- Valências Orgânicas.
- Fatores Limitantes da Performance Decorrentes da Insuficiência da Capacidade Aeróbica (em reformulação).
Existe uma discussão em torno da validade do treinamento com característica aeróbica para atletas de voleibol. Alguns elementos são apresentados a fim de embasarem a opinião.
1 - O voleibol é desporto predominantemente anaeróbico. É constituído por estímulos de curta duração, em que são requeridas máximas força explosiva, velocidades, de deslocamentos e de movimentos.
2. - O objetivo com a preparação física é buscar a obtenção/melhoria de valências específicas, requeridas pelo jogo propriamente dito.
3 - O treinamento para obtenção/melhoria da capacidade aeróbica contribui para desenvolver fibras vermelhas, de contração lenta, ao invés de fibras brancas, de contração rápida, essenciais para a atividade anaeróbica (peculiares ao voleibol). Ou seja, é considerada atividade antagônica.
4 - O treinamento global tem que ser objetivo. Na preparação física, busca pelas valências específicas. Na preparação técnica-tática, implementação de atividades polivalentes. Tudo, tendo em vista diminuir ao máximo o desgaste a que os atletas são submetidos.
Sobre estes pontos, todos razoáveis, creio não se tem dúvidas. Entretanto, existe o contraditório, os quais devemos considerar.
1 - Atletas de alta competitividade, de modo geral, possuem, em níveis elevadíssimos, todas as valências requeridas pelas modalidades que praticam. A pergunta é: de que maneira, por quais meios, chegam a estes níveis? Nos paises mais desenvolvidos, esportivamente falando, o indivíduo tem a educação física e prática de esportes ao longo de todo o currículo escolar, isto é, desde as mais tenras idades. Pude verificar, “in-loco”, nos Estados Unidos, Canadá, Cuba, e países do leste europeu – antes da queda do sistema comunista. O atleta chega pronto às equipes de alta competitividade como, por exemplo, seleções nacionais. Isto é, possuindo todas as valências físicas indispensáveis à atividade competitiva de alto nível.
2 - Ao longo de suas vidas têm oportunidade de adquirir, por exemplo, capacidades orgânicas – aeróbica/anaeróbica – e massa muscular esquelética; ambas fundamentais, como base, para a aquisição de outras valências. Foram obtidas com atividades naturais (caminhadas, corridas, natação, remo, jogos, etc.) e com sessões específicas: de corrida, de musculação, de resistência muscular localizada, de velocidade, de flexibilidade, etc.
3 - Atletas com bom condicionamento aeróbico encontram-se aptos a receberem treinamentos de diferentes durações e intensidades com vistas ao alcance de elevadas performances.
4 - O oposto ocorre em paises menos desenvolvidos, que não possuem política de saúde e educação. É comum o indivíduo chegar a equipes de alto nível absolutamente carentes de boa saúde e de bom condicionamento físico. Como treinador de seleções brasileiras – de todas as categorias e de ambos os sexos – presenciei a chegada de atletas com vários focos dentários, anemia entre outras graves problemas de saúde.
Nota
No primeiro caso, por exemplo, o treinamento aeróbico é dispensável. Segundo estudiosos o ganho é insignificante. No segundo, não, é possível obter-se melhoria em torno de trinta por cento.
Diante dos argumentos mencionados, creio que é possível levantar os seguintes elementos.
1 – Quanto melhor a saúde geral do atleta melhor será seu aproveitamento com o treinamento global.
2 – O atleta que possui bom condicionamento aeróbico nada perde. De modo geral, possui maior base para receber o treinamento físico específico (valências funcionais e estimulação anaeróbica) e o técnico-tático.
O que diferencia atletas que possuem e que não possuem boa capacidade aeróbica?
1 - Elevado VO2 Máximo, pressupõe maior capacidade muscular para assimilação e adaptação aos rigores decorrentes treinamento global; quer em relação à duração quer em relação à intensidade. Isto é: do treinamento para obtenção/melhoria de valências específico-funcionais (força, resistência muscular, velocidade); treinamento técnico individual e treinamento tático coletivo. Ambos, indispensáveis para o alcance de elevados níveis de performance, em qualquer modalidade esportiva.
2 – Maior é capacidade da musculatura, de modo geral mais volumosa, de utilizar melhor a reserva energética, captar maior quantidade de oxigênio, que influem no desempenho por ocasião de treinamentos e jogos.
3- Facilita a recuperação da musculatura: de um treinamento para outro; de um jogo para outro; de um dia de competição para o outro. É fator extremamente importante em campeonatos internacionais, com jogos programados diariamente. Em Jogos Olímpicos, muitas vezes, uma equipe acaba um jogo as 22 h de um dia e inicia o outro as 10 h do seguinte.
4 – Facilita a adaptação às condições climáticas especiais; temperatura, umidade relativa do ar, pressão atmosférica, etc.
5 – Auxilia o atleta a suportar períodos longos de treinamento, sem perda de rendimento físico, coordenação motora, eficiência mecânica, envolvimento mental, controle emocional, etc.
Concluindo, alguns treinadores e preparadores físicos de equipes de alta competitividade mencionam, categoricamente, que não vale despender tempo com treinamentos de natureza aeróbica. Dividem o tempo entre o treinamento de valências específicas e o treinamento técnico-tático, ambos sob alta intensidade. Creio que têm razão. Todavia, é preciso atentar para o fato de que a boa capacidade orgânica é indispensável à atividade humana. Deve ser obtida por ocasião da formação global do indivíduo e estimulada em qualquer segmento esportivo, em qualquer fase da vida do indivíduo.Como o JUSTVOLLEYBALL tem em vista atender a todos os professores, treinadores e preparadores físicos, de todos os níveis de competitividade, a intenção é a de apresentar subsídios que contribuam para que os mesmos formem suas opiniões e façam as adaptações que julgarem válidas para melhorar seus trabalhos.