Téc. Individual - Art. 37

Elementos e Recursos Fundamentais para a Técnica Individual no Bloqueio - Parte I

- Fundamento - Bloqueio Parado.

- Ataque dos Companheiros em Bolas alçadas pelo Treinador.

- Objetivos dos Exercícios.

- Desenvolver o tempo de bloqueio numa situação próxima da real.

- Desenvolver a percepção de direção dos ataques.

- Familiarizar os bloqueadores com os impactos da bola.

 

- Seqüência de Exercícios 02 Parte III.

 

Exercício 48 - O treinador alçando bolas em diferentes alturas (fig a seguir). Atacantes cortando sem desviar do bloqueio. Jogador espera na posição fundamental e, no momento exato da cortada, salta para o bloqueio. É vital que o bloqueador olhe os movimentos do cortador, para perceber a direção que este dará à bola.

 

 

Exercício 49 - Idem 48, com os companheiros cortando, deliberadamente, para a direita. O bloqueador salta e movimenta os braços para a direção da bola. O exercício, como vimos antes, deve ser feito no centro e nas duas extremidades da rede.

Exercício 50 - Idem 49, com ataques para a esquerda.

 

- Erros Mais Freqüentes.

 

- Dificuldade em bloquear no tempo certo, saltando antes ou depois do momento exato do ataque. Quando antes, o bloqueio é feito na descida do corpo, geralmente fora do equilíbrio perfeito. Quando depois, as mãos "rebatem" a bola. O ideal é que a bola volte direto para o chão.

- Dificuldade de percepção da direção dos ataques, na maioria dos casos por olhar exclusivamente para a bola.

- Execução incorreta do fundamento, isto é, sobretudo na colocação correta dos braços e mãos, no posicionamento dos braços - angulação adequada em relação à rede.

- Dificuldade para manter o espaço que deve ter entre o corpo e a rede, de modo geral em virtude da ânsia de realizar o bloqueio.

- Desequilíbrio do corpo após o impacto da bola nas mãos.

Notas

- A partir dos Exercícios com ataques pelos companheiros, os erros passam a ser motivados também por medo do impacto da bola. Há jogadores que adquirem hábitos - dificílimos de serem corrigidos - e os carregam pelo resto de suas carreiras. Um recurso que dá resultado é esvaziar um pouco as bolas, diminuindo assim a contundência do impacto. Um outro é o a execução dos exercícios utilizando um par de luvas (daquelas de lixeiro, mencionada anteriormente).

- Para os iniciantes o treinador deve orientar uma adequação. Iniciar as seqüências com ataques menos fortes até que os jogadores assimilem a execução dos exercícios. De modo gradativo aumentar a força das batidas na bola. De nada adianta dar pancadas muito fortes para atletas que ainda não conseguiram, sobretudo, perceber o tempo exato do salto e colocação das mãos. Na minha opinião, é ficar repetindo erros. A repetição é válida quando a execução dos fundamentos é correta.

Conclusão do Bloqueio Parte I - Fundamento Parado.

As seqüências de Exercícios apresentados visam exclusivamente à aprendizagem e ao aprimoramento do fundamento. Passaram-se os anos e o fundamento pouco mudou. Mudaram os deslocamentos (na maneira e na velocidade), a estatura e condicionamento físico dos bloqueadores, as manobras táticas em virtude da multiplicidade de jogadas e as características dos atacantes. Todas estas mudanças, todavia não influíram significativamente na execução do fundamento.

A dificuldade é, cada vez maior, para a colocação dos bloqueadores no local em que o ataque é concretizado. É muito difícil apontar o que‚ é mais importante para a eficácia de um bloqueador; se a velocidade com que se desloca, sua impulsão ou a noção exata do tempo de bloqueio. Seja o que for, de nada adiantará se não possuir uma apurada técnica individual; um bom fundamento.

É muito comum jogadores com excepcionais estaturas e impulsão que atacam com extrema eficácia, mas não são bons bloqueadores. Dentre as causas, paradoxalmente, está a grande estatura e alcance. Ou seja por possuí-las pensam que é só o que basta para bloquearem. Não se dispõem a aprender a técnica, os deslocamentos e o tempo de bloqueio; fatores fundamentais para um bom bloqueador.

Considero uma função importantíssima dos treinadores, fazerem com que seus jogadores gostem de treinar o bloqueio, pois o treinamento é extenuante, requer muita concentração e paciência, além de não "dar aplauso".

Tive a preocupação de apresentar os exercícios detalhando a mecânica, os objetivos, os erros mais freqüentes e tecí comentários resultantes da experiência vivida em treinamentos nos mais diferentes níveis de jogadores, do iniciante ao profissional. A primeira intenção é a de que qualquer jogador de voleibol, professor de escola, treinador de equipes de base, treinador de equipes de competição "classe A", possa encontrar aqui idéias e elementos suficientes para desenvolver e aperfeiçoar seu trabalho. Como segunda intenção, pretendo também que aficcionados, e até mesmo iniciantes na aquisição do conhecimento do voleibol moderno, possam tirar proveito de todo o exposto.

Para finalizar, gostaria de colocar um aspecto para reflexão. Com a introdução dos sets de 25 pontos pelo sistema de "rally-point", existe muita gente fazendo apologia, de que o mais importante para uma equipe é possuir saque e ataque eficazes. Concordo que é muito, mas não sei se é o mais importante. O que se verificou ao longo da história e, mencionei anteriormente, é que os ataques sempre evoluíram e os bloqueios se adaptaram à essas evoluções e, em questão de tempo, voltaram a serem eficazes. Considerando este aspecto histórico, penso ser justo supor que diante de um ataque forte uma maneira para atenuar seu efeito, já utilizada, é um saque poderoso. As outras, uma tendência histórica: o aperfeiçoamento do sistema defensivo, pela atuação eficaz do bloqueio e da defesa. Na minha opinião, na Olimpíada de Sydney tivemos uma demonstração. Iugoslávia, Rússia e Itália foram as equipes que demonstraram, além de saque acima da média, maior equilíbrio entre as ações ofensivas e defensivas. Bem, pensem.

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