Estratégia/Tática - Artigo 28

 

Estratégias / Táticas Ofensivas - Levantamento e Ataque.

4 - Bolas de Tempo.

 

Antes de iniciar a apresentação da Bola de Tempo “Chutada” de Meio, a exemplo do que foi feito nas anteriores, vamos recapitular a classificação das bolas de tempo, quanto ao local em que são executadas.

 

  - à frente do levantador: - Cabeça à Frente
4.1 - Próximas do Levantador:    
 

- atrás do levantador   :

- Cabeça Atrás

 

 

  - à frente do levantador: - "Chutada" de Meio
4.2 - Afastadas do Levantador:    
 

- atrás do levantador   :

- China c/ 1 Pé, na Saída da Rede

 


 

4.2.1 – “Chutada de Meio”.

 

As bolas de tempo, diria, mais fáceis de serem executadas, tanto para o levantador quanto para o atacante, são, sem qualquer dúvida, as Próximas do Levantador: Cabeça Frente e Cabeça Atrás. Ambas, focalizadas nos artigos anteriores. Isso por quê? Porque a trajetória da bola é muito mais curta. A probabilidade de erro é muito menor.

A “Chutada” de Meio:

- tem como trajetória um segmento de reta de cerca de três metros, entre o ponto do levantamento (p.l.) e o ponto do ataque (p.a.);

- o levantador impulsiona a bola de maneira que sua trajetória seja a mais veloz possível;

- o atacante salta a cerca de 3 metros, do ponto em que o levantador se encontra e recebe a bola com seu corpo em suspensão.

 

Na representação gráfica a seguir, alguns aspectos a serem considerados:

 

1 – O levantador se posiciona na Zona de Ataque (ZN). O ponto do levantamento (p.l.) é variável (espaços com linhas tracejadas em verde).

- Lateralmente: um pouco mais à direta; um pouco mais à esquerda.

- Quanto à altura: mais em baixo (toque com os pés no chão); mais em cima (toque com o corpo em suspensão).

 

2 – o levantador impulsiona a bola de tal maneira que a trajetória (linha tracejada em vermelho) se torna infinita, isto é, se não for tocada ultrapassa a antena que limita a área do jogo.

3 – o atacante golpeia a bola no ponto de acordo com seu alcance, ao longo de toda a trajetória;

4 – é convencionado que o golpe ocorra no terço da rede entre os dois travessões azuis claros;

 

 

 

 

- Pontos da Quadra - Zona de Ataque - dos quais os atacantes se aproximam para o ataque das Bolas "Chutadas de Meio", afastada do levantador:

- pos. 4;

- pos. 3;

- pos. 2.

 

Na figura a seguir, em uma visão do alto, o exemplo da aproximação do cortador dos três pontos da rede (P2, P3 e P4) e a faixa da rede em que é, geralmente, levantada/atacada.

 

 

Nota

A "Chutada" de Meio é levantada a cerca de 3 metros do ponto em que o levantador está executando o levantamento. Chamo atenção para o fato de que o ponto em que a bola é atacada varia de acordo com o Ponto do Levantamento (PL). Todavia, sempre à aproximadamente 3 metros.

 


 

- Procedimentos do Levantador.

 

1 – Deslocar-se com máxima velocidade para a Zona de Levantamento (ZL).

2 – Posicionar-se com o corpo adequadamente em relação à bola.

No grupo de figuras a seguir, exemplos de posicionamentos em relação à bola. Nas três existe uma linha vertical, tracejada em vermelho. Simboliza o eixo do corpo do levantador.

Na fig.1, o ideal. Ou seja, o levantador projeta seu corpo ligeiramente à frente, de maneira poder impulsionar a bola com a trajetória da “Chutada” de Meio.

Na fig. 2, o posicionamento do corpo e dos braços não é o mais adequado. Mais ainda é possível executar o levantamento.

Na fig. 3, absolutamente inadequado. Com a bola atrás do eixo, o levantamento da “chutada” de meio torna-se, me-ca-ni-ca-men-te, inviável.

 

 

 

3 – Executar o toque para o levantamento no ponto mais alto possível. Na figura a seguir, a bola no mesmo ponto do ataque. É possível comparar as trajetórias com o toque realizado por meio do toque com os pés no chão e após o salto. A diferença é mínima, mas pode representar fração de tempo fundamental para o sucesso do ataque.

 

 

4 – Impulsionar a bola de maneira que a mesma transcreva sua trajetória absolutamente retilínea. Nas bolas que são levantadas fora da ZN, tentar dar a maior velocidade possível.

5 – Após o levantamento, deslocar-se para o ponto que lhe cabe na disposição da cobertura do ataque.

 


 

- Procedimentos do Atacante.

 

1 – Deslocar-se, com a maior velocidade possível, do ponto em que estiver no momento do passe, para o ponto em que faz a aproximação final para o ataque.

 

Nota

Existe uma situação de jogo na qual o atacante da “Chutada” de Meio tem que se desdobrar, a fim de se posicionar a tempo de fazer a aproximação final de modo correto e atacá-la com eficácia.
É quando ele toma parte do bloqueio. No diagrama 1 a seguir, um exemplo com o bloqueador central (círculo vermelho). Ele recua até as proximidades da linha de ataque (linha tracejada e botão vermelho) e tem que fazer a aproximação diagonalmente (linha tracejada em azul claro) para atacar naquela faixa da rede em que é convencionalmente atacada. (travessões em azul claro).
Nestes casos, a equipe deve ter uma alternativa tática exeqüível, a fim de que o atacante da primeira bola não falte na composição da combinação de ataque. De modo geral é o ataque da bola de tempo mais próxima do ponto em que o atacante se encontra: Cabeça Frente ou Cabeça Atrás (diagrama 2 a seguir).

 

 

2 – De acordo com o ponto em que o o levantador executa o levantamento, adequar-se ao mesmo, a fim de propiciar a angulação apropriada para a passagem da bola.

Na figura a seguir, um exemplo (com a visão do alto). O atacante da “Chutada” de Meio iniciando a aproximação final na pos. 3 (linha tracejada em verde) e o levantador no posicionamento ideal (p.l.) em verde. Ele receberá a bola de frente. Com o levantamento vindo detrás da linha de ataque (p.l. em vermelho), o atacante recebe a bola - como se fosse - às suas costas (trajetória tracejada em vermelho); não tem a melhor visão, nem da bola nem da quadra oposta.
O procedimento apropriado é o de se afastar lateralmente no sentido da pos. 4 e dali fazer a aproximação. Com isso, propiciará a angulação possível para se posicionar entre a rede e a bola e, consequentemente, terá uma visão melhor do bloqueio e da quadra oposta.

 

 

3 – Posicionar-se, em relação à bola, de maneira poder atacar com igual facilidade para os dois flancos da quadra oposta. Na figura a seguir, o eixo do atacante (prolongamento da linha do tronco e da cabeça) e pontos em que a bola pode ser golpeada. O 1 é o ideal; o atacante tem facilidade para direcionar a bola para os dois flancos da quadra oposta. O 2 a facilidade maior é para o ataque para o flanco esquerdo (em relação ao atacante). O 3 para o flanco direito (em relação ao atacante).

 

 

4 – Atacar a bola no ponto mais alto de sua trajetória e evitar golpeá-la para baixo. Na foto a seguir, Fabiana, da Seleção Brasileira, é um exemplo da atacante que golpeia a bola em ponto bem alto. Repare que a bloqueia adversária não tem qualquer chance de sucesso; a menos que o ataque seja desferido bem para baixo. O que o caso nesta foto.

 

 


 

- Procedimentos Coletivos.

 

1 – Quando a equipe adota a “Chutada” de Meio com bola “mestra” das combinações de ataque, tem que ter em mente que a mesma é mais difícil de ser executada do que as demais bolas de tempo. A trajetória é mais longa e requer precisão absoluta. Logo, os passes para o levantador têm que ser igualmente precisos, quer na recepção do saque quer por ocasião das transições da defesa para o ataque.

2 – Sobre o passe nas transições uma peculiaridade deve ser atentamente considerada. Quase sempre o atacante da primeira bola está envolvido no bloqueio. Por isso, a bola que se consegue defender, a que toca no bloqueio e as de “graça” devem ser, na medida do possível, enviadas com maior altura para a Zona de Levantamento. O Intuito é o de propiciar maior tempo para o atacante da “chutada” se deslocar e fazer uma boa aproximação final.

Nota

Na defesa, obviamente, nem sempre isso é possível, isto é, defender uma bola direcionando-a para a Zona de Levantamento, como é o ideal. Agora, existe a bola que pode ser defendida com um bom passe para o levantamento. Muitas vezes não é. De modo geral, em virtude de alguns motivos.

a - Inabilidade técnica individual, o jogador quer, mas não consegue executar a defesa passando a bola;

b - Falta discernimento tático individual, jogador não se dá conta de que toda ação é importante para o êxito da função (das funções) que a sucede; no caso, defesa-levantamento-ataque.

c – Displicência, o jogador não capricha no momento de executar o passe.

O treinamento técnico individual deve ser ministrado tendo em vista:

- aperfeiçoar a técnica;

- sintonizar a execução da técnica com o encadeamento que existe de uma função para a outra e enfatizar a responsabilidade.

 

3 – Quando inserida em combinações de ataque, todos os demais atacantes têm que estar nos ponto em que fazem suas aproximações finais para o ataque no momento em que o levantador tem a bola em suas mãos. A preocupação, dos bloqueadores, com eles pode beneficiar o atacante da “chutada” de meio.

 

4 – Todos os jogadores devem tomarem seus postos na Cobertura do Ataque, tão logo a bola saia da mãos do levantador.

 

Cont. no art. 29 com China com 1 Pé na Saída da Rede.

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