Estratégia/Tática - Artigo 29

 

Estratégias / Táticas Ofensivas - Levantamento e Ataque.

4 - Bolas de Tempo.

 

4.2.2 – "China" com 1 Pé na Saída da Rede.

 

É uma Bola de Tempo muito mais e largamente utilizada por equipes femininas. E com extrema eficiência. O própósito com sua execução é o de afastar, ao máximo, os bloqueadores da equipe adversária da extremidade oposta da rede (entrada da rede, pos. 4). Com isso, facilitar os ataques finalizados neste ponto.

 

Nota

Nas equipes masculinas e também nas femininas é utilizada com 2a. Bola das Combinações de Ataque.

 

- Maneiras de Execução.

Existem algumas diferenças. As mais relevantes dizem respeito à aproximação do atacante e, relacionada à mesma, a trajetória da bola.

1 – O atacante faz a aproximação final, salta e recebe a bola com o corpo em suspensão; é a genuína bola de tempo.

2 – O atacante finaliza sua aproximação final com a bola já descrevendo sua trajetória; não é uma bola rigorosamente no tempo.

Na representação gráfica a seguir, o exemplo. No primeiro caso, obviamente, o levantador impulsiona a bola tendo em vista dar maior velocidade e fazê-la descrever uma trajetória retilínea (trajetória em azul) No segundo, a trajetória é mais lenta, uma vez que, a bola descreve uma pequena curva (trajetória em vermelho).

 

 

A trajetória tem cerca de três metros, entre o ponto do levantamento (p.l.) e o ponto do ataque (p.a.);

 

- Aproximação Final para o Ataque.

 

O atacante realiza a aproximação final em duas etapas:

- primeira – aproxima-se na direção do levantador como o faz para uma bola Próxima do Levantador; Cabeça Frente e/ou Cabeça Atrás (linha tracejada em azul).

- segunda – continua a aproximação para o ponto em que ataca a bola, a cerca de 3 metros do ponto em que o levantador se encontra. (linha tracejada em vermelho).

Na figura a seguir, uma visão do alto. O atacante (saindo da pos. 3 e/ou 4) aproxima-se na direção do levantador. No último terço a zona de ataque (linha vertical e travessões em vermelho) muda de direção e parte para o ponto em que ataca a bola.

 

 

Notas

 

- Os atacantes da "China" com 1 Pé, de modo geral, alternam os ataques da Cabeça Frente, Cabeça Atrás com a "China". Esta é a razão da aproximação final em duas etapas. Na primeira ele finta que atacará uma bola próxima do levantador. Na segunda parte para o ataque da "China".

- Outra peculiaridade é a de que os atacantes, sobretudo no segundo caso, golpeiam a bola ao longo de toda sua trajetória; um pouco mais curta e/ou um pouco mais longa.

 

- Relação entre o Ponto do Levantamento e o Ponto do Ataque.

 

O levantador se posiciona na Zona de Ataque (ZN). O ponto do levantamento (p.l.) é entre o centro à extremidade de rede (saída da rede).

É variável:

- lateralmente (espaços com linhas tracejadas em verde), isto é, um pouco mais à direita um pouco mais a esquerda;

- quanto à altura em que o levantador toca na bola (linha vertical em laranja); significa mencionar que o levantador pode executar o levantamento com os pés no chão e/ou saltando.

 

O ponto do ataque (p.a.) é o mais próximo possível da antena limítrofe. A razão: impossibilitar o bloqueador central de compor o bloqueio duplo.

 

 

 


 

- Procedimentos do Levantador.

 

1 – Deslocar-se com máxima velocidade para a Zona de Levantamento (ZL).

2 – Posicionar-se com o corpo adequadamente em relação à bola.

Na representação gráfica a seguir, exemplos de posicionamentos em relação à bola. A linha vertical tracejada em vermelho simboliza o eixo do corpo do levantador. Em azul, o posicionamento ideal do corpo no momento da execução do toque para o levantamento. Isto é, com o corpo alinhado ao eixo. O levantador não dá indício de para onde irá a bola.Em vermelho, o corpo excessivamente projetado para trás. Não é apropriado. Os bloqueadores adversários depreendem que o levantamento só pode ser para trás. Qualquer levantamento para frente está mecanicamente inviabilizado.

 

 

Na foto a seguir, uma levantadora da Seleção Chinesa executando um levantamento de uma "China" com 1 Pé na Saída da Rede. Repare que a bola está rigorosamente sobre sua cabeça. Neste ponto ela pode levantar tanto para sua frente quanto para trás com a mesma facilidade.

 

 

Nota

 

- Uma levantadora da "China", Shang-Li, executava o levantamento com o corpo acentuadamente inclinado para trás. Só que era um artifício técnico individual de raríssima habilidade. Ela fingia que estava passando da bola e, num gesto rapidíssimo, inclinava o tronco e impulsionava a bola com extrema velocidade. Outra extraordinária levantadora, Fernanda Venturini, conseguia executar o levantamento apenas com uma das mãos.

 

3 – Executar o toque para o levantamento no ponto mais alto possível. Na figura a seguir, a bola no mesmo ponto do ataque. É possível comparar as trajetórias com o toque realizado por meio do toque com os pés no chão (levantador em azul) e após o salto (levantador em vermelho). A diferença é mínima, mas pode representar fração de tempo fundamental para o sucesso do ataque.

 

 

 

4 – Impulsionar a bola de maneira que a bola transcreva sua trajetória absolutamente retilínea. Ou, de acordo com a característica do atacante, de modo que a trajetória transcreva uma ligeira curva. Nas bolas que são levantadas fora da ZN, tentar dar a maior velocidade possível.

5 – Ajustar a distância e a altura da bola, em relação à rede, de acordo com a conveniência/capacidade de cada atacante.

6 – Após o levantamento, deslocar-se para o ponto que lhe cabe na disposição da cobertura do ataque.

 


 

- Procedimentos do Atacante.

 

1 – Deslocar-se, com a maior velocidade possível, do ponto em que estiver no momento do passe, para o ponto em que faz a aproximação final para o ataque. Na medida do possível, sempre à esquerda do levantador. De maneira que possa fintar o ataque de uma bola próxima do levantador. No diagrama a seguir, um exemplo. O atacante está no bloqueio (círculos vermelhos). Tem que recuar para o ponto, à esquerda do levantador, e fazer a aproximação para o ataque em duas etapas.

 

 

2 – Posicionar-se, em relação à bola, de maneira poder atacar com igual facilidade para os dois flancos da quadra oposta. Na figura a seguir, o eixo do atacante (prolongamento da linha do tronco e da cabeça) e pontos em que a bola pode ser golpeada.
O 1 é o ideal; o atacante tem facilidade para direcionar a bola para os dois flancos da quadra oposta. O 2 a facilidade maior é para o ataque na diagonal, mas inviável para a paralela. O 3 a facilidade maior é para a paralela e inviável para a diagonal.

 

 

Na foto a seguir um exemplo. A atleta golpeia a bola muito à esquerda do eixo do corpo. Sua intenção é o ataque para a diagonal. É possível reparar que ela não teria qualquer possibilidade de atacar esta bola para a paralela.

 

 

3 – Aventar, sempre, a alternativa de “explorar” o bloqueio do adversário. Existe uma situação de jogo freqüente. Os bloqueadores não conseguem o bloqueio perfeito. Isto é, marcar a posição, saltar equilibradamente e colocar braços e mãos com determina a técnica. Cometem dois tipos de erros, que facilita a ação do atacante.

1 – Atrasam-se nos seus deslocamentos e não conseguem um salto perfeito, ou seja, absolutamente vertical. Com isso, o corpo descreve um movimento de dentro para fora da quadra. A bola atacada na paralela tem uma boa probabilidade de bater no bloqueio e sair pela linha lateral.

2 – Não conseguem chegar defronte ao  frente do corpo do atacante adversário ou da bola e inclinam seus braços de dentro para fora. Como decorrências, além de perder alcance com o bloqueio, facilitam o trabalho do atacante adversário, uma vez que, a bola que bate no bloqueio tende a sair pela linha lateral.

Na representação gráfica a seguir, o movimento do corpo do bloqueador de dentro para fora da quadra. Uma bola sendo atacada com trajetória reta, a tendência é da mesma ricochetear e sair pela linha lateral.

 


 

 

Nota

O ataque da “China" ocorre muito próximo da antena limítrofe da rede. Com o bloqueio mal posicionado e/ou com movimento do corpo (do bloqueador) de dentro para fora, é grande a probabilidade de a bola tocá-la.

 

4 – Atacar a bola no ponto mais alto de sua trajetória e evitar golpeá-la para baixo.

 


 

- Procedimentos Coletivos.

 

1 – Como em todas bolas de tempo, a bola deve ser passada para o levantador, na medida do possível, com precisão. Por ocasião da recepção do saque e da defesa. Nesta última, as bolas “de graça” têm que ser passadas com altura que possibilite o atacante da "China” se deslocar do ponto em que se encontra (geralmente no bloqueio) para o ponto da quadra em que faz sua aproximação final.

2 – Na defesa, obviamente, nem sempre é possível defender uma bola direcionando-a com a precisão e altura necessárias. O atacante da "China" tem que ser capaz atacar outro tipo de bola de tempo. No caso, bolas próximas do levantador.

3 – Por ser uma bola com trajetória mais longa, existe uma probabilidade maior dos bloqueadores adversários conseguirem se posicionar e terem êxito. Logo, é muito importante que os demais companheiros se desloquem muito rapidamente para seus postos na cobertura do ataque.

4 – Quando inserida em combinações de ataque, todos os demais atacantes têm que estar nos ponto em que fazem suas aproximações finais para o ataque no momento em que o levantador tem a bola em suas mãos. A preocupação com eles pode beneficiar o atacante da "China".

 

A partir do artigo 30; Cobertura do Ataque.

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