Técnica Individual - Art. 65 - A

- Estratégias / Táticas – Defesa.

 

3 - Funções que Antecedem a Defesa.

 

Aqui no Just Volleyball, ao focalizar vários assuntos, tenho sido repetitivo no meu entendimento de que no Voleibol não existe nada estanque. Todos os fundamentos, todas as funções são vinculados uns aos outros.

O desempenho na Defesa, por exemplo, requer ao Jogador-Defensor (JD) uma série de Qualidades Individuais.

1 - Discernimento Tático Individual indispensável para adotar o posicionamento mais adequado possível.

2 - Capacidade Física indispensável que o capacite a fazer deslocamentos, com velocidade, e execução movimentos complexos, sem limitação e com velocidade.

3 - Capacidade Técnica Individual, a fim de controlar a bola atacada, por meio de todos os tipos e maneiras de execução dos fundamentos utilizados na defesa.

    
O sucesso da Ação Defensiva, como todo, resulta de funções, todas encadeadas umas as outras. Pela ordem.

- Saque, fundamental para desestruturar a construção do sistema ofensivo da equipe adversária.

- Deslocamentos rápidos para os Posicionamentos do Sistema Defensivo (Bloqueio e Defesa).

- Bloqueio, fundamental para diminuir os espaços para os ataque dos jogadores da equipe adversária.

 

Tudo isso bem coordenado aumenta e muito a probabilidade de sucesso em cada Ação e no rendimento global do Sistema Defensivo.

Neste artigo abordaremos o Saque. Nos que se seguem os Posicionamentos Defensivos e o Bloqueio, como ações que precedem e influem para um bom rendimento na Defesa.

 


- Saque

Nos artigos 48 e 49 o Saque está focalizado, de modo detalhado, em duas etapas.

1 - Meio para Marcação de Pontos, quer com “Aces” quer causando erros na recepção do adversário.

2 - Função Tática, dificultando a recepção da dupla adversária e, consequentemente, dificultando a execução das funções do Sistema Ofensivo (Levantamento e Ataque) da dupla adversária.

 

Esta segunda, Saque com Função Tática, vale recapitular aspectos importantes.

O saque dirigido com objetivos táticos visa dificultar a construção do Sistema Ofensivo do adversário, segundo as seguintes estratégias.

A - Quanto ao ponto da quadra (frente / fundo / à direita / à esquerda / no centro);

B - Quanto ao jogador que recepciona (pior atacante / melhor levantador / quebra de ritmo);

C - Quantos à circunstâncias do jogo (jogador exausto / jogador descontrolado / jogador que recebe menos - quebra de ritmo).

 

- Quanto ao Ponto da Quadra.

 

1 - Saque à Frente / Curto.

- Objetivos.

1 - Dificultar a aproximação do cortador, uma vez que este será obrigado a receber o saque e deslocar-se para trás, a fim de ganhar espaço para fazer a aproximação final.

2 – Surpreender o jogador-receptor com trajetória diferente, em relação à grande maioria, sem dúvida, do meio para o fundo da quadra.

No diagrama abaixo ao lado, coloco dois exemplos de saque curto.

- Com o J1, o saque curto perto da linha (mais distante do jogador que recepciona). Repare que ele tem que deslocar com bastante velocidade, executar a recepção, alçando a bola suficientemente alta de maneira que possa fazer um recuo, e fazer uma adequada aproximação final para o ataque.

- Com o J2, o saque curto no centro. Este, primeiramente, causa uma dúvida sobre qual dos jogadores receberá o saque. Depois, o jogador tem que recepcionar em um local distante da extremidade da rede, onde é atacada a maioria das bolas.

 

 

2 - Saque no Fundo da Quadra / Longo.

- Objetivos.

1 - Obrigar o atacante a percorrer uma trajetória mais longa e, conseqüentemente, mais estafante, desde a recepção até o local do ataque.

2 - Dificultar, em virtude dos grandes percursos a serem percorridos, as jogadas de maior velocidade, tais como as bolas mais "chutadas" e as fintas e variações.
No diagrama abaixo, dois exemplos. Com o J1, o local mais distante; com J2, no centro da quadra. Repare que dos pontos em que ambos fazem a recepção até o ponto da rede, onde geralmente os ataques são efetivados, há um longo percurso a ser percorrido.

 

 

 

Nota

- Nos finais de set, quando os jogadores podem estar exaustos, é uma opção bastante válida; e muito utilizada.

 

3 - Saque à Direita / à Esquerda (entre o Recebedor e a Linha Lateral).

 

- Entre o jogador e a Linha (cruzado e reto).

- Objetivos.

1 – Obrigar – sobretudo nas trajetórias mais rápidas – o jogador-receptor a fazer deslocamento veloz, a fim de se posicionar adequadamente, em relação à bola, para a recepção.

2 – Exigir boa técnica individual para recepção de saques em que a bola vem à direita ou à esquerda do seu corpo.

3 – Dificultar o direcionamento da bola para a Zona de Levantamento – para algumas duplas, exatamente no centro da rede.

4 - Dificultar a execução de opções de ataque mais velozes, tais como de fintas e variações. Em outras palavras, obriga o atacante, após a recepção, a atacar na extremidade da rede mais próxima.

Nos saques em que a trajetória é muito rápida (saque do tipo “Viagem”) não é nem recomendável tentar direcionar a bola para a Zona de Levantamento (no centro da rede). A primeira intenção deve ser a de amortecer o impacto da bola. De modo geral, a maneira mais fácil é a de amortecer para à frente do corpo; qualquer movimento brusco dos braços desvia muito a trajetória. Como o jogador está praticamente na linha lateral, a trajetória para frente é no terço da rede defronte (traço vertical vermelho) ao ponto em que o mesmo executou a recepção (diag. A).

A solução tática nesta circunstância é a do J2 ter a opção de atacar à frente ou às costas do J1 (linhas tracejadas em vermelho), ou seja, no terço central da rede (diag. B). Esta opção deve ser considerada e bastante treinada. Muitas vezes o espaço entre o ponto em que o levantador executa o levantamento e a extremidade da rede é muito estreito. O que dificultar o levantamento e o ataque e, em decorrência, facilitar o sistema defensivo do adversário. Afinal, essa é a proposta do saque com a finalidade tática.

 

 

 

No diagrama a seguir, exemplos do saque direcionado entre o J2 e a linha lateral. A linha tracejada em vermelho representa o saque no fundo da quadra. A verde, no terço central da quadra. A azul clara, a trajetória do saque curto.
Das três trajetórias, a do saque curto é a mais lenta. As do saque no terço central da quadra e do saque longo, de modo geral, são as mais rápidas; e que causam maior dificuldade.

 

 

 

Nota


- Esse tipo de saque causa maior dificuldade quando é executado em ponto mais próximo da linha de fundo.

 

4 - No Centro da Quadra (entre os dois jogadores).

- Objetivos.

1 - Causar dúvida entre os dois jogadores sobre quem deve fazer a recepção. Um ou outro, em decorrência da dúvida, pode partir para a recepção com algum atraso.

2 - Obrigar aos jogadores fazerem deslocamentos dos pontos em que estão posicionados para as trajetórias da bola.

3 - Causar atraso, do jogador-levantador no seu deslocamento para a Zona de Levantamento, e do jogador-atacante na sua aproxmação para o ataque.

4 - Obrigar o jogador que recepciona dar à bola um trajetória perpendicular, em relação à rede, para a zona de levantamento; o que requer grande habilidade.
No diagrama a seguir, J2 se desloca para o centro da quadra, faz a recepção e, na medida do possível, abre para receber a bola na extremidade da rede (linha tracejada em azul). A linha tracejada em vermelho representa a trajetória (perpendicular) da bola recepcionada. A setas tracejadas em verde representam o deslocamento para o ataque no terço oposto da rede. A linha tracejada em azul claro representa o deslocamento de J1 para executar o levantamento.

 

 

 

 

Nota

A linha tracejada em verde representa uma suposição: a trajetória de uma bola recepcionada com a angulação semelhante a de um saque recepcionado no lugar mais comum; repare que ela pega o levantador deslocando para a Zona de Levantamento, portanto no “contra-pé”.

 

5 - Obrigar o jogador-levantador executar um levantamento cuja trajetória da bola deva ser absolutamente perpendicular em reação à rede; é requerido por ocasião em que a bola é recepcionada do meio para o fundo da quadra e nos saque de trajetória curta.


Nos diagramas, 2 e 3 a seguir, exemplos do saque longo e do saque curto em que a bola recepcionada não chega à Zona de Levantamento; recepção imperfeita.

No diag. 2, a bola no fundo da quadra. J2 (que recepciona) não pode aproximar-se para o ataque antes da saída da bola das mãos de J1 (jogador-levantador). O procedimento correto é o de esperar a saída da bola, a fim de que possa saber para onde a bola vai ser levantada; caso saia antes, recebe a bola, praticamente, às suas costas. Esta dificuldade, muitas vezes (trajetória da bola muito baixa e/ou levantamento em que a trajetória da bola não é suficientemente alta) impossibilita a aproximação ideal para o ataque (linha curva tracejada em azul); J2 tem que fazer a aproximação perpendicularmente em relação à rede.

No diag. 3, o saque curto. As dificuldades, para o levantamento e para aproximação para o ataque, são as mesmas. Qualquer desvio na trajetória da bola (recepcionada) complica o trabalho do jogador-levantador. Da mesma maneira, o J2 (jogador-receptor). Muitas vezes, não pode recuar e abrir no sentido da linha lateral e receber a bola na extremidade da rede (linha tracejada em vermelho). Tem que recuar e fazer a aproximação de modo perpendicular em relação à rede (linha tracejada em azul).

 

 

Nota

Quando o saque é dirigido deliberadamente sobre J2, J1 pode se deslocar antecipadamente para a zona de levantamento. O direcionamento alternado do saque, nestes casos, dificulta bastante essa antecipação.

 

Outros aspectos devem ser considerados, tendo em vista causar dificuldade para a construção da estratégia ofensiva do adversário. Refiro-me a saque em um ou outro jogador adversário que pode resultar em erros ou imperfeições na recepção. 

Quanto ao Recebedor.Considerando que ambos os jogadores se equivalham na recepção, o direcionamento do saque deve ser feito segundo as opções que se seguem.

1 - Saque no Jogador Menos Capaz no Ataque.Se o atacante menos capaz recebe o saque, obviamente a possibilidade de sucesso do sistema defensivo – da equipe que saca – aumenta.

2 - Saque no Jogador mais Capaz no Levantamento. Quando os dois jogadores se equivalem na capacidade de recepcionar e de atacar, o saque dirigido para aquele que levanta melhor faz com que a levantada seja executada pelo menos capaz e, conseqüentemente, com que haja maior probabilidade de erro ou imperfeição.

3 - Quanto às Circunstâncias do Jogo. O saque pode ser dirigido também em decorrência de algumas circunstâncias constatadas no transcorrer de um jogo. Por exemplo:

a - Saque em Jogador Exausto- Em algumas ocasiões, geralmente nos finais de jogo, um jogador apresenta sinais evidentes de exaustão. Neste caso, um saque no fundo da quadra é uma grande dificuldade a ser superada, pois este jogador normalmente apresenta também um decréscimo técnico.

b - Saque em Jogador Descontrolado Emocionalmente. Muitas vezes um jogador, em virtude de erros consecutivos, discussão com companheiro, insatisfação com árbitros, "picuinha" com adversário, etc..., descontrola-se emocionalmente e torna-se suscetível a erros. Se os dois jogadores equivalem, por que não sacar no descontrolado?

c - Saque em Jogador que Recebe Menos - Quebra de Ritmo. Em muitas ocasiões o saque é dirigido deliberadamente a apenas um dos jogadores. O outro se limita ao levantamento. Ocorre muitas vezes que o jogador mais acionado ganha confiança e ritmo; em conseqüência, passa a apresentar bom aproveitamento. É um expediente válido, em momentos decisivos, tentar um saque no outro que, por estar sem o ritmo na recepção, pode encontrar dificuldade.

 

Conclusão. O saque é um fundamento / função que deve ser utilizado com inteligência, de acordo com uma tática, sem pressa, etc. considerando que, por meio dele, se pode colocar o adversário em dificuldade na execução de sua estratégia de ataque e, dessa maneira, facilitar o trabalho do bloqueio e defesa.
O saque é também um instrumento de pressão psicológica. Uma dupla que não saca bem faz com que o adversário se sinta tranqüilo, "goste do jogo" e não encontre dificuldade para marcar seus pontos.
Ao longo de todo um jogo, os dois jogadores devem ter como meta o saque positivo. Isto é, marcar os pontos com o “ace” e provocar erros de recepção e quebrar, sistematicamente, o passe do adversário.

 

Cont. no art. 65 B, com Deslocamentos para os Posicionamentos Defensivos (da defesa e do bloqueio) e Bloqueio.

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