caso o adversário retome a posse da bola, retornará para o posicionamento defensivo - defesa ou bloqueio.

Na cadeia ofensiva, um dos jogadores recepcionará o saque ou fará uma defesa ou um bloqueio. O outro deslocará para executar o levantamento. A partir daí, ambos deslocam-se para atacar ou cobrir o ataque. Caso não "matem" o ponto, retornarão para o posicionamento defensivo, a fim de recuperar a posse da bola. Uma vez recuperada, um desloca-se para levantar e o outro para atacar.

Por essas representações pode-se constatar a importância da velocidade. O jogador precisa deslocar, quase sempre com grande velocidade, a fim de chegar no local em que executará o fundamento de tal maneira que a precisão do mesmo não seja comprometida.

Continua no art. 08 com a Conclusão.

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