Estratégia/Tática - Art. 06

- Estratégia Ofensiva - Recepção do Saque - Parte 3

 

No momento em que o jogador adversário executa o saque, a equipe que está recepcionando tem que possuir uma disposição tática estabelecida, a fim de que a bola seja colocada, regularmente, na Zona de Levantamento. O levantador terá a possibilidade de organizar o ataque com as jogadas mais convenientes às características dos jogadores da sua equipe e à disposição tática do bloqueio adversário. Para elaborar a tática coletiva da recepção do saque, o treinador precisa considerar fatores essenciais.

 

1. O nível de competitividade em que a equipe está envolvida.

É uma consideração indispensável sempre que o treinador começa a pensar em elaborar qualquer tática para uma equipe. Embora o jogo seja o mesmo, cada nível de competitividade possui características bem diferentes. Para efeito de raciocínio, apresento duas peculiaridades relacionadas aos níveis de competitividade. Nos níveis mais inferiores de competitividade o jogo é mais globalizado e o rendimento final do time, é a conseqüência da regularidade (acertos divididos por erros) nas funções do jogo. Os erros e acertos se sucedem ilogicamente, pois os jogadores, por estarem em formação, sofrem maior influência dos fatores emocionais. O fator preponderante é a versatilidade dos jogadores.

 

Notas

- Para ilustrar o raciocínio, cito o trabalho de dois treinadores Jorginho Bittencout e Bené Silva, respectivamente, do Botafogo F.R. e do Fluminense F.C. . Quando armavam seus times (o primeiro todas a categorias e o segundo equipes de base) primavam pela simplicidade. Seus times tinham, sempre, táticas elementares e bem definidas para defender e atacar. Como possuiam o chamado "ôlho clínico", colocavam na quadra garotos espertos e talentosos que se movimentavam com grande desembaraço. A impressão que me dava, era a de suas equipes eram armadas para jogar, exclusivamente, nos erros do adversário. Não foi por qualquer motivo que ambos são dois dos mais laureados treinadores do Brasil, além de terem produzido jogadores de seleção brasileira como Paulo Márcio Costa, Ari Graça, Bebeto de Freitas, Paulo Peterle, Mario Dunlop, Alexandre Abeid, o primeiro; Delano Couto, Fernandão D'Avila, Badá, Bernard, Bernardinho, o segundo - para citar apenas alguns exemplos.

- A proporção em que o nível aumenta, o jogo é decomposto, é particularizado. Os rendimentos dos sistemas e sua respectivas funções (sacar, recepcionar, levantar, atacar, cobrir o ataque, bloquear, defender e contra-atacar) são mensuráveis - estatística oficial dos campeonatos - e devem aproximar-se da perfeição. Na concepção das estratégias e táticas, o objetivo deve ser a infalibilidade. Na prática, os méritos do adversário, a tornam utópica. Mas não custa nada tentar.

 

2. A capacidade técnica individual dos jogadores.

Na concepção tática da recepção de saque, o treinador deve imaginar os momentos decisivos de uma partida. Nesse momento, embora haja, não pode haver falhas. Partindo deste pressuposto, o números de jogadores, e a maneira como serão dispostos na recepção, deve ser definido levando-se em conta as capacidades:

- física;

- técnica individual;

- emocional.

 

3. O nível de auto-confiança dos jogadores.

Fator da mais alta importância. Existem jogadores que são excelentes tecnicamente, mas que em certos momentos não se sentem seguros, falham e, muitas vezes, não conseguem se recuperar no decorrer da partida. Precisam ser substituídos, "encostados", etc ... Há os que possuem uma auto-confiança inabalável. Nas suas intervenções demonstram convicção e quando erram, "dão a volta por cima". Na próxima, vão com a mesma convicção. Estes, assumem a responsabilidade, seja qual for o momento do jogo. São os jogadores realmente confiáveis e com os quais, o treinador deve alicerçar a tática da recepção.

 

Notas

- Atualmente existe as estatísticas, que revelam a produção do jogador no desempenho de suas atribuições. A meu ver, elas não retratam fidedignamente a produção do jogador, em virtude de serem muito abrangentes. O treinador deve possuir uma estatística própria, para sua avaliação e, nesta, deve constar a performance dos jogadores, sobretudo, em momentos decisivos dos sets e do jogo.

- Tive o privilégio de assistir, à beira da quadra, a performance na recepção de jogadores fantásticos. Refiro-me a Bernard, Amauri Ribeiro, Henrique Basse, Heloisa Roese e Regina Uchôa do Brasil; Karch Kirally, Bob Cytrvylyk e Karem Kemer dos Estados Unidos; Celivanov da ex-União Soviética e Bernardi da Itália. Esses jogadores em momentos decisivos assumiam a responsabilidade da recepção, ocupando a maior parte da quadra, com uma atitude de "deixa comigo". Atualmente Nalber, da Seleção Brasileira, demonstra essa atitude.

 

4. A tática de ataque a ser adotada.

O número de jogadores que participam da recepção e a disposição destes na quadra, depende da tática a ser adotada para o ataque. Atualmente os principais times - masculinos e femininos - em todo o mundo utilizam 2 e/ou 3 jogadores, que recepcionam em todas as posições. Para a recepção do saque Viagem utilizam até 4 jogadores. O fator de maior importância é, que tanto o número de jogadores como a maneira como os mesmos estão dispostos na quadra, não dificultem a movimentação para o ataque nem tampouco tolham o espaço dos mesmos na realização das jogadas de ataque.

 


 

- Tipos de Armações Táticas na Recepção do Saque.

 

- Quanto ao Número de Passadores.

 

- Com 5 Jogadores.

 

É uma armação muito utilizada até a década de 80. Está extinta no voleibol alta competitividade. É bastante apropriada para equipes de base, por obrigar todos os jogadores a participarem da recepção e, com isso, propiciar oportunidade, ao maior número de jogadores, desenvolverem-se igualmente na função.

No conjunto de diagramas a seguir, na primeira quadra, a ordem de saque. Na segunda, uma armação tática com 5 participando da recepção, sendo o número 1 o levantador.

 

 

Notas

O LÍBERO pode substituir, a qualquer momento - exceto para sacar -, qualquer jogador da linha de defesa, no caso, 5 ou 6.

 

Vantagens.

1. Melhor ocupação dos espaços da quadra, em virtude da divisão da quadra por maior número de jogadores.

2. Diminuição do percurso nos deslocamentos e, conseqüentemente, facilita os jogadores menos velozes e menos técnicos.

3. Divisão da responsabilidade entre os 5 passadores

 

Desvantagens.

1. Dificuldade de encontrar 5 passadores igualmente capazes para a execução da função.

2. Expõe jogadores sem capacidade na recepção do saque.

3. Dificulta a movimentação dos jogadores nas combinações de ataque, sobretudo, nos rodízios com 3 atacantes na rede.

4. Nas equipes de alto nível, dificulta os ataques do fundo.

 

Cont. no art. 07 com Recepção com 4 jogadores

Home

Ir para Menu Vôlei de Quadra