Estratégia/Tática - Art. 10

- Estratégia Ofensiva - Recepção do Saque - Parte 7.

- Tipos de Armações Táticas na Recepção do Saque.

- Recepção do Saque - Quanto ao Sistema de Ataque.

Uma equipe é constituida por um ou mais levantadores e cortadores. A definição do número de levantadores e cortadores, estabelece o sistema de ataque. Ao longo dos tempos o voleibol foi jogado com os seguintes sistemas:

 

2 - 4, 2 levantadores e 4 cortadores;

3 - 3, 3 levantadores e 3 cortadores;

4 - 2, 2 levantadores e 4 cortadores;

5 - 1, 1 levantador e 5 cortadores.

Nota

- Na literatura sobre o voleibol encontra-se também o sistema 6-6, onde todos os jogadores levantam e cortam. Na prática, particularmente, não cheguei ver. Também é utilizado por alguns para denominar os sistemas 3-3 e 4-2, uma vez que, na realidade, todos os jogadores atacam; apenas 3 e 2, respectivamente, levantam.

- O sistema 2-4, embora eu nunca tenha visto também, foi utilizado nas décadas de 40, 50 e até na de 60. Segundo o professor Paulo Márcio Costa, ex jogador e técnico do Botafogo F.R. e atual diretor da Unidade de Seleções da Confederação Brasileira de Voleibol, o treinador Jorge Bittencourt adotou o sistema no Botafogo na década de 60; e com grande sucesso. Na ocasião, a maioria das equipes já utilizavam os sistemas 3-3 e 4-2.

- Em virtude do exposto, não apresentarei o Sistema 2-4 por considerar absolutamente desnecessário. Mesmo para crianças, escolares, pré-mirins, etc... é um sistema que não será usado. O 3-3 e o 4-2, podem ser mais úteis.

 


 

- Sistema 3-3.

 

É um sistema que não vem sendo utilizado, entre as equipes de alta competitividade. Em campeonatos internacionais, a última vez que uma equipe se apresentou com o sistema 3-3 foi o Brasil, no 1o. Campeonato Mundial Juvenil, realizado no Rio de Janeiro, em 1977. O treinador, na ocasião, era Jorge Bittencout, que tinha bons motivos para armar o time no 3-3. Os cortadores eram Amauri, Granjeiro e Aloisio. Os levantadores Renam, Levenhagem e Paulinho Amazonas. Tanto os cortadores quanto os levantadores, eram excelentes atacantes. Os destaques foram Amauri e Renam, que viriam a ser consagrados internacionalmente.

No diagrama a seguir, apresento um conjunto de quadras detalhando formações do Sistema 3-3.

Na primeira fileira de quadras, está a Ordem de Saque de cada um dos 6 Rodízios. Coloquei, aleatoriamente: os atacantes (em azul) A2, A4 e A6; são genuinamente os cortadores. Os levantadores (em vermelho) L1, L3 e L5; são genuinamente os levantadores que atuam também como cortadores. Tanto os Cortadores quanto os Levantadores, na prática, atacam.

Na segunda, a Formação com 5 passadores Sem Infiltração.

Na terceira, a Formação com 5 Passadores Com Infitração;

Na quarta, a Formação com 4 Passadores Com Infiltação;

Na quinta, a Formação com 3 Passadores Com Infiltração.

 

Nota

A linha tracejadas e os círculos em vermelho representam os deslocamentos do levantadores e o ponto em que os mesmos se posicionam na Zona de Levantamento.

Nessas formações, o importante é observar algumas características do sistema, como:

- os cortadores e levantadores estão intercalados, para que haja equilíbrio em todas as rotações;

- há no mínimo 1 e no máximo 2 cortadores na rede;

- os levantadores, quando na rede, colocam-se nas posições 2 ou 3 na formações sem infiltração;

- nas formações com infiltração, os levantadores penetram sempre pelas posições 1 ou 6;

 

 

Notas

- O Líbero (veja art. específico sobre o Líbero) pode substituir qualquer dos jogadores da linha de defesa.

- Ainda sobre o treinador Jorge Bittencout, uma dos que utilizaram o sistema 3-3 com muita inteligência. Um das principais vantagens é possibilitar que as infiltrações sejam feitas pelas pos. 1 e 6. Ele não apreciava a penetração pela pos. 6.

 

O 3-3 é um excelente sistema para crianças iniciantes, equipes de base e de escolas até 15 anos, por apresentar as seguintes vantagens:

- não especializa, prematuramente, os jogadores nas funções de levantador ou cortador;

- desenvolve 3 levantadores, concomitantemente.

- obriga todos os jogadores a recepcionar o saque.

- faz com que o levantador também ataque e, por conseguinte, conheça as dificuldades de um atacante;

 

Nota

Bebeto de Freitas (técnico da Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Los Angeles e Seul, William Carvalho da Silva (ex-capitão da Seleção Brasileira) e José Roberto Guimarães (ex-técnico da Seleção Brasileira, Campeão Olímpico, em Barcelona), todos excelentes ex-levantadores da seleção brasileira, consideram importantíssimo o levantador ter tido experiência como cortador. Esses três e mais notáveis levantadores como Victor Barcellos, Carlos Feitosa, Quaresma, Décio Viotti, Bernardinho, Célia Garritano, Rosita, Fernanda Venturini, entre outros (as), são oriundos dos times que jogavam nos sistemas 3-3 e 4-2 e, portanto, foram cortadores; e dos melhores.

 

Cont. no art. 11 com o Sistema 4-2.

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