Estratégias / Táticas - Art. 84
- Defesa
- Funções que Sucedem a Defesa.
- Ataque após o Toque da Bola no Bloqueio - continuação do artigo 83.
Dando continuidade aos artigos 82 e 83, vamos apresentar os procedimentos dos jogadores para a executarem ação que sucede a defesa. O Ataque depois do Toque da Bola no Bloqueio. Agora, com a mesma sendo levantada do Terço Final da Quadra; uma das mais complicadas situações de jogo do vôlei de praia.
- Bola que toca no Bloqueio e é levantada do Terço Final da Quadra, entre JB e JD.
A bola que toca no bloqueio e se dirige para o fundo da quadra é, sem dúvida, a situação de jogo mais complexa. Depende muito do Jogador-Levantador (JD). A grande dificuldade: a distância longa entre o ponto do levantamento e o ponto do ataque. Atenua um pouco: JD está mais próximo do ponto do levantamento. O sucesso depende e muito da sua capacidade técnica individual para executar o levantamento tão distante e trajetória com ângulo tão agudo. Nos procedimentos do mesmo vamos abordar sua atribuição com maiores detalhes.
Nos diagramas a seguir, a movimentação dos jogadores na parte direita da quadra.
- Procedimentos de JB.
1 - Sair do bloqueio e recuar o máximo possível tendo em vista obter espaço para fazer a aproximação final, pelo menos possível, para o ataque.
2 - Na medida do possível, e mais do que em qualquer outra ocasião, recuar diagonalmente para o centro da quadra e até cerca de 3 m de distância da rede, a fim de propiciar ângulo propício ao levantamento e obter espaço para uma boa aproximação.
3 - Aguardar o levantamento.
4 - Partir para o ataque e, considerando o grau de dificuldade para a execução do levantamento, preparar-se para receber bolas de difícil ataque. O expediente deve ser:
a - evitar erros, na pior das hipóteses atacar com graduação da potência e visar o fundo da quadra;
b - evitar ataques óbvios, como por exemplo reto, na diagonal, e no meio da quadra.
c - golpear a bola no ponto mais alto possível a fim de poder desferir todos os meios de ataque;
- Procedimentos de JD.
1 - Deslocar-se com máxima velocidade a fim de tentar se posicionar adequadamente para a execução do levantamento.
2 - Adequar o tempo do levantamento de acordo com o posicionamento de JB; pronto, levantamento habitual; em dificuldade, atrasar oa execução.
3 - Adequar a altura e a proximidade, em relação à rede, da bola a fim de facilitar a terefa do companheiro.
Como é levantamento com alto grau de dificuldade, JD tem que arriscar. Não pode temer o erro. Por exemplo:
- levantar a bola fora da rede; o ataque por meio de cortada torna-se inviável e/ou muito fácil de ser defendido;
- levantar a bola muito próxima da rede; facilita o bloqueio do adversário;
- livrar-se da bola, isto é, devolver para JB (sem possibilidade de ataque por meio de cortada), a fim de que este passe a bola para o lado do adversário.
A fim de realizar um bom levantamento, JD de observar alguns aspectos de fundamental importância.
1 - Ter a capacidade de executar o levantamento com a manchete, de algumas maneiras. Por exemplo:
a - lateralmente em relação ao alvo;
b - de costas, em relação ao alvo;
c- lateralmente o de costas apoiando-se em apenas uma das pernas;
d - lateralmente ou de costas com o corpo em suspensão;
2 - Ter o discernimento tático individual, obviamente associado à capacidade técnica, a fim de observar alguns aspectos relacionados à trajetória do levantamento. Por exemplo:
a - considerar as condições ambientais, sobretudo direção do vento;
b - a bola tem que sair da sua manchete muito para o alto, de maneira que chegue ainda alta rede;
c - não abrir o ângulo da trajetória;
Vamos raciocinar tomando como exemplo a pior das hipóteses; a bola que toca no bloqueio e JB não pode recuar da rede para ponto em que possa fazer uma boa aproximação para o ataque.
Repare na figura, uma visão do alto. A ação no de JB e JD. Não deve - de modo algum - exceder estes limites. À esquerda, é a pior trajetória; pois invibializa qualquer tipo de ataque (seta em vermelho com X mais forte). Á direita dificulta lado esquerdo e no lado direito da quadra. O levantamento é executado do terço final da quadra, entre JB e JD. Os pontos em que estão JB, para a aproximação final para o ataque, e JD, para executar o levantamento. As linhas tracejadas em preto representam os prolongamentos de seus pontos em relação à rede.
Na fig. 1, a representação do levantamento na parte esquerda da quadra. A trajetória da bola levantada (em azul claro) deve ter como alvo o colchete azul claro na rede. A trajetória da bola deve ser entre os prolongamentos dos pontos. Não deve exceder esses limites, pois dificulta bastante; JB vai, diria, correr na direção da bola apenas a fim de passá-la para o lado do adversário.
Na fig. 2, a ação na parte direita da quadra. É o inverso. A bola que ultrapassa á direita inviabiliza qualquer tipo de ataque (seta e X em vermelho mais forte); à esquerda fica muito fora do alcance de JB (seta e X em vermelho mais claro).
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Nas figuras 3 e 4, a situação mais complexa ainda. O levantamento em que JD o executa da linha lateral. A pior das hipóteses: JB recua o que for possível.
Repare que o ângulo das trajetórias, da bola levantada, é mais fechado ainda. O alvo, muito mais estreito. Isto é, tomando-se com base o prolongamento do posicionamento de JB após o recuo (linha vertical tracejada em preto), é uma faixa de cerca de 2 metros; 1 metro à sua esquerda, 1 metro à sua direita.
Em ambos os lados da quadra, esquerdo (fig. 3) e/ou direito (fig.4):
- passando à esquerda, inviabiliza o ataque; o atacante atacará uma bola que está saindo de seu alcance. Mesmo alcançando-a estará completamente fora de seu eixo.
- passando à direita, menos mal, dificulta muito, mas ainda é um ataque possível; o atacante vai para uma bola que também está saindo se seu alcance, mas com mais jeito.
Nas duas metades coloco, em azul clarinho, o recuo ideal. Atenua um pouco a dificuldade. O ângulo torna-se mais aberto e, por conseguinte, facilita a tarefa de ambos. JD, para o levantamento; JB, para o ataque.
Nota
1 - Os exemplos apresentados valem para jogadores destros; no caso de canhotos as observações - todas - são rigorosamente o contrário.
2 - Pelo exposto, o Jogador-Bloqueador, na parte direita da quadra, deve evitar recuar diagonalmente saindo da quadra pela linha lateral, como é possível se fazer na movimentação na parte esquerda da quadra.
3 - Quando me refiro à bola fora do eixo, significa um aspecto técnico individual. Nas figuras a seguir, uma tentativa de explicar. A linha vertical, tracejada, representa o eixo do corpo do atacante. As bolas numeradas, pontos em que podem ser atacadas.
Bola 1: é o ponto correto. Pode ser atacada para ambos os flancos da quadra adversária com igual facilidade.
Bola 2: o ataque para esquerda é mais fácil, todavia, praticamente inviável para a direita.
Bola 3: o contrário, isto é, mais fácil para a direita, mas inviável para a esquerda.
Nada é impossível. O atacante pode contrariar o que está colocado e, ainda assim, conseguir um bom ataque. Porém, trata-se de um fator limitante. No confronto com bons bloqueadores experientes, do tipo daqueles que olham para o atacante (ao invés de ficarem com olhando para a bola), com toda certeza, encontrará extrema dificuldade para obter sucesso.
É muito comum, mas muito comum mesmo os Jogadores-Bloqueadores sairem do bloqueio e ficarem torcendo:
a - para que o companheiro alcance a bola;
b - nos caso em que a bola se dirige para o fundo da quadra, torcem para que o companheiro alcande a bola e a devolvam para ser colocada em jogo, por meio de uma manchete.
- Conclusão.
O expediente de proceder das maneiras mencionadas neste artigo e nos anteriores (82 e 83), para ambos os jogadores, é adquirida com muito treinamento. Primeiramente, Técnico Individual. Muita gente acha que basta saber executar uma manchete para levantar qualquer bola. Assim como tem muita gente que acha que basta saber dar uma cortada para poder atacar qualquer tipo de bola. Não é bem assim.
Os levantamentos, nas situações de jogo apresentadas nos três artigos (82, 83 e neste) são extremamente complexos. O jogador tem ter capacidade técnica para executá-los por todos os tipos de manchete: de frente; de costas e lateralmente - os três em relação ao alvo. Também, de todas as maneiras: com os pés no chão; com o corpo agachado e com um dos joelhos no chão. No treinamento técnico individual a manchete é aprendida, aperfeiçoada e aplicada nas mais diversas situações que os jogadores encontram no jogo. Repetindo, não basta saber fazer uma manchete.
Os ataques, também são executados em circunstâncias dificílimas. Ou seja, com levantamentos vindos de diferentes pontos da quadra: à frente, ao lado, de trás e das costas. Também, com diferentes tipos de trajetórias da bola: baixa; muito alta, muito afastada da rede, muito próxima da rede; curta, muito alongada, etc. Ou seja, é alta a probabilidade de levantamentos imperfeitos. Sem querer ser repetitivo, no treinamento técnico individual a cortada e os demais meios de ataque são aprendidos, aperfeiçoados e, sobretudo, aplicados de maneira prepará-lo para as diferentes as mais diferentes e complicadas situações de jogo que, com certeza, ocorrerão.
Uma vez capacitados tecnicamente, o outro item fundamental do treinamento global é o Tático Individual. Isto é, a prática específica das situações de jogo com ambos os jogadores. Por exemplo, levantamento de ponto X, para o ataque no ponto da rede Y, por meio do golpe Z. Na sessão deste tipo de treinamento devem ser exercitadas todas as possibilidades de levantamento e de ataque; todas mencionadas nos três artigos que trataram do assunto.
Na sequência, o treinamento Tático Coletivo. É a oportunidade de colocar em prática os procedimentos, de ambos, com a participação de dupla oponente. É modo mais aproximado da realidade do jogo. Ocasião em que os atletas e o treinador podem verificar o aproveitamento dos treinamentos citados acima. E, obviamente, a eficiência com quais os jogadores estão se portando diante de tão complexas situações de jogo.
Importante: o treinador deve simular, por exemplo, uma das situações de jogo. A bola entra em jogo pela mesma. Um exemplo. O treinador, no fundo da quadra, alça uma bola no terço médio da quadra, entre as linhas de JB e JD. Ato contínuo, JB sai do bloqueio e JD parte para o levantamento. O treinador pode adotar o modo interrompido, ou seja, a ação termina com o ataque - inicialmente é mais apropriado. Ou, o modo contínuo, isto é, no caso da dupla oponente conquistar a posse da bola, o jogo continua até que a mesma "morra" - melhor na medida em que os jogaodres adquirem maior desembaraço.
Continuando. Quando ocorre o toque no bloqueio, deve haver tipo um disparo automático. Com máxima velocidade. De maneira que os jogadores se encontrem nos pontos convencionados; já é um bom começo. Daí, entra a parte da execução propriamente dita das funções de cada qual. JD, no levantamento; JB, no ataque. O sucesso na execução, como todo, resultará da capacidade tática individual - saber o que fazer - e da correta execução técnica individual.
A fim finalizar, chamo atenção para um fato muito comum. Muitos atletas não se dão conta da importância do treinamento desta função, que ocorre com elevada frequencia. E, por isso, não se dispõem a treinar com o envolvimento apropriado. Estes, são aqueles aos quais me referí no início desta conclusão; ficam torcendo!
Nos próximos artigos abordaremos o Treinamento de Tático Defesa
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