Preparação Física - Art. 01 A
- CONSIDERAÇÕES - PLANEJAMENTO
- Planejamento - Parte II (continuação do art. 01).
- Testes Específicos de Quadra.
São realizados tendo em vista avaliar a capacidade física – específica – para execução dos fundamentos e funções do jogo.
As razões.
A – uma capacidade é deslocar, com velocidade, para chegar a determinado ponto; outra, é executar deslocamento para executar o fundamento. Na segunda, é necessário coordenar o final do deslocamento com a execução correta do fundamento.
B – uma capacidade é saltar para alcançar um determinado ponto; outra, é saltar para executar uma cortada, um bloqueio ou um saque do tipo “Viagem”. Da mesma maneira, a segunda requer a coordenação da qualidade do salto e a execução do fundamento.
Muitos atletas são velozes para deslocar, mas têm dificuldade para executar, por exemplo, um toque ou uma manchete. Isso, quando o deslocamento é o mais natural; de frente. Quando é necessário deslocar de costas ou lateralmente – e no voleibol é imperativo – muitos atletas sentem extrema dificuldade.
Muitos atletas têm boa impulsão. Mas não a aproveitam para executar um ataque ou um bloqueio. Ou quando têm que saltar, pousar, deslocar, saltar novamente... Ou seja, não conseguem coordenar o salto com a execução do fundamento.
Com essa avaliação, é possível identificar virtudes – a serem melhoradas – e dificuldades a serem sanadas com o treinamento global.
Vamos a exemplos de testes - bastante simples - que podem aplicados em quadra com qualquer piso e para jogadores de qualquer nível de competitividade. Podem contribuir para uma avaliação acurada das capacidades mencionadas.
1 – Impulsão Vertical: - para o ataque; - para o bloqueio.
2 – Velocidade de Deslocamentos: - curtos (máximo 3 metros); - médios (máximo 6 metros); - longos (máximo 9 metros). No grupo de diagramas a seguir, exemplos de testes, bem simples, que podem ser realizados em quadra com qualquer piso e para atletas de qualquer nível de competitividade.
No diag. 1, a quadra dividida em terços. Neste primeiro terço, o teste é para avaliar a velocidade em deslocamentos curtos. O professor/treinador pode estabelecer que os mesmos sejam executados com deslocamentos de frente, de costas, lateralmente, com mudanças de direção. As marcas (quadrados em amarelo) podem ser feitas por meio de desenho no chão, pedaços de pano, medicie-balls, cones, etc.
O teste é realizado em seis movimentos, consecutivos e sem interrupção.
Movimento 1: o atleta começa no centro/fora da quadra, desloca-se e toca com uma das mãos no que está no centro/dentro da quadra;
Movimento 2: volta e toca com uma das mãos no que está no centro/fora da quadra;
Movimento 3: desloca-se e toca com uma das mãos no da direita;
Movimento 4: volta e toca com uma das mãos no que está no centro/fora da quadra;
Movimento 5: desloca-se e toca com uma das mãos no da esquerda;
Movimento 6: volta e toca com uma das mãos no que está no centro/fora da quadra.
Ao final, cada atleta tem registrado seu tempo de execução. O professor/treinador, a fim de garantir uma avaliação fidedigna, pode estabelecer três repetições para cada atleta e considerar o melhor tempo.
A critério do professor/treinador os deslocamentos podem ser feitos:
- ida e volta de frente;
- ida de frente e volta de costas;
- ida de frente e volta lateralmente;
- etc.
Nos diags. 3 e 4, as marcações nos demais terços, para avaliar deslocamentos médios e longos.
Nota
No quadro abaixo, estatística (Hömberg S. e Papageorgiu A.) que demonstra os tipos de deslocamento e trocas de direção durante uma jogo de vôlei de praia. Repare como são mais frequentes os deslocamentos nas distâncias: entre 1 e 2 metros; 3 e 4 metros e 5 e 6 metros. Nesse resultado não estão computadas as trocas de direção; também bastante frequentes.
Tipo do Deslocamento
1/2 metros 3/4 metros 5/6 metros 7/8 metros 9/10 metros- para frente 41 % 35.2 % 21.8 % 1.5 % 0.5 %- para trás 29.2 % 49.2 % 20.8 % 0.8 % 0.0 %- para os lados (dir./esq.) 71 % 25.9 % 3.1 % 0.0 % 0.0 %- trocas de direção 17.8 % 46.7 % 26.1 % 7.1 % 2.4 %- totais 39 %
37.5 %
20.1 %
2.5 %
0.8 %
3 – Velocidade de Deslocamentos (diferenciados): - de frente; - de costas; - lateralmente; - passadas variadas; - com mudanças de direção.
No diagrama a seguir, exemplo de testes, também bem simples, que podem ser realizado em quadra com qualquer piso e para atletas de qualquer nível de competitividade.
É realizado no sentido transversal da quadra (oito metros). Os atletas se deslocam ida e volta de uma linha lateral para a outra. Na quadra de cima, deslocamento diferenciados: ida com um, volta com outro. Na quadra de baixo, idas e voltas com um mesmo tipo.
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4 – Coordenação de Ações.
1. - Deslocamento – Execução do Toque Acima da Cabeça.
1.2 - com os pés no chão: de frente; de costas; lateralmente;
1.2 - com o corpo em suspensão; de frente; de costas; lateralmente.
1.3 - com o corpo agachado; de frente, de costas, lateralmente
2.- Deslocamento – Execução da Manchete.
2.1 - com os pés no chão: de frente; de costas; lateralmente.
2.2 - com o corpo em suspensão; de frente; de costas; lateralmente.
2.3 - com o corpo agachado; de frente, de costas, lateralmente.
No diagrama a seguir, diferentes distâncias para deslocamentos: (a) médio; (b) curto e (c) longo. Podem ser utilizados para o toque e a manchete, de todos os tipos e maneiras. O teste pode ser realizado por um jogador, executando, e dois colaboradores. Da seguinte maneira.
Um colaborador em cada uma das linhas, tocado a bola para o alto (cerca de três metros), sobre a própria linha. O jogador se deslocando de uma linha para a outra e em cada qual executa toque/manchetes, de diferentes tipos e maneiras. Com altura tal que seja possível se deslocar a tempo para a outra linha. O treinador estabelece o número de execuções ou execuções em determinado período de tempo.
Notas
- Para atletas iniciantes ou pouco familiarizados na areia, o professor/treinador pode estabelecer que os colaboradores executem dois ou três toques, consecutivos, para cima, de maneira que o atleta tenha tempo de se deslocar.
- Os testes têm em vista avaliar a coordenação deslocamento-execução do fundamento. A velocidade não está em questão. Com atletas mais desembaraçados, pode ser estabelecido que os colaboradores executem apenas um toque.
3 – Deslocamento – Bloqueio.
3.1 – Salto – Bloqueio – Salto – Bloqueio (Dois ou Mais Saltos Consecutivos);Na figura a seguir, o posicionamento inicial e o salto. O fundamento (bloqueio) deve ser corretamente executado. O atleta tem que saltar e pousar no mesmo ponto (quadrado no solo, em destaque). No teste com saltos consecutivos saltar e pousar no mesmo ponto é fator fundamental; significa que o atleta saltou com equilíbrio e executou o fundamento corretamente.
Desenhos de Eduardo Rodrigues
3.2 – Passada Lateral – Salto/Oblíquo – Bloqueio;
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Desenhos de Eduardo Rodrigues
3.3 – Duas Passadas Laterais – Salto – Bloqueio;
3.4 – Deslocamento com Passadas Cruzadas – Salto – Bloqueio;
3.5 – Deslocamento com Passada Frontal e Giro – Salto – Bloqueio.
4 – Deslocamento – Ataque.
4.1 – Uma Passada – Salto – Ataque;
4.2 – Com Duas Passadas – Salto Ataque.
5 – Saque (se) do Tipo “Viagem”/Em Salto.
5.1 – Com Uma Passada – Salto – Saque;
5.2 – Com Passadas (de acordo com o atleta) – Salto – Saque.
Notas
Os saltos no ataque, no bloqueio e no saque (com salto) corresponde a 55% das ações em uma jogo entre equipes de alta competitividade. Logo, como é importante saltar bem, e coordenar bem o salto com a execução destes fundamentos.
Com os dados de todas essas avaliações sugeridas, o professor/treinador pode saber em que nível seus alunos/atletas se encontram. Os próximos passos do Planejamentos são:
- estabelecer os níveis a serem buscados;
- a metodologia a ser utilizada;
- os prazos para o alcance dos níveis estabelecidos.
Nos próximos artigos abordaremos, um a um, esses itens importantes do Planejamento da Preparação Física e, consequentemente, do Planejamento Global.
Continuação no art. 02 com Definição Sensata dos Objetivos Gerais e Específicos.
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