Técnica Individual - Art. 17
- Toque de Bola Acima da Cabeça, para o Levantamento e para a Defesa.
- Para a Defesa.
- Treinamento do Toque
Ao iniciar o treinamento da Defesa com o Toque Acima da Cabeça temos que os atletas passaram por um processo de aprendizagem e aperfeiçoamento. Foram sugeridos 105 exercícios nas sequências anteriores. Muito provavelmente, os que os realizaram e obtiveram bom aproveitamento podem ser considerados aptos a executar os execícios do toque exclusivamente para a defesa.
Neste segmento do treinamento há componente altamente complicador: a altíssima velocidade da trajetória da bola. Serão requeridas outras qualidades indispensáveis, pré-requisitos. Tanto em relação ao condicionamento físico quanto em relação à técnica individual. E muito mais. O treinador deve aproveitá-los para implementar conceitos e procedimentos da tática individual.
- Condicionamento Físico.
1 - Velocidade de Deslocamento (curtos).
Na defesa os deslocamentos são muito curtos; máximo de 1 ou 2 metros. Ou seja, o atleta, praticamente, se ajusta, do ponto que se posiciona ao que executa a defesa. Pela velocidade da trajetória da bola o tempo é ínfimo. É necessário muita velocidade, e em todos os tipos; de frente, de costas, lateralmente, obliquamente.
2 - Velocidade de Movimentos.
Quando a atleta se prepara para defesa, sua postura não é estática. Muito pelo contrário. É descontraída, a fim de que tenha facilidade de ajustar-se em relação à trajetória da bola; com pernas, tronco e braços absolutamente relaxados. No exato momento em que a bola chega à sua área de ação, ele deve sair da postura com que se deslocou para o gesto da defesa; toque ou manchete.
3 - Velocidade de Reação.
A correção da execução do toque depende muito da velocidade com que o atleta reage ao estímulo de uma bola chegando à sua área de ação. Quanto mais rápida for sua reação maior será a probabilidade de uma boa execução. Segundo os estudiosos a velocidade de reação é uma capacidade inata. Os indivíduos nascem com graus diferentes. Mas pode ser melhorada com treinamento sistemático em que seja estimulada essa propriedade.
4 - Coordenação (deslocamento/execução do fundamento).
Como mencionado anteriormente, as arbitragens são rigorosas na interpretação da validade do toque. Na defesa, pela velocidade da trajetória da bola, a dificuldade é ainda maior. Quando a cortada é potente o toque pode ser executado de modo imperfeito. É o caso da manobra "Reco-Reco" e/ou outra situações menos freqüentes. Dito isso, é muito difícil a execução do toque - perfeito - com o corpo em movimento, em deslocamento. Logo, é fundamental a capacidade de deslocar e coordenar o final do mesmo com a execução do toque.
- Técnica Individual.
1 - Capacidade para executar o fundamento após deslocamentos.
Independentemente da maneira como o deslocamento é feito, algumas noções são fundamentais para o bom aproveitamento na defesa por meio do toque. Refiro-me aos pontos em que o atleta tem fazer a intervenção. Foram todos abordados no artigo 16, mas não custa recapitular: rigorosamente em frente à trajetória da bola; tocar a bola quando esta estiver a frente do eixo do corpo.
2 - Capacidade para executar a Toque sob deferentes tipos e maneiras, diante de estímulos muito mais rápidos (velocidade da trajetória da bola).
O atleta tem que conseguir executar o com os pés no chão, saltando e agachado com o mesmo desembaraço. No momento que a bola chega ao raio de ação, o atleta tem que ter auto-confiança para não temer a falta seja qual for.
3 - Habilidade para executar a defesa direcionando a bola para determinados pontos da quadra.
Não é suficiente apenas defender uma bola. É necessário muito mais. A bola tem que ser defendida e direcionada para determinada área da quadra de modo que o companheiro encontre maior facilidade para executar a ação posterior, o levantamento. Logo, o defensor usufruirá de sua defesa com uma bola bem levantada para seu ataque; com isso marcar o ponto.
Nos diagramas a seguir, no da esquerda, o exemplo com uma defesa do J1 no lado direito da quadra. Repare que a bola tem que ser defendida e permanecer entre sua própria linha (perpendicular à rede) e a linha longitudinal que divide a quadra (em azul claro). E distante da rede cerca de 1,5 m. Desta maneira o companheiro J2, que pode estar ao seu lado, na defesa, ou no bloqueio, encontrará facilidade para deslocar e executar o levantamento. No da direita, o exemplo com J2, na metade esquerda da quadra.
Nota
Embora o treinamento seja característicamente técnico individual, o aspecto mencionado no item 3 é referente à tática individual. Em outras palavras: defender, sim, ótimo, para onde? Ou seja, o jogador-defensor tem que praticar os exercícios com o compromisso de acertar, e tendo em vista a sucesso da ação como todo: defesa - levantamento - ataque.
Feitas essa considerações, vamos apresentar as sequências de exercícios. À guisa de esclarecimento, vamos dar continuidade às sequências do Toque para o Levantamento, isto é, a partir da sequência 10 e do exercício 106.
- Exercícios para Aprendizagem e Aperfeiçoamento.
- Sequência de Exercícios no. 10.
- Objetivo: aprendizagem e/ou aperfeiçoamento da técnica.
Utilizando o comprimento de meia quadra, exercícios em dupla. Um na rede (J1), sacando a bola com uma altura de cerca de 5 m, reto, à direita e à esquerda do ponto em que companheiro (J2) esta posicionado, para este fazer a defesa por meio de toque. Antes de executar o toque, o jogador deve se deslocar de acordo com a direção da bola e posicionar-se de frente para o ponto da Zona de Levantamento. O professor/treinador estabelece o número de repetições. Ao final de cada sequência os jogadores trocam de funções. O toque deve ser para o alto, de acordo com o que está explicado no diagrama anterior (item 3). E da seguinte maneira.
105 - De frente, com os pés no chão.
106 - De frente, com o corpo em suspensão.
107 - Agora o jogador do fundo da quadra (J2) fará a defesa com um toque (de frente, com os pés no chão) para o centro da quadra e um segundo (também de frente com os pés no chão) para seu companheiro na rede (J1).
108 - Idem ex. 107, com os dois toques de frente com o corpo em suspensão.
Na figura a seguir, a linha curva interrompida em vermelho representa a trajetória da bola sacada pelo companheiro. As tracejadas em azul, as trajetórias da defesa e do levantamento para o companheiro; são semelhantes.
Utilizando o comprimento de meia quadra, exercícios em dupla. Um na rede (J1), atacando a bola "a meia força", reto, à direita e à esquerda, para a defesa do companheiro (J2) por meio de toque. Antes de executar o toque, o jogador deve desloca-se de acordo com a direção da bola e posicionar-se de frente para o ponto da Zona de Levantamento. O professor/treinador estabelece o número de repetições. Ao final de cada seqüência os jogadores trocam de funções. O toque deve ser para o alto, de acordo com o que está explicado no diagrama anterior (item 3). E da seguinte maneira.
109 - De frente, com os pés no chão.
110 - De frente, em suspensão.
111 - De frente, agachado e, após o toque, executar um rolamento para trás.
112 - De frente, após deslocamento para a direita.
113 - De frente, após deslocamento para a esquerda.
114 - De frente, agachado com rolamento, após deslocamento para a direita.
115 - De frente, agachado com rolamento, após deslocamento para a esquerda.
116 - De frente, em suspensão, após deslocamento para a direita.
117 - De frente, em suspensão, após deslocamento para a esquerda.
Nota
Os iniciantes encontrarão alguma dificuldade, uma vez que, não conseguem golpear a bola com potência e precisão. Não tem problema. Pode-se começar com o ataque mais para o alto como um saque. À medida em que forem adquirindo maior habilidade a tendência é a que consigam melhorar os ataque. Nos casos de maior dificuldade o treinador deve executar os ataques.
- Aspectos a serem observados durante a execução dos exercícios.
1 - Os exercícios sugeridos são apropriados a jogadores que executam bem o toque. É desaconselhável para jogadores, por exemplo, que não passaram por estágio de aprendizagem/aperfeiçoamento. As sequências anteriores - toque para o levantamento - tiveram em vista justamente esses fins.
2 - A potência do golpe não é importante no processo de aprendizagem. Na medida em que forem executando, a tendência é a de que haja melhoria acentuada na execução dos golpes. Com isso, a potência será aumentada, gradativamente.
3 - A postura de expectativa é aspecto essencial. O atleta deve estar, sobretudo, relaxado de maneira que seja capaz de realizar mudanças do gestos - da postura básica para a da defesa com manchete; da básica para a da defesa com toque; com máximo desembaraço.
4 - Da mesma maneira, os deslocamentos. Devem ser feitos com movimentos ligeiros das pernas e com tronco e braços relaxados.
5 - O treinador e os jogadores devem estar atentos para o movimentos, sobretudo dos braços, que resultam na rebatida da bola. A velocidade da trajetória da bola deve ser contida com o movimento de ligeira flexão dos braços e punho. Na mediada em que os jogadores forem atacando com mais potência, esse procedimento será fundamental.
Continuação no art. 18 com outra Sequência de Exercícios
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