Téc. Individual - Art. 51

Ataque

- Elementos Fundamentos da Técnica Individual.

- Procedimentos que influenciam o Ataque (continuação)

 

- O Golpe - momento final do ataque.

Como vimos anteriormente o ataque resulta de uma série de procedimentos, todos indispensáveis para o sucesso do mesmo e, consequentemente, para tornar o atacante capaz e autoconfiante no desempenho das suas atribuições. O Golpe na Bola é o momento final da sequência e igualmente importante.

 

- Quanto ao Posicionamento do Eixo do Corpo, em relação à bola.

 

Na representação gráfica a seguir, coloco de modo hipotético uma linha vertical interrompida significando o eixo longitudinal do corpo do atleta. Neste, está a cabeça e a coluna vertebral.

 

 

- Eixo do Corpo

No ataque o eixo longitudinal do corpo é componente da maior importância, por envolver a mecânica do movimento. É explicação para a eficácia e/ou a ineficácia dos golpes.

 

- Bola sobre o Eixo do Corpo.

 

É o ponto ideal em que a bola deve ser atacada, pois permite o golpe para os dois flancos com igual facilidade.

Por exemplo:

- um ataque na entrada da rede o atacante terá a mesma facilidade para golpear a bola tanto à esquerda (paralela) quanto à direita (diagonal);

- se o atacante deixar a bola passar para a esquerda do eixo, encontrará maior facilidade para o golpe à sua esquerda (paralela), n o entanto, terá in-vi-a-bi-li-za-do, mecanicamente, o golpe para a sua direita (diagonal).

- se golpear a bola à direita do eixo, encontrará facilidade para o ataque na diagonal, todavia terá o golpe para sua esquerda, mecanicamente, in-vi-a-bi-li-za-do.

Na Aprendizagem este é um fator a ser considerado. O professor/treinador deve estar atento, a fim de que seus alunos/atletas não desenvolvam "vícios" que os limitem no momento em que atuarem em níveis de maior competitividade, nos quais terão que atacar diante de bloqueadores experientes.

Na foto a seguir, Rodrigão, da Seleção Brasileira, momento antes de atacar uma bola. Repare que a mesma está rigorosamente sobre o eixo do seu corpo. Neste caso, é possível o golpe para os dois flancos da quadra com a mesma desenvoltura.

 

 


 

- Bola à Direita do Eixo do Corpo.

 

Na entrada da rede, torna o ataque para a direita - diagonal - mais fácil. O golpe para a paralela, entretanto, torna-se praticamente inviável (fig 1).

Na saída da rede ocorre o contrário, ou seja, o golpe mais fácil é para a paralela e o mais difícil para a diagonal (fig.2).

Nas figuras a seguir (1 e 2), o ponto em que a bola é atacada, e o eixo do atacante (linha vertical pontilhada).

 

 

É apropriado:

- na entrada da rede, para que a bola passe fora do alcance do bloqueio (fig.3);

- na saída da rede, para o ataque na paralela e/ou a "explorada" do bloqueio (fig. 4).

 

Nas figuras (3 e 4) a seguir, por exemplo, o espaço que um bloqueio duplo ocupa. Repare que é defronte ao eixo do corpo do atacante (linha vertical pontilhada).

Na entrada da rede, torna o ataque para a direita, diagonal, mais fácil. O golpe para a paralela, entretanto, torna-se praticamente inviável (fig 3).

Na saída da rede ocorre o contrário, ou seja, o golpe mais fácil é para a paralela, e o mais difícil para a diagonal (fig.2).

 

 

Notas

- Citaria dois exemplos bem marcantes de dois atletas, notáveis, que usavam o golpe levando em conta o eixo do corpo. Vera Mossa, ex-atleta da Seleção Brasileira, na década de 70, ataca à direita do eixo do seu corpo e ainda pegava a bola na face centro-esquerda. Ora, o bloqueio postava-se em frente ao seu corpo considerando que ela fosse atacar a bola sobre o eixo. Ela se antecipava e desferia o golpe quase que um metro à direita do mesmo, ou seja, fora do alcance dos bloqueadores. Por essa opção, natural ou tática, tornava-se uma atleta difícil de ser parada pelos bloqueios.

Karch Kirally, norte-americano, campeão olímpico na quadra e na praia, um dos jogadores mais brilhante de todos os tempos, utilizava, por opção tática, os golpes à direita ou à esquerda do eixo. Com o bloqueio duplo, ele antecipava-se e golpeava a bola bem à direita do seu eixo. Quando atacava diante de um bloqueio simples, e quando todo mundo esperava o ataque, óbvio, para diagonal, ele deixava a bola passar para a esquerda do eixo e a atacava para a paralela. Esta variação complicava a tarefa dos bloqueadores.

Mais recentemente, Nalbert, da Seleção Brasileira, além de ser uma atacante de muitos recursos, golpeia a bola bem, mas bem à direita do seu eixo. Não é por acaso que consegue atacar bolas na diagonal, até dentro da zona de ataque da quadra adversária.

- O Atacante - sinistro - golpear a bola à direita do seu eixo, para a diagonal, não é recomendável. O posicionamento do corpo e os movimentos do braço ficam esdrúxulos; parece que o atacante está meio desajeitado. O ideal é que na primeira aproximação para o ataque o jogador se desloque para dentro da quadra e, na aproximação final, de frente para a bola. Isto é, colocando a mesma sobre seu próprio eixo. No momento do golpe, aí sim, ele se antecipa e pega a bola ligeiramente à direita do eixo.

- Num jogo este espaço varia, dependendo da percepção dos bloqueadores ou de acordo com a estratégia de bloqueio da equipe adversária.

 


 

- Bola à Esquerda do Eixo do Corpo.

 

Na entrada da rede, torna o ataque para a esquerda - paralela - mais fácil. O golpe para a diagonal, entretanto, torna-se praticamente inviável (fig. 5). Na saída da rede ocorre o contrário, ou seja, o golpe mais fácil é para a diagonal e o mais difícil para a paralela (fig. 6).

Nas figuras (5 e 6) a seguir, o ponto em que a bola é atacada, e o eixo do atacante (linha vertical pontilhada).

 

É apropriado:

- na entrada da rede, para o ataque na paralela e/ou a "explorada" do bloqueio (fig. 7).

- na saída da rede, para a diagonal, uma vez que a bola passe fora do alcance do bloqueio (fig. 8).

Nas figuras (7 e 8) a seguir, o espaço que um bloqueio duplo, por exemplo, ocupa. Repare que é defronte ao eixo do corpo do atacante (linha vertical pontilhada).

 

 

Notas

- O Atacante - destro - golpear a bola à esquerda do seu eixo para a diagonal não é recomendável. O posicionamento do corpo e os movimentos do braço ficam esdrúxulos; parece que o atacante está meio desajeitado. O ideal é que na primeira aproximação para o ataque o jogador desloque-se para dentro da quadra e na final de frente para a bola. Isto é, colocando a mesma sobre seu próprio eixo. No momento do golpe, aí sim, ele se antecipa e pega a bola ligeiramente à esquerda do eixo.

- Convém repetir que o posicionamento do bloqueio varia, dependendo da percepção dos bloqueadores ou de acordo com a estratégia de bloqueio da equipe adversária.

- Nunca é demais salientar que o golpe ideal, tanto para a direita quanto para a esquerda, é quando a bola está rigorosamente sobre o eixo do atacante. Deixar passar um pouco para a direita e/ou para esquerda é opção tática circunstancial/eventual. Se for prática comum, os bloqueadores adversários percebem e, conseqüentemente, dificultam bastante a ação do atacante.

 

Cont. no art. 52, com O Golpe - Habilidade.

 

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