Estratégias/Táticas - Artigo 101
- Estratégias / Táticas Ofensivas para Neutralizar as Combinações de Ataque.
- Treinamento Tático Coletivo para Neutralizar Combinações de Ataque.
- Seqüência de Exercícios para o Treinamento Tático Coletivo para Neutralizar Combinações de Ataque.
Nas seqüências de exercícios que serão apresentadas a seguir, para efeito de raciocínio, partiremos de uma combinação padrão. Ocorre que a mesma é, diria, altamente elaborada. De modo geral, utilizada só por equipes de altíssima competitividade. Como temos que propiciar meios para o raciocínio de treinadores de quaisquer níveis de competitividade, vamos dividi-la por partes, isto é, primeiro o treinamento para neutralizar a 1ª. Bola, depois a 2ª. e assim por diante.
- Seqüência de Exercícios no. 1
Tomaremos a combinação do diagrama (1) a seguir, uma Desmico da Cabeça Frente, com 1 Atacante do Fundo.
01 – A equipe oponente (EO) executando apenas a 1ª Bola da Combinação; Cabeça Frente. Os bloqueadores da Equipe em Treinamento (ET) iniciam o exercício na Posição Fundamental (PF) Fechada. A bola entra em jogo (alçada por um colaborador) nas imediações da linha de ataque da quadra oposta.
Após o deslocamento do levantador da EO, o bloqueador da 1ª. Bola se posiciona em frente do atacante que a atacará a Cabeça Frente e tenta o bloqueio-ponto.
No diagrama a seguir, a disposição dos jogadores no início do exercício. O levantador recebe a bola nas proximidades da linha de ataque. Repare no retângulo em azul claro. Significa o terço central da rede, por onde o atacante da 1ª. Bola pode finalizar seu ataque. Logo, é a faixa por onde terá que se deslocar.
Nota
O objetivo para com o início do exercício com a bola alçada nas imediações da linha de ataque é o de propiciar maior tempo para ação dos bloqueadores da equipe em treinamento (ET). Mais tarde, com a assimilação dos procedimentos, os inícios serão de acordo com a realidade de jogo.
02 – Idem 01, ainda apenas o ataque da 1ª. Bola, com bloqueio duplo. De modo geral, com o Bloqueador Central (B3) e o da Pos. 4 (B4). No posicionamento inicial B3 se posta no centro da rede e o B4 do seu lado.
03 – Neste exercício, a ET começa a bloquear as 1ª. e 2ª. Bolas, no terço central da rede. O treinador deve estabelecer os bloqueadores que devem realizar o exercício. Vamos exemplificar com B3 e B2, como foi sugerido nos artigos sobre as estratégias/táticas para neutralizar as combinações. B3 deve saltar com o atacante da 1ª. Bola, pousar e saltar novamente para o bloqueio da 2ª. Bola.
Repare no diagrama a seguir, que os dois bloqueadores se colocam em suas posições fundamentais e se deslocam (setas vermelhas) para o ponto da rede em que a bola é efetivamente finalizada.
04 – Agora a 1ª. Bola e a 3ª. Bola na extremidade da rede (pos. 4 da quadra oposta). Da mesma maneira, o treinador estabelece os bloqueadores que participarão do exercício. B3 deve saltar com o atacante da 1ª. Bola, pousar e se deslocar para direita e compor o bloqueio duplo com B2. B2, posicionado na Posição Fundamental Fechada, desloca-se após a saída da bola das mãos do levantador.
05 – Neste exercício a EO faz a 1ª. Bola e a 4ª. Bola, atacada do fundo pela pos. 1. da quadra oposta. Da mesma maneira, o treinador estabelece os bloqueadores que participarão do exercício. B3 deve saltar com o atacante da 1ª. Bola, pousar e se deslocar para esquerda e compor o bloqueio duplo com B4. B4, posicionado na Posição Fundamental Fechada, desloca-se após a saída da bola das mãos do levantador.
- Aspectos a serem observados durante a execução dos exercícios.
1 – Aspecto número 1: o compromisso de acertar que os jogadores da EO têm que ter para o bom aproveitamento com o treinamento. Digo isso porque é muito comum os atacantes cometerem erros sucessivos. Quer para não serem bloqueados quer por atacarem de qualquer maneira, etc. Da mesma maneira os levantadores, que muitas vezes não observam seus procedimentos. Por exemplo, atrasam o tempo do levantamento, não imprimem a velocidade requerida à trajetória da bola (ou muito lentas ou muito aceleradas), etc. Enfim, cometem erros por não terem a noção exata das suas importâncias para com o aproveitamento final com o treinamento. O Treinador deve orientá-los para executarem suas atribuições de modo mais aproximado com a realidade de um jogo.
2 – B3 é o responsável pelo bloqueio da 1ª. Bola, Cabeça Frente, em todos os exercícios desta seqüência. Exatamente como ocorre no jogo. Um procedimento fundamental para desempenhar sua atribuição é o de graduar os saltos. O início dos exercícios com a bola alçada nas imediações da linha de ataque tem em vista, justamente, fazê-lo desenvolver esta propriedade. Ele dispõe de maior tempo para pensar e decidir pelo tipo de salto. Máximo, a fim de ter maior possibilidade de impedir o ataque, ou o Salto Médio (ou ainda não saltar) com vistas ao bloqueio das demais bolas da combinação.
3 – Nos exercícios em que existem duas possibilidades – 1ª. Boa e/ou 2ª. Bola, 1ª Bola e/ou Bola de Ponta e 1ª Bola e Bola do Fundo – é essencial a observância de alguns procedimentos:
A – o correto posicionamento Posição Fundamental Fechada dos bloqueadores das extremidades, B4 e B2. Isso, garante a eqüidistância deles com o B3.
B – B4 e B2 podem (mas não devem) atrasar para o bloqueio da 1ª. Bola. Para os bloqueios 2ª. Bola, na Bola de Ponta e na Bola do Fundo, não podem chegar atrasados. São os responsáveis pela marcação do bloqueio.
4 – A critério do treinador, B4 e B2 devem ter uma marcação de bloqueio previamente definida – bola, paralela ou diagonal. É grande percurso (entre o ponto em que a 1ª. Bola é levantada/atacada e os pontos em que são finalizadas as demais bolas da combinação). Como existe o risco dos mesmos chegarem atrasados, de modo geral, a prioridade é a de fechar as diagonais. Na representação gráfica a seguir, é possível observar a diferença entre as distâncias. D, é o ponto de marcação para a bola tacada na diagonal, B, é a marcação na frente da bola e P, a marcação para a bola atacada na paralela.
5 – Os bloqueadores das extremidades, B2 e B4, devem observar atentamente a aproximação dos atacantes, a trajetória da bola e o ponto (em relação à rede) em que a bola é atacada. São elementos essenciais para que os bloqueadores possam acertar a marcação e o tempo de bloqueio. Muitas vezes, na pressa para chegar ao ponto do ataque, os bloqueadores não consideram coisa algum; deslocam e saltam de qualquer maneira. Isso não é bom e deve ser corrigido no treinamento.
6 – Os exercícios sugeridos nesta seqüência são, diria, estáticos. Os atacantes só fazem o que é recomendado pelo treinador; os bloqueadores já sabem o que vão bloquear. Nas próximas seqüências o grau de dificuldade será aumentado gradativamente. O treinador deve ter como meta, desde os primeiros exercícios, a perfeita assimilação dos procedimentos. Mais tarde seus jogadores não terão tanta dificuldade para acompanhar as demais seqüências.