Estratégia/Tática - Artigo 26

 

Estratégias / Táticas Ofensivas - Levantamento e Ataque.

4 - Bolas de Tempo - Primeiro Tempo - Introdução.

 

São as bolas em que o cortador salta antes do levantamento e as ataca em suas trajetórias ascendentes. A Bola de Tempo é uma componente fundamental das Combinações de Ataque.

As Bolas de Tempo foram criadas pelos asiáticos e popularizadas pelos japoneses na década dos 60. Revolucionaram o voleibol pela eficácia em ludibriar os bloqueios da tradicional escola européia. No voleibol atual são executadas por todas as equipes em todo o mundo, com diversas variações, e representam intensa "dor de cabeça" para os sistemas defensivos.

No Brasil, Bernard Razjman é considerado o precursor e considerado um dos mais brilhantes atacantes de Bola de Tempo do mundo, e em todos os tempos. Tivemos Renan Dal Zotto, JoséMontanaro, também grandes atacantes das bolas de tempo, respeitados internacionalmente. Atualmente Gustavo, André Eller, Rodrigão, para citar apenas alguns exemplos, todos da Seleção Brasileira, são exímios atacantes da Bola de Tempo.

 

Nota

Os nomes das Bolas de Tempo, que serão mencionados em todos os artigos, variam de região para região, de país para país. Tais nomes empregados são os mais populares no Brasil.

 

- Classificação das Bolas de Tempo.

 

- Quanto ao Local de Execução.

 

  - à frente do levantador: - Cabeça à Frente
4.1 - Próximas do Levantador:    
 

- atrás do levantador:

- Cabeça Atrás

 

 

 

 

  - à frente do levantador: - "Chutada" de Meio
4.2 - Afastadas do Levantador:    
 

- atrás do levantador   :

- China c/ 1 Pé, na Saída da Rede

 

 

 

 


 

4.1 - Próximas do Levantador.

 

4.1.1 - Cabeça Frente.

 

É a mais utilizada pela equipes, independentemente do nível de competitividade, desde que foi criada, na década dos anos 60. Ao longo do tempo foi sendo aperfeiçoada. Algumas maneiras de atacá-la foram criadas, obviamente, a fim de torná-la mais eficaz. No decorrer da apresentação vamos focalizá-las de modo absolutamente detalhado. Vale enfatizar que é uma bola base para uma série de combinações de ataque, largamente utilizadas por todas as equipes do mundo todo.

 

- Pontos da Quadra - Zona de Ataque - dos quais os atacantes se aproximam para o ataque das Bolas de Tempo, próximas do levantador:

- pos. 4;

- pos. 3;

- pos. 2.

No diagrama a seguir, a setas tracejadas, em vermelho, exemplificam o trajeto que os atacantes fazem vindos dos pontos da quadra mencionados. Interessante notar, que é uma linha reta, percorrida com máxima velocidade, de tal maneira que o atacante possa estar no ar e com braço pronto para o golpe, no momento em que a bola chega nas mãos do levantador.

 

 

- Maneiras de Execução das Bolas de Tempo, próximas do Levantador.

 

Existem algumas maneiras de levantamento das Bolas de Tempo, que dificultam ainda mais a ação dos bloqueadores e conseqüentemente de todo o sistema defensivo. É a colocação da bola, pelo levantador, em pontos diferentes:

- Reta;

- Positiva;

- Esquerda.

 

- Reta.

O levantador alça a bola rigorosamente à sua frente, cabendo ao cortador a escolha do ponto da quadra em que direcionará a bola, podendo ser à direita ou à esquerda do bloqueio. Na representação gráfica a seguir, uma visão do alto com as linhas central (LC) e de ataque (LA). O atacante se aproxima para o ataque vindo das posições 4, 3 e 2. Em comum, o ponto em que saltam para o ataque: rigorosamente à frente do levantador.

 

 

 

 

- Positiva.

O levantador alça a bola ligeiramente atrás da sua cabeça, propiciando ao cortador o direcionamento do seu ataque à direita do bloqueio. O artifício dificulta a ação do bloqueador, que se coloca geralmente à frente do corpo do cortador. No caso, a bola sendo mais à direita (do cortador) sai do seu alcance. Na representação a seguir, a mesma visão do alto.

 

 

 

Nota

O atacante salta rigorosamente à frente do levantador e seu corpo sofre um ligeiro deslocamento que o faz cair atrás da linha em que o levantador está posicionado.

 

- Esquerda.

O levantador alça a bola a cerca de 1 metro à sua frente. O cortador aproxima-se na direção do levantador e, no momento do salto, projeta seu corpo para a esquerda. A colocação da bola mais à esquerda e o movimento do corpo do cortador para a esquerda favorecem o direcionamento do ataque à esquerda do bloqueador (para pos. 1 da quadra adversária), que geralmente salta na frente do cortador.

Na representação gráfica a seguir, um visão do alto da linha central da quadra, do ponto em que o levantador se posiciona e do trajeto do cortador. Na Reta, ele parte reto e salta na frente do levantador; na Positiva, praticamente no ponto em que o levantador está posicionado; na Esquerda, ele parte como que para atacar uma Reta ou Positiva e, no exato momento do salto, realiza um giro do corpo para a esquerda (a seta quebrada à esquerda simboliza o movimento do corpo para esquerda), comum as aproximações da pos. 2, 3 e 4.

 

 

 

 

Na figura a seguir, uma visão do fundo da quadra, para exemplificar os ponto finais das trajetórias da bola. Coloco o ponto em que o levantador executa o levantamento. A linha tracejada, em vermelho, representa o prolongamento do eixo do levantador, isto é, a linha imaginária formada pelo tronco e cabeça. A variação Esquerda, a bola é levantada cerca de 1 metro, à esquerda do eixo do levantador; a Reta, rigorosamente sobre o eixo; a Positiva, ligeiramente à direita do eixo.

 

 

Notas

 

- Reparem que a aproximação do cortador é praticamente igual, nas três variações da bola Cabeça à Frente. A diferença do ataque entre elas é o ponto que o levantador coloca a bola para o ataque. Na Reta, a bola é alçada ligeiramente à sua frente. Na Positiva, a bola é colocada praticamente atrás da sua cabeça. Na Esquerda, cerca de um metro à sua frente.

 


- Procedimentos do Levantador.

 

1 - No momento que que a bola, sacada pela equipe adversária, passa pelo borde da rede, o levantador começa seu deslocamento para a Zona de Levantamento (ZN).

Nos diagramas a seguir, a Zona de Levantamento (retângulos verdes), o Levantador (botão verde cheio), já no posicionamento ideal, e pontos da quadra em que o levantador se encontra com maior freqüência. No diag. 1, os pontos quando na disposição defensiva - no bloqueio e na defesa (botões azuis). No diag. 2, por ocasião da recepção do saque (independentemente do sistema de ataque e número de jogadores na disposição de recepção), botões vermelhos. Os botões azuis, cheios, simbolizam os jogadores que recepcionam o saque, em seus repectivos posicionamentos.

Destes pontos, independentemente da velocidade da trajetória da bola vinda dos passes, ele tem se deslocar, com velocidade máxima, de maneira que esteja na ZN quando a mesma chegar.

 

 

2 - No momento que é recepcionada ele já deve estar na Zona de Levantamento, aguardando o passe para se colocar sob a bola.

3 - No momento em que a bola chega na ZN, preocupar-se em tocá-la no ponto em que a mesma estiver mais alta, a fim de diminuir, ao máximo, o comprimeneto da trajetória entre suas mãos e o ponto em que o atacante a golpeia. Na figura a seguir, uma comparação. O mesmo ponto em que o atacante golpeia a bola e dois pontos em que o levantador toca na bola. Um com os pés no solo e o outro com o corpo em suspensão. A diferença nos comprimentos das duas trajetórias, embora muito pequena, implica em grande diferença de tempo entre as quais; fração de tempo que pode determinar o sucesso no ataque da bola de tempo.

 

 

3 - No momento em que a bola chega às suas mãos - o atacante já deve estar no ar e pronto para o ataque - impulsiona a mesma com velocidade e a coloca:

a - no ponto combinado (reta, positiva ou esquerda);

b - na altura e com o afastamento, em relação à rede, de acordo com a conveniência de cada atacante. Na figura a seguir, diferentes altura da bola e a angulação da mesma em relação à rede.

 

Nota

A bola muito próxima da rede pode facilitar a ação do bloqueio e dificultar os movimentos do braço do atacante.

 


 

- Procedimentos do Atacante.

 

1 - No momento que que a bola, sacada pela equipe adversária, passa pelo borde da rede, o atacante começa seu deslocamento para o ponto que faz a sua Aproximação Final (AF). Nos diagramas a seguir, exemplos de posicionamentos, de bloqueio (diag. 3) e de recepção (diag. 4), dos quais o atacante tem que se deslocar para o ponto em que faz sua AF (setas tracejadas) .

 

 

2 - No momento que a bola é recepcionada ele aguarda a passagem da mesma e inicia sua AF, salta de acordo com o tipo de bola combinada; reta, positiva ou esquerda.

3 - No momento em que a bola chega nas mãos do levantador, tem que estar no ar com o braço ponto para o ataque.

4 - Atacar imediatamente no ponto mais alto da trajetória da bola. Na figura a seguir, uma trajetória e dois pontos em que as bolas estão colocadas. A bola deve ser golpeada no mais alto. No mais baixo, significa que o atacante deixou-a cair; não é bom, propicia algum tempo ao bloqueador.

 

 


 

- Procedimentos Coletivos.

 

1 - O ataque das bolas de tempo é uma ação muito rápida. Requer velocidade máxima de, praticamente, todos os jogadores:

- do levantador;

- do atacante, principalmente;

- quando inserida numa combinação de ataque, do atacante da 2a. Bola, que deve estar pronto e, por isso, atrai a atenção dos bloqueadores da equipe adversária.

 

2 - Requer absoluta precisão dos jogadores encarregados da recepção do saque.

3 - Requer iniciativa de todos os jogadores para a cobertuda do ataque.

4 - No caso de recuperação da bola pelos jogadores da cobertura, o passe tem que ser suficientemente alto. De modo que possibilite tempo para que o atacante da bola de tempo possa realizar os procedimentos mencionados acima para um novo ataque.

 

Cont. no art. 27 com a Bola de Tempo Cabeça Atrás

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