Estratégias/Táticas - Art. 45

- Ataque.

- Exercícios para a Aprendizagem e para o Aperfeiçoamento.

- Sequência de Exercícios no. 10.

- Objetivo: consolidar a estratégia ofensiva em situações de jogo especiais (continuação do art. 44).

 

Neste artigo, a continuidade ao artigo 44, em que estão sugeridos exercícios para o aperfeiçoamento da estratégia ofensiva com o ataque de bolas levantadas do fundo da quadra. Uma Sequência de exercícios para o levantamento de bolas que saem da quadra pelas linhas laterais; situação de jogo, também, bastante freqüente. Ocorre após recepção do saque imperfeita, defesa ou toque no bloqueio em que a bola sai da quadra, por uma das linhas laterais.

A fim de ordenar a execução dos exercícios, a área de jogo será dividida em 3 terços ( 1, 2 e 3). As bolas são levantadas de todos os terços e pelo lado direito (D) e pelo lado esquerdo (E). No diagrama a seguir as classificações que serão utilizadas na apresentação dos exercícios.

 

 

 

 

69 - O Treinador (T), no centro da quadra, lançando a bola nas imediações do ponto 2D - terço central da quadra. O jogador de defesa (JD), posicionado no centro-direito da quadra, se desloca (seta horizontal tracejada em azul) a fim de executar o levantamento para o ataque de JB, que sai do bloqueio (na entrada da rede) e recua até o ponto em que, costumeiramente, faz a aproximação final (seta tracejada em vermelho). A linha verde interrompida representa a a trajetória da bola levantada. (diag. 2).

70 - Idem exercício 69, com o levantamento das imediações do ponto 2E. O JB deve sair do posicionamento de bloqueio recuando para o centro da quadra, a fim de receber a bola de frente para o levantador (diag. 3).

 

 

71 - Idem 69 (JD levantando), com o levantamento sendo executado do ponto 1D - terço inicial da quadra.

72 - Idem 70 (JD levantando), com o levantamento do ponto 1E.

73 - Idem 69 (JD levantando), com o levantamento do ponto 3D.

74 - Idem 70 (JD levantando), com o levantamento do ponto 3E.

 


 

75 - A partir deste exercício os jogadores trocam de posicionamentos. JB sai do bloqueio na saída da rede e JD no posicionamento defensivo centro-esquerd0. O levantamento é executado do ponto 2E para a saída da rede (diag. 4).

76 - Idem 75, com o levantamento do ponto 2D (diag. 5).

 

 

77 - Idem 75, com o levantamento sendo executado do ponto 1E.

78 - Idem 76, com o levantamento, por JD, sendo executado do ponto 1D.

79 - Idem 75, isto é, com o levantamento, por JD, em 3E.

80 - Idem 76, com o levantamento em 3D.


 

81 - Agora, os jogadores trocam de função. Isto é, o jogador-bloqueador (JB) sai do bloqueio, desloca para o ponto 1E e executa o levantamento. JD, posicionado no centro-direito da quadra, se desloca para o ponto em que habitualmente faz a aproximação para o ataque na saída da rede. Aguarda a saída da bola das mãos de JB e parte para o ataque (diag. 6).

 

 

82 - Idem 81, com o levantamento (de JB) sendo executado do ponto 1D (diag. 7).

83 - Idem 81, com o levantamento (de JB) do ponto 2E.

84 - Idem 82, com o levantamento (de JB) do ponto 2D.

85 - Idem 81, com o levantamento (de JB) do ponto 3E.

86 - Idem 82, com o levantamento (de JB) do ponto 3D.

 


 

87 - A mesma dinâmica dos exercícios anteriores, com a troca de posicionamentos. JB, ainda fazendo a função do jogador-levantador, passa a sair do posicionamento de bloqueio na saída da rede. JD, do defensivo centro-esquerda. O levantamento é executado do ponto 1D, para o ataque de JD na entrada da rede. (diag. 8).

88 - Idem 87, com o levantamento (de JB) sendo executado do ponto 1E (diag. 9).

 

 

89 - Idem 87, com o levantamento (de JB) sendo executado do ponto 2D.

90 - Idem 88, com o levantamento do ponto 2E.

91 - Idem 87, com o levantamento (de JB) do ponto 3D.

92 - Idem 88, com o levantamento do ponto 3E.

93 - Neste exercício o Treinador lança a bola em qualquer dos pontos utilizados nos exercícios anteriores, aleatória e alternadamente. Ora para o levantamento de JD e ataque de JB, ora para o levantamento de JB para o ataque de JD.

94 - Agora, com a mesma dinâmica. Em duas ações. Na primeira, o Treinador lança a bola em um dos três terços para o levantamento de JD e o ataque de JB. Na segunda, para o levantamento de JB, imediatamente após seu ataque, para o ataque de JD.

95 - Idem exercício 94. Agora, na primeira ação, o levantamento de JB, que sai do bloqueio, para o ataque de JD. Na segunda, o levantamento de JD, imediatamente após seu ataque, para o ataque de JB.

96 - Repetir toda a sequência com auxilio das tabuletas, utilizada em sequências anteriores.

97 - Repetir toda a sequência utilizando uma trinca oponente; um no bloqueio e dois na defesa. Também utilizada em sequências anteriores.

 


Notas

- Os dois jogadores devem executar os exercícios fazendo as vezes do jogador-bloqueador e do jogador defensor.

- O Treinador deve estimular seus jogadores a se utilizarem todos os golpes.

 


 

- Aspectos a serem observados durante a execução dos exercícios.

 

Além de procedimentos mencionados no artigo 44, relativos às atribuições do jogador-levantador e do jogador-atacante, alguns outros são fundamentais para facilitar o desempenho de ambos.

- Do Jogador-Levantador.

De acordo com o ponto em que o levantamento é executado é necessário observar alguns aspectos. Nos diagramas a seguir, um exemplo. No diag. 10, o levantamento da direita para a esquerda (pontos 1D, 2D e 3D). A trajetória da bola tem que ser entre as linhas (tracejadas em azul) em que está posicionado o levantador e a linha do ponto em que JA faz sua aproximação para o ataque. A linha tracejada em vermelho representa uma pequena margem de segurança, que o atacante supera adequando as duas últimas passadas que antecedem o salto para o golpe.

A bola que ultrapassa a linha do JA torna o ataque bastante difícil, uma vez que, a mesma está se distanciando dele. Mesmo alcançando-a esta ficará à esquerda do eixo do seu corpo. Logo, o ataque para o centro-direito (visão do atacante) da quadra oposta fica praticamente inviável.

 

 

No diag. 11, o levantamento da esquerda para a direita (pontos 1E, 2E e 3E). A trajetória da bola deve ficar entre as linhas do levantador e do atacante. Neste caso, pode haver uma margem de segurança um pouco maior (linha tracejada em vermelho), uma vez que o atacante, destro, tem a bola do lado do seu braço direito.

 

Notas

- Para os jogadores que atacam com o braço esquerdo, ocorre o inverso. A bola que vem da esquerda não pode passar para a direita do seu corpo; as que vêm da direita podem ter uma margem de segurança maior.

- Existem duplas - de alta competitividade - que treinam e executam com bastante desembaraço, o levantamento mais aberto, ou seja, ultrapassando as linhas representadas nos diagramas anteriores (10 e 11). Sobretudo, atacantes destros em bolas levantadas da esquerda para a direita. Os sinistros, em bolas levantadas da direita para a esquerda.

 

2 - O treinador e os jogadores devem estar atentos para um erro que ocorre com elevada freqüência. O de levantar a bola considerando apenas o ponto provável do ataque. De modo geral, a trajetória da bola não ganha a altura suficiente. O atacante, no caso, fica com poucas alternativas de ataque. Muitas vezes, só lhe resta colocar a bola para o lado oposto.

O treinador deve orientar seus jogadores, no caso, a alçar a bola de tal maneira que a mesma chegue alta no ponto em que o atacante a golpeia. Vale lembrar: quanto mais para o fundo da quadra for o levantamento, maior deve ser a altura da trajetória da bola.

3 - Outro erro freqüente. A bola que chega na rede muito próxima do bordo superior. Por se tratar de situação de jogo especial, em que o atacante é obrigado a fazer uma longa aproximação, é fundamental que a distância da bola, em relação a rede, seja de, pelo menos, 50 cm; baixa... nem pensar.

 

Nota

Os erros na altura da trajetória da bola e a na distância da mesma em relação à rede decorrem, também, de incapacidade técnica individual. Daí a importância do treinamento técnico e tático serem programados, na medida do possível, de modo simultâneo.

 

4 - Um recurso que o levantador tem que ter, sobretudo, diante do levantamento em que o atacante não consegue fazer uma aproximação adequada: saber atrasar o tempo do levantamento. Essa habilidade consiste em deixar a bola cair e executar o levantamento por meio de uma manchete com o corpo em agachamento; muitas vezes, com um dos joelhos no chão.

Esse retardo, ainda que possa parecer insignificante, propicia a fração de tempo que o atacante precisa para fazer uma boa aproximação final para o ataque.

 

- Do Jogador-Atacante.

5 - Outro aspecto importante. A correção do início da aproximação final para o ataque. Por se tratar de uma situação de jogo especial, o jogador-levantador está sujeito a erros, como os mencionados nos itens 3 e 4. Logo, o atacante tem que esperar, ao máximo, a saída da bola das mãos do levantador para então iniciar sua aproximação final.

Assim, ele pode acelerar ou atrasar sua aproximação, a fim de se adequar à trajetória da bola.

6 - A não ser que haja muito treinamento, o jogador-atacante deve evitar pedir a bola no terço central da rede. A angulação para o ataque por meio de cortada forte torna-se altamente desfavorável. Vale lembrar que as bolas levantadas nas extremidades da rede propiciam a oportunidade de "explorar" o bloqueio do adversário, recurso providencial nesta situação de jogo.

7 - O treinador deve estimular seus jogadores a utilizarem todos os tipos de golpe, isto é: cortada forte, meia batida, "largada", "lob", etc.

 

Concluindo, os exercícios sugeridos nesta Sequência contribuem e muito para o aperfeiçoamento da execução da estratégia ofensiva. O sucesso da ação ofensiva, nestes exercícios, depende da eficácia no desempenho das atribuições de ambos os jogadores. E mais, na execução de fundamentos em condições extremamente complexas. Parando para pensar, se nos dermos conta, o Planejamento Global de uma equipe estipula grande parte do treinamento do sistema ofensivo a partir da recepção do saque. Ou, de defesas de bolas previsíveis, como as que são atacadas, sobre plataformas, por treinadores e/ou colaboradores. Enfim, o treinador deve simular situações de jogo, simples e complexas, de modo mais aproximado possível com a realidade.

 

Cont. no art. 46, com outra Sequência de Exercícios.

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