Estratégias/Táticas - Defensiva - Art. 61

- Estratégias / Táticas – Bloqueio.

- Bloqueio – Treinamento Aplicado à Estratégia Defensiva - Parte 5.

- Seqüências de Exercícios para Aperfeiçoar a Execução das Estratégias/Táticas Defensivas.

Seqüência de Exercícios no. 5

 

- Objetivos: Bloqueio após as Transições de um Sistema para o outro: - do defensivo para o ofensivo.
                                                                                                        - do ofensivo para o defensivo.

Nesta seqüência as situações de jogo a serem praticadas assemelham-se, ainda mais, com as do jogo. Os exercícios são mais dinâmicos. Requerem todas as qualidades físicas indispensáveis à execução das funções. Requerem velocidade de percepção e discernimento tático individual para captar as alternâncias de procedimentos dos adversários. Enfim, tudo que é essencial para uma performance de alto nível.
Por isso tudo, durante toda a sessão do treinamento toda concentração é pouca. A observância de todos os procedimentos é indispensável, dos jogadores da dupla em treinamento (DT) e da oponente (DO). Além, obviamente, da boa execução dos fundamentos no desempenho das atribuições de cada qual.

 

27 – Exercícios em dois movimentos.

Movimento 1 – A dupla em treinamento (DT) executa o saque e, imediatamente, seus jogadores se deslocam para os posicionamentos defensivos. A dupla oponente (DO) recepciona, levanta e ataca, por qualquer meio e em qualquer ponto da quadra. A DT tenta o bloqueio-ponto ou a conquista da posse da bola para contra-atacar.

Movimento 2 – Caso a dupla consiga a posse da bola e na continuidade o contra-ataque, o jogo continua até que a bola “morra”. Caso não consiga o bloqueio-ponto ou a posse da bola, o treinador lança uma segunda bola para a DO re-atacar, por qualquer meio e em qualquer ponto da quadra.

 

28 – Idem 27, com uma diferença no Movimento 2. A fim de exigir maior velocidade de todos e subtrair o tempo para pensar e tomar decisões, o treinador/colaborador lança a segunda bola – no segundo movimento - para um dos jogadores (de preferência para o que atacou) da DO executar já o levantamento. Ou seja, a DO fará o re-ataque por meio do levantamento e ataque (em dois toques). Por qualquer meio e em qualquer ponto da quadra.

 

29 – Idem 27, com três movimentos. No segundo e no terceiro movimentos o treinador/colaborador lança a bola já para o levantamento. O ataque é por qualquer meio e em qualquer ponto da quadra. Como sempre, no caso da dupla em treinamento conseguir a posse da bola e na continuidade o contra-ataque, o jogo continua até que a bola “morra”.

 

30 – A dinâmica dos exercícios é diferente. Muitas vezes, o grau de dificuldade imposto pela dupla oponente (DO) é muito elevado. A DT, mesmo com todo empenho, não consegue bom aproveitamento com a estratégia defensiva. A fim de proporcionar maior movimentação para os jogadores da DT, o treinador/colaborador vai alternar, entre as duas quadras, o lançamento das segundas e terceira bolas.

Movimento 1 – A DT saca e se mobiliza defensivamente. DO recepciona, levanta e ataca, por qualquer meio e em qualquer ponto da quadra.

Movimento 2 – Caso a DT consiga a posse da bola para contra-atacar, o jogo continua até que a bola “morra”. Caso faça o ponto com o bloqueio ou não consiga a posse da bola com a defesa, o treinador/colaborador lança uma segunda bola, já para o levantamento e re-ataque, tanto pra a DO quanto para a DT.

Movimento 3 – Caso a DT consiga a posse da bola para contra-atacar, o jogo continua até que a bola “morra”. Caso faça o ponto com o bloqueio ou não consiga a posse da bola com a defesa, o treinador/colaborador lança uma segunda bola, já para o levantamento e re-ataque, tanto para a DO quanto para DT. A dupla que realiza o levantamento, obviamente, tem que se mobilizar ofensivamente; a outra, defensivamente.

 

- Aspectos as serem observados durante a execução dos exercícios.

 

1 – Nos exercícios desta seqüência ocorrem várias transições de um sistema para o outro. São muito movimentados e muito intensos sob o ponto de vista físico. O treinador deve atentar para o comportamento dos jogadores e, em função do mesmo, ditar o ritmo com que deve lançar as segunda e terceiras bolas. Por exemplo:

a - atrasar o lançamento da bola quando perceber que os jogadores estão muito afastados de seus posicionamentos iniciais;

b - não lançar a bola para o jogador que executou a última ação. Por exemplo, para o que estava no bloqueio e/ou para o que atacou. Quando o fizer, lançar a bola mais alta, a fim de dar tempo ao jogador sair de uma função para a outra.
Na medida em que os jogadores forem assimilando a dinâmica dos exercícios e realizando as transições com maior velocidade, é possível diminuir o tempo.

c – não lançar a bola por ocasião de erros bisonhos, cuja correção deva ser imediata e inadiável.

d – adicionar um comando concomitante ao lançamento; por exemplo, olha a segunda; olha a terceira; atenção, etc.

 

2 – É muito importante a comunicação entre os jogadores enquanto a bola em jogo. No bloqueio, por exemplo, depois da primeira ação, o jogador do bloqueio deve sinalizar (com as mãos e os dedos) o procedimento que adotará, em todas as transições do sistema ofensivo para o defensivo. O jogador de defesa, por sua vez, deve sugerir procedimentos ao companheiro, tais, como: vai “largar”, abre, atrasa, na bola, etc.

 

3 – O treinador deve orientar seus jogadores sobre a importância do ritmo em todo o decorrer do exercício. Muitas vezes, muito em virtude de cansaço ou perda de concentração, ocorrem precipitações ou equívocos decorrentes da confusão entre velocidade e pressa. A velocidade é requerida em todos os deslocamentos, em todos os movimentos. A pressa é diferente. Verifica-se no momento da execução do fundamento. O pensamento deve ser o de caprichar; sem pressa. Uma situação freqüente, por exemplo. O jogador consegue chegar para a defesa de uma bola “largada”, por exemplo. Subtende-se que teve velocidade para chegar nessa bola. No momento de defendê-la o objetivo tem que ser o de caprichar na execução do fundamento (manchete), alçar a bola na altura apropriada, para o local combinado, etc. Tudo isso, sem pressa.

 

4 – As sucessivas transições obrigam os jogadores a tomarem decisões inteligentes em todas as ações, como a exemplificada no item 3. A perfeita execução das transições entre os sistemas é marca registrada das duplas de alta categoria. Depois das ações defensivas (bloqueio e defesa) o levantamento e o ataque são essenciais para a marcação do ponto. Requerem considerações acerca de alguns aspectos no momento de executá-lo.

No Levantamento, as condições do jogador que vai atacar. Ele vem do bloqueio ou da defesa, em diferentes pontos da quadra, mais próximos ou mais distantes do ponto em que fará a aproximação para o ataque. O jogador-levantador deve considerar isso para:

- adiantar ou atrasar o tempo do levantamento;

- alçar a bola mais baixa ou mais alta

- decidir o afastamento da bola em relação à rede;

- decidir o ponto, em relação ao atacante, em que deve levantar a bola.

 

No Ataque é, obviamente, fundamental. Nem sempre o levantamento é perfeito. De acordo com o mesmo, é necessária uma tomada de decisão;

- cogitar todos os golpes (cortada forte, meia batida, "largada", "lob", etc)

- aventar "explorar" o bloqueio;

- decidir se atacar para decidir o ponto, para colocar o adversário em dificuldade, ou colocar bola em jogo (não errar).

 

Os acertos e/ou erros nas tomadas das decisões requeridas estão relacionados ao discernimento tático individual, apregoado na apresentação dos artigos. O treinador deve enfatizar a importância do mesmo. No momento do jogo não há nada que ele possa fazer, ao não ser, obviamente, torcer.

 

Nota

 

Não podia deixar de fazer um registro. A dupla Adriana Behar e Shelda. Tenho uma convicção: o campeão é aquele que reúne o maior número de qualidades! A categoria de uma dupla resulta de uma série delas. As mais laureadas, obviamente, possuem maior número. A dupla, Adriana e Shelda, é o caso. Agora, existe uma qualidade que, creio, beiraram a perfeição: a transição do sistema defensivo para o ofensivo. Ambas foram exímias e eficazes levantadoras e atacantes. Na foto a seguir, elas em ação.

 

 

Continuação no artigo 62, com outra Seqüência de Exercícios.

 

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