Estratégias / Táticas - Art. 85

- Defesa

- Treinamento Tático-Coletivo da Defesa.

 

Um bom rendimento na defesa depende de uma série de fatores:

1 – Capacidade Física.

 

1.1. - Velocidade.

1.1.1   De Deslocamento.

- Indispensável para o atleta se posicionar corretamente nos pontos estabelecidos na estratégia defensiva;

- Fundamental para a chegada, a tempo, em pontos em que as bolas são atacadas.

1.1.2.  De Reação

- Requerida para reagir à velocidade das trajetórias das bolas atacadas, sobretudo as cortadas mais potentes.

1.1.3.  De Movimentos

- Essencial para adequar-se às trocas de direção (bastante comuns) das bolas atacadas.

 

1.2 – Flexibilidade;

A fim de executar diversos movimentos requeridos para a defesa de inúmeros tipos de ataque, como por exemplo:

- Flexão total das pernas;

- A Fundo à Frente;

- A Fundo Lateral;

- Flexão do tronco sobre a bacia;

- Rotação do tronco sobre a bacia;

- Etc.

 

Tais qualidades físicas são adquiridas ou melhoradas em sessões da preparação física e no treinamento técnico individual. Daí a importância do Planejamento Global em que umas atividades complementam outras. Por exemplo:

- a Preparação Física contribui para a execução dos Fundamentos da Técnica Individual;
           
- o Treinamento Técnico Individual contribui para a aquisição de Valências Físicas Específicas e desempenho das Funções T áticas;

- a Preparação Tática Coletiva contribui para a melhoria das Capacidades F ísicas e T écnicas Individuais.

 

Feita esta introdução, vamos ver as Características do Treinamento Tático Coletivo.

 

- Características das Sessões do Treinamento Tático Coletivo.

A fim de se alcançar todos os objetivos propostos, de se dar a maior objetividade possível ao treinamento e de se obter máximo aproveitamento para com o mesmo, alguns cuidados são importantíssimos. Treinador, seus colaboradores, atletas da dupla em treinamento, e atletas da dupla oposta devem estar atentos para alguns fatores de suma importância para o sucesso de cada sessão do treinamento.

1 - Ênfase para com a importância da cooperação que deve existir entre todos os jogadores envolvidos no treinamento com vistas ao alcance do objetivo final; a construção de estratégias e táticas consistentes.

É muito comum alguns jogadores pensarem, no decorrer de um jogo, que podem “resolver” sozinhos, quer no bloqueio quer na defesa. Comportam-se como se estivessem numa “bolha”. Pensam, exclusivamente, em suas performances. No voleibol moderno isso não é mais possível nem tolerável:

O bloqueio, por exemplo, pode ser e pode não ser uma ação final: bloqueio ponto; bloqueio nada. A defesa, da mesma maneira, pode ser perfeita, na qual a bola é enviada para a zona de levantamento, ou parcial, em que a bola continua em jogo. É necessário que todos os jogadores se conscientizem da importância de cada qual para o produto final; o sucesso da estratégia.

No treinamento técnico individual o bloqueio e a defesa são praticados, de modo estanque, tendo em vista a capacitação individual para executar as funções do jogo. No caso, o atleta treina a ação-sucesso.


No treinamento tático, não. Trabalha com mais objetivos.

No bloqueio:

- marcar pontos;

- diminuir a velocidade da trajetória da bola e propiciar um contra-ataque;

- ser uma referência para o jogadore da defesa (JD).

Os dois últimos itens podem resultar em contra-ataque e, conseqüentemente, em ponto.

Na defesa:

- impedir que a bola não toque o chão, que fique em jogo;

- o amortecimento do impacto das bolas (atacadas com cortada potente) e o domínio das mesmas (nos demais ataques) enviando-as para a zona de levantamento e, na continuidade, a realização do contra-ataque.

O bom aproveitamento com os treinamentos táticos coletivos melhora também performances individuais. Por conseguinte, no aumento da contribuição de cada qual pode dar para a eficiência das estratégias e táticas. Cabe ao treinador empenhar-se para que os jogadores se conscientizem de suas importâncias tendo em vista a consistência do conjunto.

 


 

2 - Ênfase para com a aquisição do Discernimento Tático Individual.

Pelo exposto no item anterior, é dever do treinador para com seus atletas:

- procurar interessá-los em adquirirem o discernimento tático individual fundamental para o desempenho de suas funções, quer no bloqueio quer na defesa e quer no contra-ataque;

- chamar atenção para o encadeamento que existe entre as funções - bloqueio e defesa - para o sucesso da ação defensiva;

- empenhar-se para que entendam os porquês de cada ação, de cada procedimento, de cada procedimento individual.

http://www.justvolleyball.com.br/lampada.JPG Nota

Os atletas devem fazer de tudo para entender os raciocínios, as informações, as correções, enfim, tudo que possa contribuir para que possam tomar decisões no decorrer de um jogo. Decisões que, de modo geral, devem ser baseadas no entendimento deles próprios acerca do que ocorre no próprio jogo. Por exemplo, diante das características dos adversários e em determinados momentos do jogo, diria, cruciais. Devem entender, acima de tudo, que treinamento não é apenas praticar por praticar.

 


 

3 - Atmosfera de Absoluta Concentração.

Um dos fatores da maior importância para obtenção do maior aproveitamento possível com o treinamento é o expediente com o qual treinadores, auxiliares e atletas se comportam ao longo do mesmo. A fim de conseguir máxima concentração de todos ao longo de todas as sessões de treinamento, sugiro a observância de alguns itens como prática cotidiana em cada sessão.

A - Apresentação dos Conteúdos dos Exercícios – exercício por exercício.
O treinador deve, na medida do possível, apresentar a dinâmica de cada exercício, esclarecer os procedimentos de cada jogador durante os quais e estabelecer os objetivos a serem alcançados.

 

http://www.justvolleyball.com.br/lampada.JPG Nota

Sugiro a utilização de todos os meios áudios-visuais existentes para a exposição dos conteúdos. Isto é, vídeos, slides, etc. Com o mesmo, é possível desenhar as maneiras com as quais ataca a dupla adversária, a movimentação e as características de cada atacante, etc.

Nesta ocasião é possível especificar as atribuições de cada qual e estabelecer os objetivos a serem alcançados.

O treinamento começa, diria, na “aula”, antes dos jogadores entrarem na quadra. Creio que o método não custa muito, pode ser feito por qualquer treinador, em qualquer lugar.

 

B - Acompanhamento da Execução – Compromisso com o acerto da Ação Defensiva como todo.

Não basta aos jogadores-bloqueadores (JB) e jogadores-defensores (JD) fazerem apenas suas partes. Ambos devem contribuir para o sucesso da ação defensiva. Quer fazendo sua parte, quer orientando o companheiro, quer tomando iniciativas. Enfim, ambos têm algo para contribuir. Primeiramente na concepção, depois na sua própria execução e na execução dos companheiros. Sua participação, na execução propriamente dita é o ponto de partida da ação defensiva. Devem cumprir com suas atribuições:

- tentar o bloqueio da bola para obter o ponto;

- ocupar determinado espaço para impedir a passagem da trajetória da bola.

Depois, preocupar-se com a continuidade do jogo. Por exemplo, diante de um ataque em que a bola passa pelo seu bloqueio, existe a possibilidade ainda da defesa. No caso desta:

- empenhar-se para realizar o levantamento.

- deslocar-se para cobrir o ataque.

O sucesso da ação defensiva resulta na concretização do contra-ataque. Imbuídos em alcançar este objetivo, a dupla estará treinando várias funções em um mesmo exercício.

 

C - Avaliação - criteriosa - da Execução.

Após a execução de cada ação cabe uma avaliação. Diante do sucesso, elogios. No caso de insucesso, a identificação e correção do erro. No bloqueio, na defesa, no levantamento e no ataque. Diferenciar a natureza do erro; técnico ou tático. O que deve ser corrigido.
Enfim, a avaliação da execução é extremamente importante para que os atletas sejam despertados para a necessidade de entenderem – discernimento tático-individual – o jogo, de modo global.

 

 

http://www.justvolleyball.com.br/lampada.JPG Nota

Recomendo – com toda ênfase – a utilização da avaliação escrita. Existem aplicativos sofisticados que são largamente utilizados por duplas de alta competitividade, de modo geral, nos jogos. Todavia o acompanhamento estatístico deve e pode ser feito também nos treinamentos.

Não é difícil construir uma planilha simples na qual se pode registrar o desempenho/aproveitamento técnico individual dos jogadores. Nesta, devem constar os seguintes itens.

Sucesso – Bloqueio direto ou Contra-Ataque que resulta em ponto;

Erro – no bloqueio, na defesa, no levantamento ou no ataque.

Ao final do treinamento o treinador faz a avaliação e pode ter a avaliação estatística como meio auxiliar para a mesma.

A seguir, um exemplo de planilha para avaliação estatística, que pode ser feita por todo mundo e adotada nas sessões de treinamento tático.
Nesta, um espaço para as ações bem sucedidas que resultam em ponto; pode ser por meio do bloqueio direto ou pelo ataque, ação final da transição (contra-ataque). Um espaço para apontar o erro; se no bloqueio, na defesa, no levantamento ou no ataque. Na linha final a soma dos itens e relativo aproveitamento.

 

Ação #

Sucesso

Erro

Apv

 

Blq

Atq.

Blq

Def

Lev

Atq

%

1

x

 

 

 

 

 

 

2

 

 

 

X

 

 

 

3

 

 

 

 

x

 

 

4

 

 

 

 

 

x

 

5

 

x

 

 

 

 

 

6

 

x

 

 

 

 

 

7

 

x

 

 

 

 

 

8

 

x

 

 

 

 

 

9

 

 

 

x

 

 

 

10

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tot.

2

3

1

2

1

1

60

 


 

4 - Compromisso de todos – jogadores da dupla em treinamento, dupla oponente e colaboradores – para com o nível da sessão de treinamento.

Aspecto da maior importância. É bastante comum colaboradores do treinador e jogadores da equipe oponente participarem do treinamento sem a devida responsabilidade para com os objetivos a serem alcançados. Não se empenham, cometem erros bisonhos, falam, brincam, enfim, não se dão conta da importância de suas participações.
O bloqueador só será bom se empenhar-se para neutralizar um bom atacante. O defensor só será bom se praticar contra bons atacantes. Ou seja, o bom nível do treinamento depende de todos e é componente fundamental para o alcance da competitividade almejada.

 

Recursos e Meios Auxiliares para a Realização das Sessões de Treinamentos Táticos-Coletivos.

Partindo do pressuposto de se cercar de todos os recursos disponíveis, creio ser útil sugerir alguns meios auxiliares que podem enriquecer as sessões do treinamento tático coletivo.

- Dupla Oponente com Levantador e Atacante hábeis e precisos.

O treinador seleciona, por exemplo, uma ação de ataque a fim de que a dupla em treinamento pratique a estratégia defensiva correlata. Os levantadores e os atacantes que executarão a mesma devem ser hábeis e precisos. Nada, absolutamente nada, dissipa mais a concentração dos jogadores do que os erros sucessivos.
A dinâmica do treinamento deve ter em vista a repetitividade das ações. Ou seja, a equipe oponente executa a combinação e a equipe em treinamento empenha-se para neutralizá-la. Conseguindo ou não, a ação sucessiva deve começar imediatamente. Agora, vamos imaginar a cena. A bola entra em jogo e a equipe oponente erra; erros na recepção do saque, no levantamento, no ataque (para fora, na rede, etc.). Uma vez ou outra é uma coisa; sucessivamente, quebra a seqüência da sessão do treinamento. O ideal é que a bola fique em jogo o maior tempo possível, que ocorram várias e várias transições por ambas as equipes.

- Arbitragem em todas as sessões de treinamento.

O apito, ainda que pareça dispensável, é instrumento formidável. Disciplina a atividade. O treinador ou um colaborador autoriza e finaliza as ações. Marca as infrações. Adverte por ocasião de atitudes impertinentes à atmosfera da sessão, etc. Enfim, contribui e muito para manter o expediente de disciplina e de cumprimento das regras no decorrer da prática, o que simula a atmosfera característica de um jogo.

- Marcadores e Índices.

O treinamento tático coletivo, como veremos na apresentação dos exercícios, é composto por módulos. Estabelecer índices, metas, etc, contribui para o aumento da concentração geral. Por exemplo, sets de x pontos, tarefas de y pontos, etc. Esse tipo de atividade desperta a competitividade dos atletas em treinamento. A fim de que o treinador e os jogadores acompanhem as contagens, é aconselhável a colocação de um placar em local bem visível. Além dessa vantagem, existe a de evitar discussões, confusão e, conseqüentemente, quebras de concentração.

- Material áudio-visual para exposição dos conteúdos e avaliação da execução do treinamento.

Como mencionado anteriormente, existem meios altamente sofisticados (diapositivos, vídeos, etc). Meios mais simples, como o quadro-negro. O mais importante é que os atletas visualizem as ações que serão realizadas na sessão do treinamento. Que tenha oportunidade, antes de realizá-las, de tirar dúvidas, sugerir alternativas, etc.
Segundo o brilhante especialista no método Domínio e Orientação da Mente (DOM), Evandro Mota, uma ação mentalizada será muito melhor executada na prática propriamente dita. A questão é justamente esta: propiciar a oportunidade aos atletas de mentalizarem o que farão momentos depois.

 

http://www.justvolleyball.com.br/lampada.JPG Nota

Um ex-treinador da seleção chinesa feminina de voleibol de quadra, na década de 80, utilizava para este fim cartas de baralho sobre uma mesa. Alguns outros treinadores usavam botões. Enfim, nem todos os treinadores dispõem de meios sofisticados como os treinadores de equipes de alto nível. Mas podem criar outros meios, mais simples, que não custem tanto dinheiro. O importante é entender a importância do método e utilizá-lo como prática comum.
  

- Material para Avaliação Objetiva.

A avaliação do treinador tem peso preponderante; óbvio. Ele deve externá-la após a execução de uma ação – elogio ou correção. Após um módulo da sessão. E ao final do treinamento: é indispensável.

Considero extremamente importante, também, a avaliação objetiva. Uma folha de papel e uma planilha simples, como a apresentada anteriormente. Basta que contenha mais alguns itens. Por exemplo.

1 - Número de Ações – indispensável para o cálculo do aproveitamento:

no de ações certas x 100 / no de ações.

2 - Número de Ações Certas

- corresponde ao contra-ataque acertado em que a bola “morre”.

3 - Número de Ações Erradas:

- erro técnico; decorre de falha no bloqueio, na defesa, no levantamento, no ataque.

- erro tático; o jogador não consegue o acerto, por exemplo, em virtude de estar posicionamento incorretamente.

Na Planilha a seguir, exemplo da disposição dos itens. Nos referentes ao bloqueio, a defesa, ao levantamento e ao ataque há uma diferenciação entre o erro técnico e o tático. É fácil de ser feita e pode ser utilizada por qualquer treinador, independentemente do nível de competitividade de sua equipe.

 

Ação #

Ações Certas

Ações Erradas

Aprv

 

 

Blq

Def

Lev

Atq

em %

 

 

Err Tec.

Err Tát.

Err Tec.

Err Tát.

Err Tec.

Err Tát.

Err Tec.

Err Tát.

 

1

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4

 

x

 

 

 

 

 

 

 

 

5

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

6

 

 

 

 

 

x

 

 

 

 

7

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

8

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

9

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

10

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

11

 

 

x

 

 

 

 

 

 

 

12

 

 

 

 

x

 

 

 

 

 

13

 

 

 

 

 

 

X

 

 

 

14

 

 

 

 

 

 

 

 

x

 

15

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

16

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

17

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

18

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

19

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

20

x

 

 

 

 

 

 

 

 

 

21

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

22

 

 

 

x

 

 

 

 

 

 

23

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

24

 

 

 

 

 

 

 

x

 

 

Tot

12

1

1

2

2

1

1

3

1

50

 

Com a sucessão de sessões de treinamentos, táticos individual, os dados poderão ser compilados e darem origem ao um banco de dados, com gráficos, etc. É uma orientação válida para treinador e atletas; um elemento que contribui para o aumento da motivação.

 

http://www.justvolleyball.com.br/lampada.JPG Nota

Como mencionado antes, existem mil e uma planilhas muito mais rebuscadas. A intenção para com este exemplo é a de mostrar que é instrumento possível a todos.

 

Continuação com Sequências de Exercícios para Consolidação das Estratégias / Táticas Defensivas

 

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