Preparação Física - Art. 05
Velocidade - Parte I
O termo abrange diversos fenômenos que ocorrem no esporte. Partindo do pressuposto de que no Vôlei de Praia apenas dois jogadores cobrem todo o campo, em terreno mais fofo, a velocidade é um pré-requisito indispensável. Na minha opinião há três espécies a serem consideradas:
a - Velocidade de Reação;
b - Velocidade de Deslocamento;
c - Velocidade de Movimento.
- Tipos de Velocidade.
a - Velocidade de Reação.
É uma propriedade do sistema nervoso, que depende da velocidade com que a informação é processada. No Vôlei de Praia ocorrem diversas situações de jogo que requerem extrema velocidade de reação. Cito, exemplificando, o momento do ataque. Após o levantamento da bola o defensor, segundo sua percepção (tática individual), colocar-se-á apropriadamente para sua intervenção. No exato momento do golpe o jogador deve reagir velozmente a uma variedade de tipos de ataque como, por exemplo;
- uma cortada;
- uma "largada";
- um "lob";
- etc...
Em uma cortada forte o defensor tem o tempo compreendido entre o golpe e a chegada da bola onde está colocado. Considerando que a bola atinge grande velocidade (até superior a 80 km por hora) e o jogador está a distâncias que variam de 3 a 9 metros, o tempo para reação é ínfimo e varia de indivíduo para indivíduo. Essa propriedade é inata (velocidade de processamento) mas pode ser também melhorada com o treinamento. Na minha opinião, nada, mas nada é melhor do que o técnico individual.
Neste tipo de treinamento serão simuladas - de modo exaustivo - situações de jogo que requerem velocidade de reação. Tais como:
- defesa de bolas com trajetórias de todo tipo e de todas a velocidade;
- recepção do saque, com trajetórias das mais simples às mais complexas e das mais lentas às mais velozes;
- bloqueio de diferentes tipos de ataque em que as trajetórias das bolas variam em direção e velocidade;
- cobertura de ataque;
etc...
b - Velocidade de Deslocamento.
É interligada à coordenação motora e a qualidade muscular. Os deslocamentos são geralmente curtos (de 3 a 9 metros), o que requer grande explosão muscular. Após o deslocamento há uma ação de habilidade e precisão. Por exemplo, um deslocamento veloz para executar um levantamento, uma defesa, um ataque, etc... No capítulo destinado à técnica individual demonstrarei, em primeiro lugar, a importância da velocidade de deslocamento e, depois, de que maneira ela se aplica.
O treinamento desse tipo de velocidade por ser realizado:
- em seções da preparação física, por meio de atividades que contenham,
- estímulos de velocidade (piques),
- estímulos de velocidade (piques) com trocas de direções,
- estímulos de velocidade precedendo execuções de fundamentos, como por exemplo, corrida e levantamento;
- em seções do treinamento técnico individual, como por exemplo:
- corrida do saque para a rede e bloqueio;
- corrida do saque para diferentes posicionamentos defensivos;
- corrida do ponto da recepção do saque até o ponto do levantamento;
- corrida do ponto de recepção do saque até o ponto do ataque (aproximações para o ataque, primeira e final);
- saída do bloqueio para o posicionamento defensivo, para um levantamento ou para um novo ataque;
- saída do ponto do ataque para o posicionamento defensivo, para um levantamento ou para um novo ataque;
- saída de posicionamentos defensivos para os ponto de levantamento e ataque;
- etc...
c - Velocidade de Movimento.
É também ligada à coordenação motora e à qualidade muscular. Cito como exemplo uma cortada. Desde o momento do salto até o golpe da bola, há uma seqüência de movimentos coordenados a serem executados com extrema velocidade. A velocidade da trajetória da bola resulta, sobretudo, da velocidade imprimida nessa seqüência e, principalmente, nos movimentos finais, ou seja, na do tronco e na dos braços.
Como nas outras modalidades de velocidade (de reação e de deslocamento), esta pode ser melhorada:
- por ocasião das seções de preparação física e/ou de aquecimento para treinamentos e jogos, através da execução de exercícios específicos para a coordenação de movimentos, realizados com velocidade máxima, dos mais simples aos mais complexos;
- no treinamento individual, no momento que o mesmo encadeia ações sucessivas, como por exemplo;
- bloqueio e recuperação de bolas que ricocheteiam no mesmo ou de bolas "largadas", nas proximidades do ponto em que o mesmo é realizado,
- ataque e cobertura do bloqueio pelo próprio atacante,
- defesa de bolas consecutivas;
- etc...
Nota
Um exemplo. No treinamento de bloqueio é comum o bloqueador se preocupar apenas e tão somente com a interceptação da bola. Este tipo de treinamento é excelente oportunidade para exercitar a velocidade de movimento. O bloqueador deve tentar recuperar as bolas que tocam no bloqueio ou que são "largadas" nas proximidades do ponto em que o mesmo é executado. Para isso é obrigado a realizar uma série de movimentos com velocidade máxima, ou seja: pousar no solo, reequilibrar-se, deslocar para recuperar a bola e executar o fundamento.
Nos artigos sobre a técnica individual e nos sobre as estratégias e táticas, repito in-sis-ten-te-men-te, a minha opinião de que o treinamento, de modo geral e qualquer seção do mesmo, deve ser, digamos, polivalente. Seja de preparação física, seja aperfeiçoamento técnico ou de consolidação das estratégias, defensiva e ofensiva.
Pensando assim uma seção de preparação física, de velocidade por exemplo, deve conter exercícios que tenham em vista a melhoria de outras valências físicas.
Da mesma maneira, um de preparação técnica individual. A execução, pura e simples, de determinado fundamento da técnica requer uma série de valências físicas como, por exemplo, flexibilidade, força, velocidade de movimentos, etc...
No treinamento tático, da mesma maneira, é oportunidade para o aperfeiçoamento dos fundamentos da técnica individual realizados com a aplicação, também, de outras valências físicas. Por exemplo, flexibilidade, da força explosiva, da velocidade - de reação, de deslocamento e de movimento.
Enfim, por ocasião do planejamento global o treinador deve aventar a possibilidade de tornar todas as seções do mesmo o mais polivalente possível.