Estratégias / Táticas - Art. 65 C

Estratégias / Táticas – Defesa.

3 - Funções que Antecedem a Defesa.

- Bloqueio.

 

O Bloqueio é fundamental para o sucesso da Ação Defensiva. Tem como objetivos:

- A Marcação de Pontos;

- Diminuir o espaço para a passagem da bola;

- Servir como ponto de referência para o posicionamento do Jogador-Defensor (JD).

No Menu Técnica Individual, do artigo 43 ao 58 (clique no primeiro da série), o Bloqueio está focalizado, de modo detalhado. O Fundamento, os Tipos de Bloqueio, Qualidades indispensáveis ao Bloqueador, além de várias Sequências de Exercícios para a Aprendizagem e o Aperfeiçoamento da Técnica Individual.

O item mais importante para a execução da Estratégia Defensiva é o que aborda os Pontos de Referência. São referências que o bloqueador deve adotar para se posicionar no momento em que salta, tendo em vista:


- interceptar a passagem da bola;

- obstruir a passagem da bola para determinada zona da quadra, não coberta pelo defensor.

Ou seja, ele deve se posicionar tomando como base pontos de referência. O Jogador-Bloqueador (JB) acompanha o atacante, olhando-o fixamente, desde o momento em que este recepciona a bola ou realiza a defesa. Destes pontos, o atacante faz:


- a Primeira Aproximação, do ponto em que recepcionou o saque ou realizou a defesa, até o momento do levantamento;

- a Aproximação Final, as passadas que antecedem o salto para o ataque.

Vimos que desde o momento em que o atacante recepciona ou defende, o bloqueador começa a raciocinar o que fará. Alguns elementos são importantes, ou seja:

- o ponto da quadra em que a recepção é feita;

- o ponto em que a bola é passada e, conseqüentemente, o ponto da quadra em que a bola é levantada;

- o afastamento/aproximação da bola em relação à rede, assim como a altura em que a mesma é levantada;

- a maneira pela qual o atacante faz a primeira e última aproximações;

- o salto do atacante;

- os movimentos do tronco e dos braços.

Todos estes elementos podem influir na decisão do bloqueador e determinar onde, como e de que maneira fará o bloqueio. O momento final do ataque (o salto e os movimentos do troco e dos braços) podem propiciar os elementos importantes para a tomada da decisão. É o momento em que o bloqueador deve adotar pontos de referência. Vamos a eles.


Nota


O expediente de olhar fixamente para o adversário (as aproximações, o salto, os movimentos dos tronco e dos braços) não impede o bloqueador de olhar para a bola. É uma questão de treinamento. Olhar fixamente para a bola, como muitos apregoam, impede toda a avaliação mencionada. Com o treinamento, o bloqueador adquire a visão global de tudo que está ocorrendo, momentos antes do ataque e no exato momento do golpe.

 

Nas figuras 1 e 2 a seguir, uma representação gráfica, a fim de exemplificar e facilitar a compreensão do que se segue. Um corte da rede em duas porções.

Na fig. 1, a parte da mesma que corresponde a entrada da rede, sob a visão do bloqueador (saída da rede para a dupla adversária).

Na fig. 2, o corte que corresponde à saída da rede, sob a visão do bloqueador (entrada da rede para a dupla adversária). As linhas em verde, em ambas as figuras, significam o braço direito (BE), o corpo (CO) e o braço esquerdo (BE).

 

 

- Pontos de Referência para o Bloqueio.

 

1 - O Braço de Preferência do Atacante.

Quando o bloqueador toma este ponto de referência, significa que ele se posicionará para saltar no bloqueio rigorosamente na frente do braço do atacante. Se o atacante for destro, no braço direito; se for canhoto, no braço esquerdo. O procedimento é recomendável para o bloqueio de atacantes exímios no ataque em determinadas direções. Por exemplo: na saída da rede, para a paralela; na entrada da rede, para a diagonal. Nestes casos o bloqueador tenta impedir a primeira opção do atacante.

 

2 - O Corpo do Atacante

Quando o bloqueador toma este ponto de referência, significa que ele se posicionará rigorosamente na frente do corpo do atacante. De modo geral, a fim de obstruir o espaço que o atacante utiliza como segunda opção. Por exemplo: o atacante que ataca na saída da rede com maior eficácia para a paralela (segunda opção para a diagonal); na entrada da rede para a paralela (segunda opção para a diagonal).

Nota

Muitos bloqueadores exageram no posicionamento para o bloqueio da segunda opção. Por exemplo: saída da rede, para a diagonal; na entrada, para a paralela. De que maneira? Na saída, ficam à direita do corpo do atacante; na entrada, ficam à direita do corpo dos atacantes. Isso não é bom. Na saída, deixam grande espaço para qualquer golpe, até para atacantes com pouca habilidade; na entrada, deixam muito espaço para o ataque na diagonal, também, até para atacantes não especialistas.

 

3 - A Bola.

Quando o bloqueador toma como ponto de referência a bola, significa que ele se posicionará rigorosamente na frente da mesma, no momento em que o atacante desfere o golpe.

Com o procedimento de adotar pontos de referência o bloqueador está apto para:

- interceptar a bola e/ou, na melhor das hipóteses; marcar o ponto;

- obstruir a passagem da para determinada zona da sua própria quadra.

- diminuir a angulação que o atacante precisa para desviar a bola do bloqueio.

 

A seguir, serão apresentados, um a um, os pontos de referência.

 


 

- Pontos de Referências - Braço e Corpo do Atacante

- Ataque na Saída da Rede da Equipe Adversária.

- Braço de Preferência (direito) do Atacante


No diag. 1, o bloqueador postado em frente do braço direito do atacante. No caso de ataque na paralela (retângulo em laranja), é grande a probabilidade de sucesso com o bloqueio (ponto ou amortecimento da bola para a defesa). A bola atacada na diagonal encontrará o jogador de defesa (JD) posicionado para tentar a defesa (linhas tracejadas em laranja).

Corpo do Atacante.


No diag. 2, o bloqueador postado em frente ao corpo do corpo do atacante. No caso, a passagem da bola atacada para diagonal está obstruída (triângulo em laranja); a defesa da bola direcionada para a paralela é atribuição do jogador de defesa (JD, linha traceja em laranja).

 

Nota


- Quando o atacante utiliza o braço esquerdo, o bloqueador deve postar-se em frente do braço esquerdo, a fim de obstruir a passagem da bola para a diagonal; na frente do corpo, para obstruir a passagem da bola para a paralela.

 


 

-Pontos de Referências - Braço e Corpo do Atacante

- Ataque na Entrada da Rede da Equipe Adversária.

 

Braço de Preferência (direito) do Atacante

No diag. 4, o bloqueador postado em frente do braço direito do atacante. No caso de ataque na diagonal (triângulo em laranja), é grande a probabilidade de sucesso com o bloqueio (ponto ou amortecimento da bola para a defesa). A bola atacada na paralela encontrará o jogador de defesa (JD) posicionado para tentar a defesa (linhas tracejadas em laranja).

Corpo do Atacante

No diag. 3, o bloqueador postado em frente ao corpo do corpo do atacante No caso, a passagem da bola para a paralela está obstruída (retângulo em laranja); a defesa da bola direcionada para a diagonal é atribuição do jogador de defesa (JD, linhas tracejas em laranja).

 


Nota


Quando o atacante utiliza o braço esquerdo, o bloqueador deve postar-se em frente do braço esquerdo, a fim de obstruir a passagem da bola para a paralela; na frente do corpo, para obstruir a passagem da bola para a diagonal.

3 - A Bola

O bloqueador posicionando-se defronte da bola, diminui o espaço (angulação) que o atacante dispõe para evitar o bloqueio. Mas, por outro lado, pode propiciar espaço para que o atacante desfira seus golpes, tanto para a diagonal quanto para a paralela, com igual facilidade.


É uma opção boa para bloqueadores que possuem grande estatura e impulsão. Com isso, conseguem invadir com os dois braços o espaço da quadra adversária e aproximar-se ao máximo o ponto em que a bola é atacada.


Nos diagramas a seguir, à guisa de ilustração, é possível fazer uma comparação. No diag. 5, o bloqueio (retângulo em amarelo) está mais próximo da bola. Repare que a angulação para colocar a bola é bem menor do que no diag. 6, que a bola está mais afastada do bloqueio.


É bem verdade que o ataque com a bola mais próxima da rede é mais para baixo, portanto, menos defensável. Todavia, a probabilidade de sucesso com o bloqueio, em contrapartida, aumenta bastante.

 

 

Nota

A opção de ter como ponto de referência a bola, não significa que o bloqueador não tenha que observar procedimentos precedentes, isto é:

- acompanhar as aproximações do atacante (desde a recepção ou da defesa);

- o salto;

- os movimentos do tronco e dos braços.

Isso tudo não impede que ele mantenha, o tempo todo, a bola sob seu campo visual. Muito pelo contrário, proporciona elementos para tomada de decisões, ou seja: o ponto em que deve saltar, o tempo de bloqueio, etc...

 

- Símbolos / Códigos vinculados aos Pontos de Referência.

Como mencionado no artigo anterior, relativo aos Posicionamentos Defensivos, as duplas de alta competitividade possuem códigos para sinalizar suas intenções, diante de determinadas situações de jogo. Por exemplo, no Ataque os código são orais:

- Linha / diagonal;

- Corredor / Paralela;

- 1 e 2, etc.

No Bloqueio, são visuais. O bloqueador sinaliza com os dedos o procedimento que irá adotar, isto é.

O bloqueador sinaliza com os dedos:

- da mão direita o que pretende adotar para o bloqueio do atacante que está a sua direita, na quadra adversária (atacante da entrada de rede)

- da mão esquerda, o que pretende adotar para o bloqueio do atacante que está à sua esquerda, na quadra adversária (atacante da saída da rede).

O código mais usado:

1 - Com os dedos.

1. 1 - Dedo indicador sinalizando o número 1: bloqueio fechando a bola atacada na paralela.

1. 2 - dedo indicador e médio sinalizando o número 2: bloqueio fechando a bola atacada na diagonal.

 

2 - Com as mãos.


2.1 - Punho Cerrado: significa que o bloqueio tomará a bola como ponto de referência.

2.2 - Mãos Abertas: significa que o bloqueador não vai saltar tudo; no caso, é grande a probabilidade do mesmo sair do bloqueio para a defesa; manobra "reco-reco".

Nota

Todos esses códigos são utilizados antes da execução do saque e/ou diante da conquista da posse da bola – com a defesa – pela dupla adversária. No segundo caso é mais difícil, uma vez que, é feita com a bola em jogo.

 

Concluindo. O Bloqueio é uma das funções que precedem a Defesa e a esta estreitamente vinculado. É fundamental para o rendimento da Ação Defensiva como todo. Depende de qualidades físicas, técnica individual e, para a execução das Estratégias / Táticas, e de extraordinário discernimento tático individual.


Bem executado, pode propiciar pontos e contribuir para o rendimento eficaz do Jogador-Defensor (JD). E, por conseguinte, para a consolidação do Sistema Defensivo.

Cont. no art. 66, com Posicionamentos e Zonas para Direcionamento das Bolas Defendidas.

 

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