Estratégias/Táticas - Art. 49
Estratégias/Táticas - Defensivas.
- Saque.
- Saque com Função Tática (continuação do art. 48).
O saque dirigido com objetivos táticos visa dificultar o ataque adversário, segundo as seguintes estratégias.
A - Quanto ao ponto da quadra (frente / fundo / à direita / à esquerda / no centro);
B - Quanto ao jogador que recpciona (pior atacante / melhor levantador / quebra de ritmo);
B - Quantos à circunstâncias do jogo (jogador exausto / jogador descontrolado / jogador que recebe menos - quebra de ritmo).
A - Quanto ao Ponto da Quadra.
A.1 - Saque à Frente / Curto.
- Objetivos.
1 - Dificultar a aproximação do cortador, uma vez que este será obrigado a receber o saque e deslocar-se para trás, a fim de ganhar espaço para fazer a aproximação final.
2 – Surpreender o jogador-receptor com trajetória diferente, em relação à grande maioria, sem dúvida, do meio para o fundo da quadra.
No diagrama abaixo ao lado, coloco dois exemplos de saque curto.
- Com o J1, o saque curto perto da linha (mais distante do jogador que recepciona). Repare que ele tem que deslocar com bastante velocidade, executar a recepção, alçando a bola suficientemente alta de maneira que possa fazer um recuo, e fazer uma adequada aproximação final para o ataque.
- Com o J2, o saque curto no centro. Este, primeiramente, causa uma dúvida sobre qual dos jogadores receberá o saque. Depois, o jogador tem que recepcionar em um local distante da extremidade da rede, onde são atacadas a maioria das bolas.
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A.2 - Saque no Fundo / Longo.
- Objetivos.
1- Obrigar o atacante a percorrer uma trajetória mais longa e, conseqüentemente, mais estafante, desde a recepção até o local do ataque.
2 – Dificultar, em virtude dos grandes percuros a serem percorridos, as jogadas de maior velocidade, tais como as bolas mais "chutadas" e as fintas e variações.
No diagrama abaixo, dois exemplos. Com o J1, o local mais distante; com J2, no centro da quadra. Repare que dos pontos em que ambos fazem a recepção até o ponto da rede, onde geralmente os ataques são efetivados, há um longo percurso a ser percorrido.
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Nota
- Nos finais de set, quando os jogadores podem estar exautos, é uma opção bastante válida; e muito utilizada.
A.3 - Saque à Direita / à Esquerda ( Entre o Recebedor e a Linha Lateral ).
- Entre o jogador e a Linha (cruzado e reto).
- Objetivos.
1 – Obrigar – sobretudo nas trajetórias mais rápidas – o jogador-receptor a fazer deslocamento veloz, a fim de se posicionar adequadamente, em relação à bola, para a recepção.
2 – Exigir boa técnica individual para recepção de saques em que a bola vem à direita ou à esquerda do seu corpo.
3 – Dificultar o direcionamento da bola para a Zona de Levantamento – para algumas duplas, exatamente no centro da rede.
4 - Dificultar a execução de opções de ataque mais velozes, tais como de fintas e variações. Em outras palavras, obriga o atacante, após a recepção, a atacar na extremidade da rede mais próxima.
Nos saques em que a trajetória é muito rápida (saque do tipo “Viagem”) não é nem recomendável tentar direcionar a bola para a Zona de Levantamento (no centro da rede). A primeira intenção deve ser a de amortecer o impacto da bola. De modo geral, a maneira mais fácil é a de amortecer para à frente do corpo; qualquer movimento brusco dos braços desvia muito a trajetória. Como o jogador está praticamente na linha lateral, a trajetória para frente é no terço da rede defronte ao ponto em que o mesmo executou a recepção (diag. A).
A solução tática nesta circuntância é a do J2 ter a opção de atacar à frente ou às costas do JL, ou seja, no terço central da rede (diag. B). Esta opção deve ser considerada e bastante treinada. Muitas vezes o espaço entre o ponto em que o levantador executa o levantamento e a extremidade da rede é muito estreito. O que dificultar o levantamento e o ataque e, em decorrência, facilitar o sistema defensivo do adversário. Afinal, essa é a proposta do saque com a finalidade tática.
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Nos diagramas a seguir, exemplos do saque direcionado entre o J2 e a linha lateral. A linha tracejada em vermelho, representa o saque no fundo da quadra. A verde, no terço central da quadra. A azul claro, a trajetória do saque curto.
Das três trajetórias, a do saque curto é a mais lenta. As do saque no terço central da quadra e do saque longo, de modo geral, são as mais rápidas; e que causam maior dificuldade.
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Nota
- Esse tipo de saque causa maior dificuldade quando é executado em ponto mais próximo da linha de fundo.
A.4 - No Centro da Quadra ( entre os dois jogadores ).
- Objetivos.
1 - Causar dúvida entre os dois jogadores sobre quem deve fazer a recepção. Um ou outro, em decorrência da dúvida, pode partir para a recepção com algum atraso.
2 - Obrigar aos jogadores fazerem deslocamentos dos pontos em que estão posicionados para as trajetórias da bola.
3 - Causar atraso, do jogador-levantador no seu deslocamento para a Zona de Levantamento, e do jogador-atacante na sua aproxmação para o ataque.
4 - Obrigar o jogador que recepciona dar à bola um trajetória perpendicular, em relação à rede, para a zona de levantamento; o que requer grande habilidade.
Nos diagrama 1, J2 se desloca para o centro da quadra, faz a recepção e, na medida do possível, abre para receber a bola na extremidade da rede. A linha tracejada em vermelho representa a trajetória (perpendicular) da bola recepcionada. As setas tracejadas em azul representam os deslocamentos dos dois jogadores; J1 para executar o levantamento e J2 para atacar.
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Nota
A linha tracejada em verde representa uma suposição: a trajetória de uma bola recepcionada com a angulação semelhante a de um saque recepcionado no lugar mais comum; repare que ela pega o levantador deslocando para a Zona de Levantamento, portanto no “contra-pé”.
5 - Obrigar o jogador-levantador executar um levantamento cuja trajetória da bola deva ser absolutamente perpendicular em reação à rede; é requerido por ocasião em que a bola é recepcionada do meio para o fundo da quadra e nos saque de trajetória curta.
Nos diagramas, 2 e 3 a sguir, exemplos do saque longo e do saque curto em que a bola recepcioada não chega à Zona de Levantamento; recepção imperfeita.
No diag. 2, a bola no fundo da quadra. J2 (que recepciona) não pode aproximar-se para o ataque antes da saída da bola das mãos de J1 (jogador-levantador). O procedimento correto é o de esperar a saída da bola, a fim de que possa saber para onde a bola vai ser levantada; caso saia antes, recebe a bola, praticamente, às suas costas. Esta dificuldade, muitas vezes (trajetória da bola muito baixa e/ou levantamento em que a trajetória da bola não é suficientemente alta) impossibilita a aproximação ideal para o ataque (linha curva tracejada em azul); J2 tem que fazer a aproximação perpendicularmente em relação à rede.
No diag. 3, o saque curto. As dificuldades, para o levantamento e para aproximação para o ataque, são as mesmas. Qualquer desvio na trajetória da bola (recepcionada) complica o trabalho do jogador-levantador. Da mesma maneira, o J2 (jogador-receptor), muitas vezes, não pode abrir no sentido da linha lateral e receber a bola na extremidade da rede. Tem que fazer a aproximação de modo perpendicular em relação à rede.
Nota
- Quando o saque é dirigido deliberadamente sobre o J2, o número J1 pode deslocar-se antecipadamente para a zona de levantamento. O direcionamento do saque nestes casos dificulta bastante essa antecipação.
B - Quanto ao Recebedor.
Considerando que ambos os jogadores se eqüivalham na recepção, o direcionamento do saque deve ser feito segundo as opções que se seguem.
B.1 - Saque no Jogador Menos Capaz no Ataque.
Se o atacante menos capaz recebe o saque, obviamente a possibilidade de sucesso do sistema defensivo – da equipe que saca – aumenta.
Nota
- Geralmente é o mais baixo, melhor levantador e melhor defensor. Todavia, existe a exceção da regra. Por exemplo, que Shelda Bede, do Brasil, com 1, 64 m, vem sendo uma das melhores atacantes de todo o mundo.
B.2 - Saque no Jogador mais Capaz no Levantamento.
Quando os dois jogadores se eqüivalem na capacidade de recepcionar e de atacar, o saque dirigido para aquele que levanta melhor faz com que a levantada seja executada pelo menos capaz e, conseqüentemente, com que haja maior probabilidade de erro ou imperfeição.
C - Quanto às Circunstâncias do Jogo.
O saque pode ser dirigido também em decorrência de algumas circunstâncias constatadas no transcorrer de um jogo.
C.1 - Saque em Jogador Exausto.
Em algumas ocasiões, geralmente nos finais de jogo, um jogador apresenta sinais evidentes de exaustão. Neste caso, um saque no fundo da quadra é uma grande dificuldade a ser superada, pois este jogador normalmente apresenta também um decréscimo técnico.
C.2 - Saque em Jogador Descontrolado Emocionalmente.
Muitas vezes um jogador, em virtude de erros consecutivos, discussão com companheiro, insatisfação com árbitros, "picuinha" com adversário, etc..., descontrola-se emocionalmente e torna-se suscetível a erros. Se os dois jogadores eqüivalem-se, por que não sacar no descontrolado?
C.3 - Saque em Jogador que Recebe Menos - Quebra de Ritmo.
Em muitas ocasiões o saque é dirigido deliberadamente a apenas um dos jogadores. O outro limita-se ao levantamento. Ocorre muitas vezes que o jogador mais acionado ganha confiança e ritmo; em conseqüência, passa a apresentar bom aproveitamento. É um expediente válido, em momentos decisivos, tentar um saque no outro que, por estar sem o ritmo na recepção, pode encontrar dificuldade.
Notas
- O saque é um fundamento / função que deve ser utilizado com inteligência, de acordo com uma tática, sem pressa, etc..., considerando que, por meio dele, se pode colocar o adversário em dificuldade na execução de sua estratégia de ataque e, dessa maneira, facilitar o trabalho do bloqueio e defesa.
- O saque é também um instrumento de pressão psicológica. Uma dupla que não saca bem faz com que o adversário se sinta tranqüilo, "goste do jogo" e não encontre dificuldade para marcar seus pontos.
- Ao longo de todo um jogo, os dois jogadores devem ter como meta o saque positivo. Isto é, marcar os pontos com o “ace”, provocar erros de recepção e quebrar, sistematicamente, o passe do adversário.