Estratégias / Táticas - Anexo do Artigo 83
- Breve evolução dos Bloqueios no confronto com as Combinações de Ataque.
Antes de abordarmos os procedimentos no bloqueio, considero útil fazer uma breve apresentação com a evolução das combinações de ataque, desde que foram criadas. Também, a evolução dos procedimentos no bloqueio, sempre, na tentativa de neutralizá-las.
De que maneira isso pode ser aproveitado? Como veremos a seguir, atualmente as combinações não são mais realizadas (como foram criadas) por equipes de alta competitividade. Mas podem ser utilizadas em outros níveis como, por exemplo, equipes de escolas, de base, etc. Logo, professores e treinadores podem encontrar aqui idéias para adotarem nas suas equipes e manobras de bloqueio para neutralizá-las.
Como vimos em artigos anteriores, desde que as combinações de ataque foram criadas houve muita evolução.Sobretudo, no que diz respeito à multiplicidade de alternativas. No início da década de 90, ao contrário da tendência, isto é, de que aumentasse tal multiplicidade, elas foram caindo em desuso. A razão, o aumento significativo da estatura dos atletas. O que resultou, conseqüentemente, no aumento da capacidade dos bloqueadores.
O raciocínio era colocar, pelo menos dois atacantes atacando num mesmo ponto da rede sob responsabilidade de um mesmo bloqueador.
No diagrama 1 a seguir, um exemplo, da Combinação Desmico da Cabeça (*). Um atacante (A1T) saltava para atacar uma bola de tempo. O bloqueador oponente tinha que saltar no mesmo tempo. Quando este estava caindo vinha um segundo (A2T) e atacava a bola, sem que o bloqueador tivesse tempo de executar outro salto para o bloqueio. E mais: o bloqueador da extremidade (B4) ficava completamente fora de ação.
Como B4 ficava fora de ação, passaram a colocá-lo para fazer o bloqueio de A1T. Cabia ao BC esperar o ataque do A2T. No diagrama 2, a seguir, o exemplo.
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Logo surgiu uma solução para tirar de ação um dos bloqueadores, no caso, o BC. A2T, iniciava o percurso para atacar no terço central da rede – B4 o acompanhava, trocava a direção e atacava na saída da rede – no caso, B4 impedia o deslocamento de BC para a esquerda. No diagrama 3, a seguir, o exemplo do artifício.
Na tentativa de amenizar o dano que as combinações causavam, os bloqueadores passaram a dividir as tarefas. Quando A2T se deslocava para o centro da rede, B4 saltava para o bloqueio de A1T, e BC esperava para o bloqueio de A2T. Quando A2T não se deslocava, B4 também não se deslocava para o centro da rede, e BC bloqueava A1T. Nos diagramas 3 e 4, a seguir, o exemplo da manobra.
O passo seguinte no confronto combinações - bloqueios foi dado pelos poloneses. Criaram um meio de dificultar ainda mais a tarefa de bloqueadores. Nos diagramas, 5 e 6, a seguir a representação da combinação.
No diag. 5, A2T se deslocava do seu posicionamento (pos. 2) e postava-se rigorosamente na linha correspondente ao ponto em que o levantador se posicionava para o levantamento (linha tracejada em verde). Neste ponto, observava a estratégias dos bloqueadores da equipe adversária. Ou melhor, quais entre os dois (BC ou B4) estava incumbido do bloqueio da 1a. Bola. Quando BC (diag. 5), ele pedia a bola no terço central da rede; B4 ficava fora de ação. Quando o B4 (diag. 6), pedia a bola na saída da rede; BC ficava fora de ação.
Não tardou, da mesma forma, a solução dos bloqueadores para diminuir a eficácia da tática. O BC saltava – sempre – para o bloqueio da 1a. Bola (de A1T). B4, posicionado rigorosamente atrás de BC, deslocava para a sua direita, quando A2T se encaminhava para o centro da rede (diag. 7). Para sua esquerda, quando A2T se encaminhava para a saída da rede (diag. 8).
Vale lembrar que nesta manobra os bloqueadores centrais, com boa estatura, conseguiam saltar para o bloqueio da 1a. Bola e dar um segundo salto para o bloqueio da 2a. Bola.
A grande evolução no ataque por meio de combinações, foi a inclusão de mais uma atacante; para o ataque da Bola do Fundo. Foram utilizados para ocupar o espaço proporcionado pelo deslocamento do atacante da 2a. Bola, o A2T. No diagrama 9, a seguir, o atacante da bola do fundo (ABF) ataca pela pos. 1, valendo-se do deslocamento de A2T para o centro da rede. No diagrama 10, também a seguir, A2T ataca pelo terço central da rede enquanto A2T ataca na saída da rede.
É possível reparar nos diagramas que o núcleo da combinação passou a ter três atacantes, atuando de forma coordenada e praticamente no mesmo tempo, ou seja, o espaço de tempo entre as três bolas tornou-se mínimo.
A estratégia para com os bloqueios, incontinenti, mudou. O raciocínio: dispor de mais um bloqueador para auxiliar no confronto contra os atacantes do núcleo da combinação. Quem? O B2, bloqueador da pos. 2, até então encarregado exclusivamente do bloqueio da bola na entrada da rede da equipe adversária. Ele passou a se posicionar mais para o centro da rede, de maneira que ficasse eqüidistante em relação à Bola de Ponta (de AP) e à 2a. Bola, de A2T, no diag. 11, ou à do Fundo, de ABF, ambas, que passam pelo terço central da rede. As setas em verde representam esta eqüidistância.
Esta estratégia de bloqueio e mais o significativo aumento média de estatura dos bloqueadores tornou-se um grande dificuldade. A freqüência de bloqueios duplos e até triplos nas bolas da combinação, pouco a pouco, foi inibindo e desestimulando a execução das mesmas.
Com o aperfeiçoamentos dos ataques das bolas do fundo, pelas pos. 1 e 6, isto é, realizadas praticamente no mesmo tempo em que as genuinamente de tempo, elas são realizadas cada vez menos.
Atualmente, são utilizadas muito esporadicamente, por equipes masculinas e, de modo diferente (será abordado posteriormente), por equipes femininas.