Técnica Individual - Art. 60

- Ataque.

- Exercícios para a Aprendizagem e o Aperfeiçoamento da Técnica Individual.

- Seqüência de Exercícios no. 8.

- Objetivos: aprendizagem das Bolas de Tempo.

Recapitulando, nas seqüências de exercícios, apresentadas até este ponto, o objetivo foi o de propiciar subsídios para facilitar o trabalho de professores, envolvidos em processos de aprendizagem, e de treinadores de equipes competitivas. Começamos com as bolas altas e passamos pelas meias-bolas. Tive a preocupação de ser o mais detalhista possível e, sobretudo, de fornecer argumentos plausíveis.

Acredito piamente que minha missão não é a de fornecer "receitas de bola", ou seja, exercícios e mais exercícios para serem copiados. Como que, em sendo, o problema está resolvido; os objetivos serão alcançados. Meu intuito tem sido contribuir para que professores e treinadores possam utilizar argumentos, subsídios, etc, para raciocinar. Não existe jogador igual a outros, time igual a outros, etc. Cabe a cada qual selecionar o que é adequado ao seu jogador, ao seu time. Ou, tomar os exercícios como base para criar variações e até mesmo outros.

Daqui para frente, passaremos a apresentar seqüências para a aprendizagem e o aperfeiçoamento das Bolas de Tempo. Na minha opinião a bola que os atletas têm mais dificuldade de aprender e os treinadores de ensinar.

 

63 - No diagrama a seguir, a representação gráfica da movimentação - passo a passo - do exercício.

1 - O jogador inicia o exercício de pé sobre um plinto de mais ou menos 1 m de altura e a cerca três metros, perpendicularmente em relação à rede (1).

2 - Salta e cai com os dois pés paralelos e em "boa base", sobre uma superfície macia (colchão de ginástica, colchonete, etc) (2).

3 - Dá uma passada bem longa (3), junta os pés e salta (4) e salta. O salto tem que ser absolutamente vertical. A distância entre o corpo do jogador e a rede deve ser em torno de meio metro, de maneira que a bola fique entre o jogador e rede, como está demonstrado na figura.

4 - Já no ar, recebe a bola, alçada pelo treinador - em movimento de maneira que a trajetória da bola seja bem rápida - à sua frente, e ataca no exato momento em que o corpo se encontra no "ponto morto" da impulsão (4).

 

O treinador fica posicionado paralelamente, em relação à rede, coloca a bola sobre a palma da mão, eleva o braço, até a altura de sua cabeça, e alça-a após o salto do atacante. A idéia é diminuir ao máximo a trajetória da bola; a bola não sobe mais do que 1 metro. Na figura a seguir, um desenho demonstrando o posicionamento do treinador e da bola.

 

64 - Idem 65. A diferença é o ponto em que a bola é atacada. No 63, a bola é alçada na frente do braço do atacante. Neste, a mesma é alçada ligeiramente à direita do atacante, mais exatamente sobre a cabeça do treinador. É o ataque da Bola de Tempo Cabeça Frente, Positiva.

65 - Idem 64. Agora, a bola é alçada ligeiramente à esquerda do atacante. É o ataque da Bola Tempo Cabeça Frente, Esquerda.

Notas

As variações das trajetórias, Positiva (a bola atacada ligeiramente à direita) e Esquerda (a bola atacada ligeiramente à esquerda), estão apresentadas detalhadamente em capítulos precedentes.

Na figura a seguir, um exemplo da trajetória das Bolas de Tempo em suas três variações: na 1, a Bola de Tempo Normal; na 2, a Positiva; e na 3, a Esquerda.

 

66 - Idem 65, com a bola alçada imediatamente atrás do ponto em que o treinador está posicionado; é a preparação da Bola de Tempo Cabeça Atrás.

 

67 - A mesma mecânica dos exercícios anteriores. O plinto colocado a cerca de 3 metros, em relação ao ponto em o levantador está colocado. O treinador alça a bola de modo que a mesma seja reta e bem rápida. É a Bola de Tempo "Chutada de Meio". Na figura a seguir, o exemplo da maneira que o treinador deve alçar a bola e da trajetória da bola.

 

68 - Existe dois tipos de "China" com 1 Pé. Uma mais curta, isto é, imediatamente após o ponto em que o levantador está posicionado, e uma mais afastada deste ponto, ou seja bem na extremidade da rede. Este exercício é para a aprendizagem da primeira. O plinto, desta feita fica colocado obliquamente, em relação à rede. O jogador salta, cai com os dois pés, executa uma passada só com o pé esquerdo, salta e ataca a bola. O treinador alça a bola imediatamente após o ponto em que está posicionado.

No diagrama a seguir, a representação gráfica, sob a visão do alto, que exemplifica o exercício. A linha de cima simboliza a linha central da quadra; a de baixo a linha de ataque. Os retângulos em amarelo significam os pés do atacante. O círculo em verde representa o ponto em que o levantador está posicionado.

 

69 - Idem 68, agora com a "China" mais afastada. A diferença é que o atleta salta do plinto, cai com os dois pés paralelos, da uma passada bem comprida (com a perna direita), abre uma outra (com a perna esquerda) e, no momento em que o pé desta tocar o chão, salta e ataca. O treinador lança uma bola cuja trajetória é mais comprida.

No diagrama a seguir, é possível reparar as passadas, isto é, dois pés juntos, direita, esquerda e salto e o ataque na extremidade da rede.

 

- Aspectos a serem observados durante a execução dos exercícios.

 

A bola de tempo, como o nome mesmo diz, é atacada em um tempo exato. O atacante salta e ataca no exato momento em que seu corpo está parado no ar; no "ponto morto" da impulsão. Durante a execução o treinador de cobrar máxima velocidade dos seus jogadores. Ou seja, do momento em que saltam do plinto até o golpe na bola, todos os movimentos - passada, salto, movimento do tórax e dos braços - devem ser realizados com a maior velocidade possível.

Aspecto da maior importância é a amplitude da passada que precede o salto. Deve ser bem comprida. É o principal fator para um salto bem equilibrado e para que o corpo não fique muito próximo da rede, no momento do ataque. Como mencionado antes, a distância entre o corpo do jogador e a rede tem que ser de, pelo menos, 0,5 m. Menos que isso o jogador fica com os movimentos do braço tolhidos, ou seja, fica impossibilitado de maior amplitude e corre o risco de tocar na rede.

Nas variações da bola de tempo, o procedimento do atacante, no momento do salto, difere de uma para outra. Na figura a seguir, uma visão do alto para exemplificar a movimentação do atacante. A linha azul significa a linha central da quadra; a setas a movimentação do atacante; os círculos amarelos o posicionamento do levantador.

Na (1) na Bola de Tempo Normal, o atacante salta na frente do levantador.

Na (2) Positiva, ele salta na direção em que o treinador está posicionado, que alça a bola sobre sua própria cabeça e... sai da frente.

Na (3) Esquerda, o atacante faz a aproximação igual à da Positiva. No exato momento do salto, o jogador força mais o pé direito, para a impulsão, o que faz com que seu corpo gire, sobre seu próprio eixo longitudinal, no sentido anti-horário.

Na (4) Cabeça Atrás, o atacante faz a aproximação como se fosse atacar a positiva e ataca a bola atrás da cabeça do levantador.

 

A aprendizagem da bola de tempo é bastante difícil. O processo pode ser lento. O tempo que se pode levar nesta primeira etapa será recuperado depois. Acelerar o processo pode implicar na aquisição de "vícios" de execução impossíveis de serem tirados depois. É muito importante que o jogador assimile a execução com os exercícios apresentados, antes de começar atacá-la com o levantamento do levantador. A última passada antes do salto, o equilíbrio do corpo no ar e o afastamento do corpo, em relação à rede, são componentes da maior importância para que um jogador adquira a correta técnica do ataque das bolas de tempo.

 

Cont. no art 61, com outra seqüência de exercícios.

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