Técnica Individual - Art. 06

- Bloqueio

- Qualidades Indispensáveis para o Bloqueador.

 

D - Percepção de Direção.

É uma qualidade indispensável a um bloqueador. É comum o bloqueador, por instinto de preservação, fechar os olhos no momento do golpe, o que é compreensível, mas não é correto. No Vôlei de Praia este fato não pode, de maneira alguma, ocorrer.

É imprescindível que o bloqueador tente perceber a direção que o cortador dará à bola. O treinamento técnico individual deve ter em vista condicionar o bloqueador a ter como prática comum olhar todos os movimentos do atacante, desde o momento em que recepciona o saque até o que ataca.

Para isso, primeiramente, ele deve entender que o golpe final do ataque é a conclusão de uma ação, e não um ato isolado. Tendo em vista a aquisição da propriedade de observar todos os movimentos do atacante, na prática dos exercícios é recomendável acostumá-lo a realizá-los olhando:

- a recepção do saque;

- a primeira aproximação, do ponto em que efetua a recepção até o momento em que faz a aproximação final;

- a aproximação final, o momento em que executa as passadas que antecedem o salto;

- o salto;

- os movimentos do tronco e braços.

A pergunta que cabe: e a bola? Com o hábito de olhar, o atleta desenvolve um campo de visão mais abrangente, no qual a bola está presente o tempo todo. Um exemplo - sim-pló-rio.

- o atacante recepciona o que?

- a bola recepcionada vai para onde?

- o atacante começa a primeira aproximação no momento em que a bola está aonde?

- o atacante faz a última aproximação quando a bola sai de onde?

- salta para atacar o que?

- ataca o que?

No diagrama a seguir, um exemplo da ação. O jogador-atacante, da equipe adversária, recepciona em determinado ponto da quadra (JA), faz a primeira aproximação (linha interrompida em verde), a aproximação final (seta em vermelho) e salta para o ataque. O bloqueador se posiciona rigorosamente a frente do JR, desde o momento em que este recepciona o saque (linha interrompida em azul). Dependendo da trajetória que o atacante fizer, o bloqueador se desloca, paralelamente à rede (seta em azul), até o momento que tem que saltar.

 

 

 

 

Enfim, só por essas respostas é fácil concluir que a bola está sempre no seu campo visual. O bloqueador está raciocinando a cada etapa do ataque - recepção, as aproximações, o salto e os movimentos do tronco e braços. Ou seja, vai obtendo elementos para tomar suas decisões. Vamos raciocinar juntos.

- Dependendo do ponto da quadra em que a recepção é feita, pode haver variação nas aproximações do atacante?

- Dependendo do ponto em que a bola é passada e, consequentemente, o ponto da quadra em que a bola é levantada, pode haver variação na qualidade do levantamento?

- Dependendo do afastamento/aproximação da bola em relação à rede, bem como a altura em que a mesma é levantada, pode haver influência no ataque?

- Dependendo da maneira pela qual o atacante faz a primeira e última aproximações, pode haver interferência no ataque?

- Dependendo do salto, o atacante tem as mesmas opções de ataque?

- Dependendo dos movimentos do tronco e dos braços, pode haver variação no tipo ou potência do ataque?

Em outras palavras, neste espaço de tempo o bloqueador aproveita todos esses elementos para tomar cada uma das suas decisões, isto é:

- o ponto da rede em que deve se posicionar para aguardar o desenlace da ação;

- o ponto de referência, em relação ao atacante, que deve adotar para saltar;

- o momento exato em que deve saltar;

- o procedimento que deve adotar em relação à direção da trajetória da bola.

Todos esses elementos influem significativamente nas tomadas de decisões e, mais especificamente, na percepção de direção que o atacante pode dar à trajetória da bola. De modo geral, o bloqueador pode optar por uma de duas alternativas:

- a marcação do ponto, pela obstrução da bola;

- tentar interceptar uma das direção de ataque (diagonal ou corredor).

Se, no momento do ataque, for capaz de perceber que o cortador fará o contrário do que optou, pode também trocar o local em que colocará as mãos, na tentativa de bloqueio.

Na figura abaixo, um exemplo de troca de colocação dos braços no momento do ataque. O bloqueador salta e, percebendo que o cortador atacará em outra direção, movimenta os braços, quando no "ponto morto da impulsão".

 

Nota

Exagerei propositadamente a movimentação dos braços. Não recomendável que seja tão para os lados. O objetivo é o de chamar atenção para o fato de que o bloqueador perde alcance quando movimenta os braços. Por isso, deve fazê-lo esporadicamente, como um recurso técnico individual.

 

Outro exemplo é mudar o salto no momento do ataque, ou seja, ao perceber que uma cortada será dada mais para a diagonal do que o esperado, ao invés de saltar verticalmente, saltará obliquamente e com certeza cairá desequilibrado (figura a seguir). Na praia é possível porque o bloqueio é uma ação individual e sempre em razão de uma ação final. Contudo, este recurso deve ser esporádico. Uma vez que, como mencionei anteriormente, o bloqueio é o principal ponto de referência do jogador-defensor.

 

 

Nota

Essas mudanças de procedimento no bloqueio devem ser eventuais, pois há sempre uma combinação com o parceiro que defende e para este o ponto de referência principal é o bloqueio.

 

Cont. no art. 07, com outra qualidade indispensável; Velocidade de Deslocamentos

 

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