Estratégias/Táticas - Art. 29
Ataque
- Ataque Após a Recepção do Saque ("Side-Out").
- Ataque com Fintas e Variações.
No Vôlei de Praia o ataque é, caracteristicamente e quase que na totalidade do jogo, em locais previsíveis. Isto é, Bolas Altas nas Extremidades da Rede. Como em todos os esportes com bola, jogadores e treinadores buscam incessantemente maiores variações e maior velocidade, com o propósito de dificultar os sistema defensivo de seus adversários. Ainda que possa parecer uma tarefa fácil, atacar com a marcação de um bloqueio simples não é tão fácil assim. Ainda mais quando há disparidade de estatura entre o atacante e o bloqueador. O atacante tem que ter habilidade e inteligência para ultrapassar o bloqueio por meio de cortadas. Quando opta por "largadas", as trajetórias são altas e propiciam maiores oportunidades de defesa ao adversário.
A estratégia de ataque por meio de fintas e combinações é uma tendência. Atualmente, muitas equipes a utilizam, mas de modo esporádico. Como o tempo, creio que a frequência aumentará e mais times utilizarão de maneira sistemática. No ataque por meio de fintas e combinações é requerido:
Aos atletas: - excelente velocidade de deslocamento; - habilidade técnica individual - do levantador e do atacante; - discernimento tático individual;
À Execução da Estratégia: - Variação de Tipos de Bola: - Bolas "Chutadas"; - Meias Bolas, com diferentes trajetórias; - Outras.
O ataque com Fintas e Variações, portanto, é a maneira de quebrar a previsibilidade do ataque. Com o objetivo de dificultar a armação prévia do sistema defensivo do adversário, pelos seguintes fatores:
· a diversificação dos pontos da rede em que a bola é atacada;
· a graduação da altura, em relação ao bordo superior da rede, em que a bola é golpeada;
· o aceleração do tempo, entre a saída da bola da mão do levantador e a efetivação do golpe.
O efeito destes fatores e os benefícios que a dupla usufrui com a utilização da estratégica são:
· induz, o adversário, sacar mais forçado e, conseqüentemente, com maior risco;
· obriga o bloqueador adversário a pensar e se deslocar sistematicamente;
· dificulta a colocação antecipada do defensor adversário.
- Tipos de Fintas e Variações de Ataque.
- Transpasse: - do Centro para a Saída da Rede (diag. 1) - do Centro para a Entrada da Rede (diag. 2)
Nos diagrama a seguir, no diag. 1, a recepção do saque é realizada na meia-quadra esquerda e o ataque na metade da rede relativa à meia-quadra direita; no diag. 2, o inverso. Cada metade da rede está dividida em três terços (chaves em verde): mais próximo do levantador; intermediário e na extremidade. JA é o jogador que recepciona e ataca. O JL é o jogador que levanta. JA, após receber o saque, faz duas aproximações:
- primeira aproximação, do ponto em que executa a recepção do saque ao que inicia sua aproximação final (seta vermelha clara);
- aproximação final, do ponto P.R.A (a linha perpendicular em relação ao ponto em que o JL está posicionado) ao que salta para atacar ) seta em vermelho forte).
Notas
- Coloco esta linha imaginária P.R.A (ponto de referência para a aproximação, uma vez que, em outras combinações - serão apresentadas a seguir - o atacante, ao invés de deslocar-se para o ataque do meio para a saída da rede, o fará do meio para a entrada da rede.
- O ataque na meia-quadra direita é mais fácil para atacantes destros. Na meia-quadra esquerda, é mais fácil para atacantes canhotos.
Após e/ou antes da saída da bola das mãos do levantador, o JA aproxima-se e pode atacar três tipos de bola:
1 - Meia Bola Aguda, imediatamente após o ponto em que o JL está posicionado para executar o levantamento (bola no. 1 na fig. a seguir).
2 - Meia Bola Intermediária, cerca de 2 metros do ponto em que o JL está posicionado para executar o levantamento (bola no. 2 na fig. a seguir).
3 - Meia Bola Aberta, afastada do do ponto em que o JL está posicionado para executar o levantamento, isto é, na extremidade (saída/entrada) da rede (bola no. 3 na fig. a seguir).
Notas
- Na figura a seguir, as Meias Bolas executadas na metade da rede da meia-quadra direita; relativa à saída da rede.
- O altura em que a bola é golpeada não difere muito; e é de acordo com o alcance de JA. A diferença entre as mesmas é a angulação e a dimensão das trajetórias da bola.
Na representação gráfica a seguir, o exemplo das três diferentes posições em que as Meias Bolas são atacadas, do Centro pra a Entrada da Rede.
Nota
Nestas combinação, o atacante pode partir para o ataque depois e/ou antes da saída da bola das mãos do levantador. Na combinação em que o atacante parte antes é necessário muito treinamento, o que levará ao entrosamento essencial.
- Procedimentos do Jogador-Levantador.
- No Momento de Recepção do Saque.
- Deslocar-se, o mais rápido possível, para a Zona de Levantamento de maneira que quando a bola chegar já esteja preparado para executar o levantamento.
- Posicionar-se, rigorosamente, sob a bola; independentemente será fará o levantamento sobre o Ponto do Levantamento ou mais aberto. O principal ponto de referência do Jogador-Atacante (JA) é justamente seu posicionamento.
- No Momento do Levantamento.
- Observa a movimentação do companheiro, no momento da recepção, a fim de perceber se este está em condições de aproximar-se, com desembaraço, para atacar;
- Aguardar a iniciativa do cortador que, juntamente com o levantador, devem ter um código convencionado.
- O toque é executado de maneira que a trajetória da bola não seja muito alta. Ou seja, aproximadamente no ponto em que JA alcança; seja qual for o terço em que a bola é atacada. Mais alta, torna a ação lenta como todo. JA se aproxima e tem que para para esperar a descida da bola; o que, obviamente, facilta o bloqueador adversário.
- A altura da bola e seu afastamento em relação à rede é individual; de acordo com a capacidade de JA:
- muito alta, propicia tempo para o bloqueador adversário;
- muito baixa, dificulta a aproximação, o salto e os movimentos do tronco e dos braços de JA.
- muito proxima da rede, facilita o bloqueador adversário, e requer extrema velocidade de JA de modo que este possa dar as últimas passadas bem compridas, e salte absolutamente na vertical;
- muito afastada, facilita a ação defensiva do adversário.
- Nas bolas afastadas do PL, ao perceber a passagem do cortador, pela linha em que está posicionado, impulsionar a bola com a velocidade convencionada;
- Após o Levantamento.
- Na medida do possível, sugerir, ao companheiro, o local para onde deve dirigir o seu ataque; de modo geral, oposto onde se coloca o defensor ( "cantar").
- Deslocar-se para o local do ataque, a fim de efetuar a cobertura do mesmo.
- Procedimento do Jogador-Atacante.
- Após a Recepção do Saque.
- Faz duas aproximações. A primeira, do ponto em que executa a recepção até o ponto em que faz a aproximação final. A final, até o ponto em que salta para atcar.
- Espera a saída da bola das mãos de JL para 'so então fazer a aproximação final para o ataque.
- Tomar a iniciativa, ou seja, pedir ("cantar") a variação que deseja realizar;
- No Momento da Aproximação para o Ataque.
- No momento em que a bola está às mãos do levantador, iniciar a aproximação final executando suas duas últimas passadas bem compridas a fim de saltar verticalmente. Isso, quando o levantador estiver impulsionando a bola.
- Dependendo do ponto em que ataca, isto é, no terço em que JL está posicionado, no terço intermediário ou na extremidade da rede, a velocidade da aproximação final é máxima.
- Nesta combinação, o atacante destro e o levantador encontrarão maior dificuldade. O atacante, no momento do salto, tem que se posicionar de maneira a colocar-se rigorosamente sob a bola. Isto é, a bola tem que estar sobre o eixo do seu corpo, a fim de que seja capaz de atacar com eficiência, tanto para a paralela quanto para a diagonal. O levantador, dependendo da bola combinada, não pode - de maneira alguma - "abrir" o ângulo de trajetória da mesma.
- Na representação gráfica a seguir, um exemplo. O jogador tem um eixo central (coluna vertebral e cabeça), representado na figura pela linha vertical tracejada. No momento do salto é fundamental que o atacante coloque a bola sobre este eixo. No caso torna-se mais fácil atacar para ambos os lados da quadra adversária. Quando a bola, por qualquer erro deste procedimento, fica mas à direita do eixo, o atacante se deparará com o seguinte.
A - Na Saída da Rede:
- tem maior facilidade para atacar e/ou "largar" na paralela;
- inviabiliza - mecanicamente - a cortada forte para a diagonal;
- torna lentas as "largadas" para a diagonal.
A - Na Entrada da Rede:
- tem maior facilidade para atacar e/ou "largar" na diagonal;
- inviabiliza - mecanicamente - a cortada forte para a paralela;
Nota
Com os atacantes canhotos, ocorre o contrário
- No Momento do Golpe.
- Atentar para a "cantada" do companheiro.
- Golpear a bola no ponto mais alto possível..
- Optar pelo golpe mais conveniente, segundo a sua sensibilidade.
Nota
Como mencionado anteriormente, o ataque da Meia-Bola requer perfeito entrosamento entre o Jogador-Levantador e o Jogador-Atacante. Que, obviamente, resulta de muito treinamento. Como é esse treinamento. Justamente praticando os procedimentos de cada qual. Uma providencia que ajuda bastante é a comunicão entre eles, com a bola em jogo. Três exemplos.
- Numa defesa no centro da quadra, JA pede o levantamento: "perto", à frente ou atrás (diag. 3).
- Numa defesa próxima às linha laterais, JA pede o levantamento: na "extremidade da rede" (diag. 4).
- Numa defesa além da linha lateral, JA pede o levantamento: "por trás" (diag. 5).
- Etc.
Cont. no art. 30, com outras Variações.
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