Téc. Individual - Art. 45

Elementos e Recursos Fundamentais para a Técnica Individual no Bloqueio e Manobras - Parte II.

- Exercícios para a Aprendizagem e Aperfeiçoamento do Bloqueio após Deslocamentos.

- Exercícios de Bloqueios Consecutivos em Duas ou Mais Posições (Ataques por Companheiro) - continuação do art. 44.

141 - Idem 138 (clique para ver), com 5 e 9 bloqueios consecutivos, começando e terminando no meio (142-143).

 

BE: - 5 saltos consecutivos; - pt. 3 - pt. 1 - pt. 3 - pt. 5 - pt. 3,
    - pt. 6 - pt. 8 - pt. 6 - pt. 4 - pt. 6
     
  - 9 saltos consecutivos; - pt. 3 - pt. 1 - pt. 3 - pt. 5 - pt. 3 - pt. 1 - pt. 3 - pt. 5 - pt. 3;
    - pt. 6 - pt. 8 - pt. 6 - pt. 4 - pt. 6 - pt. 8 - pt. 6 - pt. 4 - pt. 6.

 

BM: - 5 saltos consecutivos; - pt. C - pt. 6 - pt. C - pt. 3 - pt. C,
     
  - 9 saltos consecutivos; - pt. C - pt. 6 - pt. C - pt. 3 - pt. C - pt. 6 - pt. C - pt. 3 - pt. C.
     

 

Na divisão da rede a seguir, estão colocados os pontos em que o jogador tem que saltar para o bloqueio. Isto é, salta em ponto X, desloca, salta em ponto Y, desloca, salta em ponto Z, e assim por diante, até completar toda a seqüência.

144 - Combinando uma Passada Lateral e uma Cruzada. Executar 2, 4 e 8 bloqueios consecutivos (145-146).

 

BE: - 2 saltos consecutivos; - pt. 3 - pt. 0,
    - pt. 6 - pt. 9.
     
  - 4 saltos consecutivos; - pt. 3 - pt. 0 - pt. 3 - pt. 0,
    - pt. 6 - pt. 9 - pt. 6 - pt. 9.
     
  - 8 saltos consecutivos; - pt. 3 - pt. 0 - pt. 3 - pt. 0, - pt. 3 - pt. 0 - pt. 3 - pt. 0,
    - pt. 6 - pt. 9 - pt. 6 - pt. 9 - pt. 6 - pt. 9 - pt. 6 - pt. 9.

 

BM: - 2 saltos consecutivos; - pt. C - pt. 1,
    - pt. C - pt. 8,
     
  - 4 saltos consecutivos; - pt. C - ponto 8; pt. C - pt. 1 - pt. C - pt. 1;
     
  - 8 saltos consecutivos; pt. C - pt. 8 - pt. C - pt. 8; pt. C - pt. 1 - pt. C - pt. 8

147 - Idem 144, com 5 e 9 bloqueios consecutivos, começando no meio, deslocando para os dois lados e terminando no meio (148-149).

BE: - 5 saltos consecutivos; - pt. 3 - pt. 0 - pt. 3 - pt. 6 - pt. 3,
    - pt. 6 - pt. 9 - pt. 6 - pt. 3 - pt. 6.
     
  - 9 saltos consecutivos; - pt. 3 - pt. 0 - pt. 3 - pt. 6 - pt. 3 - pt. 0 - pt. 3 - pt. 6 - pt. 3;
    - pt. 6 - pt. 9 - pt. 6 - pt. 3 - pt. 6 - pt. 9 - pt. 6 - pt. 3 - pt. 6;

 

BM: - 5 saltos consecutivos; - pt. C - pt. 3 - pt. C - pt. 6 - pt. C,
     
  - 9 saltos consecutivos; - pt. C - pt. 3 - pt. C - pt. 6 - pt. C - pt. 3 - pt. C - pt. 6 - pt. C;

 

150 - Intercalando Passadas Laterais, com combinações de Passadas Laterais/Cruzadas. O jogador executará 9 bloqueios consecutivos. Para as distâncias menores, o deslocamento será com uma Passada Lateral e, para as maiores, combinar uma Passada Lateral e uma Cruzada.

BE: Início no ponto 3 - ponto 3 - Lateral - ponto 2 - Lateral - ponto 3 - Lateral - ponto 4 - Lateral - ponto 3 - Lateral/Cruzada - ponto 0 - Lateral/Cruzada - ponto 3 - Lateral/Cruzada - ponto 6 - Lateral/Cruzada - ponto 3
  Início no ponto 6 ponto 6 - Lateral - ponto 7 - Lateral - ponto 6 - Lateral - ponto 5 - Lateral - ponto 6 - Lateral/Cruzada - ponto 9 - Lateral/Cruzada - ponto 6 - Lateral/Cruzada - ponto 3 - Lateral/Cruzada - ponto 6.

 

BM: Início no ponto 3 - ponto C - Lateral - ponto 3 - Lateral - ponto C - Lateral - ponto 6 - Lateral - ponto C - Lateral/Cruzada - ponto 1 - Lateral/Cruzada - ponto C - Lateral/Cruzada - ponto 8 - Lateral/Cruzada - ponto C.

Exemplo da seqüência para o bloqueador de meio:

Notas

- A setas menores representam os deslocamentos por meio da Passada Lateral. As maiores, os deslocamentos por meio de uma Passada Cruzada e uma Lateral.

- Este exercício é de alto grau de dificuldade. Requer excepcionais coordenação, velocidade, equilíbrio e impulsão. A fim de realizá-lo com desembaraço e velocidade máxima é necessário grande apuro na execução dos deslocamentos e do fundamento. Ou seja, há toda uma progressão, apresentada nos artigos precedentes. Vencidas, uma a uma, a etapas o atleta encontrará menor dificuldade em realizar o exercício.

 

- Erros mais Freqüentes.

 

- A execução do exercício com olhar exclusivamente nas bolas. Isso não é apropriado. Os jogadores que alçam as bolas e o que atacam cometem muitos erros - sobretudo no tempo do ataque - o que só é percebido se o jogador estiver olhando também para a movimentação dos atacantes.

- Queda em desequilíbrio, dificultando os deslocamentos e bloqueios subseqüentes.

- Dificuldade de coordenar a chegada após o deslocamento e o salto. No caso, há o comprometimento do fundamento.

- Nas séries de 8 e 9 bloqueios, no afã de executar com pressa ou pelo cansaço, os erros aumentam, comprometendo o fundamento. O treinador deve enfatizar que a velocidade‚ é no deslocamento. Todos os bloqueios têm que ser executados perfeitamente.

Notas

- As distâncias colocadas nos Exercícios sugeridos podem ser alteradas para adequações individuais. Para equipes de base, a divisão da rede, utilizada como referência, deve sofrer subdivisões, a critério do treinador.

- Nos Exercícios com ataques por companheiro, é grande o número de bolas que ficam rolando sob a rede, na área em que os jogadores estão se exercitando. É grande o risco de contusões. O treinador deve dividir os jogadores, da seguinte maneira:

um jogador executando os deslocamentos e os bloqueios; tantos quantos forem necessários para atacar; tantos quanto forem necessários para alçar as bolas e os demais para controlar as bolas que rolam sob a rede.

- No treinamento para iniciantes o treinador deve alçar as bolas. Embora pareça fácil, a tarefa requer perícia. As bolas mal alçadas (muito próximas ou afastadas da rede, muito altas ou muito baixas) prejudicam o ritmo do exercício e provocam extrema irritação ao atleta que está praticando. No treinamento de jogadores mais experientes, os mais "malandros" utilizam o expediente de alçar mal a bola, a fim de tumultuar o exercício e, com isso, terem mais tempo para descanso. Também para irritar, por brincadeira, o companheiro, já muito cansado, que está praticando

- Exercícios para Bloqueios de Tendão são ineficazes por não permitirem ataques consecutivos. Nas manobras táticas serão treinados apropriadamente.

- Os 150 Exercícios sugeridos devem ser usados coordenadamente com os de bloqueio/fundamento - artigos apresentados em Técnica Individual. Teremos centenas de Exercícios que devem ser distribuídos no treinamento global, evitando uma rotina que sature os jogadores.

A título de curiosidade, em 1981, no treinamento das seleções brasileiras júnior e adulta, foi estabelecido como prioridade a melhoria substancial do bloqueio. Éramos inferiores em relação aos melhores equipes do mundo. O treinador chefe, Bebeto de Freitas, incumbiu-me da tarefa. Foram registrados 101 treinamentos específicos na temporada, com duração média de 3 horas. Nas seleções juniores (de 1989) e adulta (de 1990) utilizei-me de muitos dos Exercícios colocados aqui. Os jogadores não agüentavam mais me ver e muitas vezes ouvi comentários jocosos como: "Por que esse desgraçado não cai da moto (sempre fui motociclista)?" Todavia o importante‚ que o objetivo foi atingido e passamos a bloquear tão bem quanto aquelas equipes; em alguns casos, até melhor. Resumindo, é relevante montar um treinamento variado, para não só não ouvirmos "coisas", como também tornar o mesmo suportável, embora atingindo o limite máximo dos jogadores.

 

- Conclusão.

Nos artigos precedentes, tive a intenção de enfatizar a importância de uma correta técnica individual no bloqueio, que‚ é constituída de mínimos detalhes. Considero fundamental a conscientização dos jogadores para essa importância, pois o treinamento‚ é profundamente maçante. Com a experiência obtida em todos esses anos, aprendi que o jogador se motiva quando a progressão dos Exercícios é gradual (do mais simples para o mais complexo), quando compreendem e participam dessa progressão e quando "conseguem" realizar os bloqueios. Coloquei conseguem entre aspas porque muitas vezes os Exercícios ministrados não são apropriados (fato muito comum nas divisões de base) e os jogadores, por não conseguirem bloquear, "executam" as ordens do treinador. Perdem a motivação, desestimulam-se, desistem e não pegam gosto pelos treinamentos.

Certa vez, estava dando um treinamento de bloqueio para uma equipe infanto-juvenil (até‚ 17 anos) e instruí aos cortadores que atacassem na direção do bloqueio, para que os bloqueadores, treinassem e não os cortadores. Benedito da Silva, o Bené, participava dos treinamentos fazendo correções e dando "broncas"), sempre arrastando o "R" quando repreendia ((tinha um jeito carinhoso de tratar os jogadores, embora com palavrões, mas sem qualquer ofensa). Ficava furioso quando alguém atacava no bloqueio. Não admitia; achava burrice e ficava descontrolado. Obedecendo à minha determinação, um garoto atacou uma bola no bloqueio . Bené‚ o chamou e disse: "molecão , vire o corrrpo e ataque para a diagonal". O garoto deu de ombros e saiu para atacar outra bola, novamente no bloqueio. Bené‚ voltou a chamá-lo e , mais irritado , repetiu a dica: "molecão vire o corrrpo e ataque para a diagonal". O garoto não deu ouvidos e mais uma vez saiu para outra cortada, no bloqueio. Aí veio a bronca: "sua merrrda...já falei para virar o corrrpo e atacarrr na diagonal ! "O garoto, então, embaraçado defendeu-se: "o Jorjão mandou cortar no bloqueio para treinar". Perplexo Bené esbravejou: "o Jorrrge está maluco, nunca ví ninguém treinar para ficar no bloqueio !" Retirou-se resmungando: "esse Jorrrge não entende merrrda nenhuma de voleibol !" Nunca ri tanto em minha vida.

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