Estratégia/Tática - Artigo 30
- Estratégia/Tática Coletiva - Defensiva
- Bolas de Tempo Afastadas do Levantador.
- China com 1 Pé na Saída da Rede.
É uma bola na qual o cortador se aproxima pela frente do levantador, simulando uma aproximação para o ataque de uma bola Cabeça à Frente ou Cabeça Atrás, e prossegue o deslocamento para a saída da rede (pos.2).
O levantador, após a passagem do atacante, impulsiona da bola para que esta descreva uma trajetória retilínea. O cortador golpeia a bola no transcorrer desta sua trajetória.
Como todas as Bolas de Tempo, requer precisão absoluta do levantador e muita habilidade do cortador.
O atacante aproxima-se para o ataque da China vindo das:
- pos. 3;
- pos. 4.
Nota
Existe uma circunstância de ataque em que os atacantes utilizam maneira semelhante de aproximação utilizada pelos atacantes da China com 1 Pé na Saída da Rede. Refiro-me à Segunda Bola de algumas combinações, do Meio para a Saída da Rede (diagrama a seguir).
O atacante da pos. 2. se desloca para o centro da rede e, de lá, volta e ataca a Segunda Bola, na pos. 2, com a mesma maneira de aproximação dos atacantes da China. Contudo, chamo atenção, não é uma considerada uma Bola de Tempo.
A China é muito utilizada por equipes femininas, por todas as seleções do mundo. É um meio de ataque característico das seleções chinesas, desde a década de 80. No voleibol masculino é pouco adotada.
No diagrama a seguir, desenhos para exemplificar o trajeto dos atacantes para o ataque da China. Com o atacante saindo da pos 3 (P3 em vermelho) e da Pos. 4 (P4 em verde).
Repare que os pontos finais dos deslocamentos ocorrem em ponto diferentes. Como mencionado anteriormente, o atacante golpeia a bola em diferentes pontos ao longo da trajetória da bola.
- Estratégia com Bloqueio Simples.
A China na Saída bem executada, coloca o cortador com vantagem em relação ao bloqueador de meio, pois seu deslocamento é frontal enquanto o do bloqueador é lateral. Estatisticamente está comprovado que a probabilidade de bloqueio é mínima. Apresentarei os procedimentos dos jogadores no sistema defensivo apenas com o bloqueio simples, uma vez que, quando o bloqueador de meio consegue chegar para compor o bloqueio duplo, os procedimentos são iguais ao adotados para uma bola na extremidade da rede, mencionados anteriormente.
- Procedimentos dos Bloqueadores.
1 - Bloqueadores posicionados na Posição Fundamental (PF).
2 - Com o passe apropriado ao levantamento das Bolas de Tempo, permanecem na PF.
3 - Definido o levantamento da China na Saída.
B4 - É geralmente o responsável pelo bloqueio e sua atribuição não é nada fácil. Deve se colocar na Formação Fechada e, na mediada do possível, posicionar-se frente a frente com o atacante da ChIna, a fim de acompanhá-lo, corpo a corpo, desde o início da seu deslocamento. É muito importante olhá-lo fixamente até o momento do golpe. No momento do salto é aconselhável observar movimentos dos braços do atacante.
De acordo com sua iniciativa pessoal ou, de modo geral, por orientação tática, o B4 deve optar entre duas alternativas:
- visar exclusivamente a bola;
- tentar obstruir a passagem da bola para a paralela ou para a diagonal.
No primeiro caso, o bloqueador deve acompanhar o atacante, corpo-a-corpo, e posicionar seu bloqueio de maneira que suas mãos fiquem bem próximas da bola. O objetivo deve ser o de diminuir, ao máximo, o espaço entre a bola e as suas mãos.
Na figura a seguir, o posicionamento das mãos próximas do ponto em que a bola é atacada. Quanto menor for o espaço a-b (linha tracejada em vermelho) menor a possibilidade do atacante adversário desviar a bola do bloqueio.
No segundo caso, o bloqueador desloca, na medida do possível, frente-a-frente com o atacante e, no momento do salto, opta por obstruir a passagem da bola para a paralela (posiciona-se o mais proximamente possível da extremidade da rede), como está exemplificado na figura a seguir; os retângulos em verde representam as mãos do bloqueador.
Ou, para a diagonal (posiciona-se mais no centro da quadra), como está exemplificado na figura a seguir; os retângulos em verde representam as mãos do bloqueador.
Notas
- Um erro bastante comum é o bloqueador não considerar alternativa alguma, ou seja, olhar apenas para a bola. De modo geral, não estanca seu deslocamento (de dentro para fora da quadra), salta sem o equilíbrio apropriado e executa o bloqueio como que se estivesse flutuando para fora da quadra. Como conseqüência, duas dificuldades:
- dificulta o posicionamento defensivo dos companheiros;
- a bola que bate em suas mãos tendem a sair pela linha lateral.
- Por ser uma bola atacada muito próxima do bordo da rede e bem na extremidade da rede, é muito comum as "exploradas" do bloqueio. O bloqueador deve se preocupar com isso e, na medida do possível, colocar suas mãos viradas para dentro da quadra. Caso perceba a intenção do atacante de explorar seu bloqueio (muito freqüente), tirar as mãos é uma boa solução.
- Outro gesto muito comum é o do bloqueador virar a mão direita (movimento de supinação) quando percebe a intenção do cortador da atacar para a diagonal (pos. 1). Não é apropriado, pois a bola é levantada bem na extremidade da rede e batendo em sua mão, tende a sair pela linha lateral.
B3 - Após o levantamento da China, tenta deslocar-se para compor o bloqueio duplo. Não conseguindo, encarrega-se da bola "largada" atrás do bloqueio, inclusive as detrás da linha de ataque.
Nota
Quando a opção do bloqueador é a de obstruir a passagem da bola para a diagonal, a passagem para a paralela fica mais aberta. Os atacantes hábeis conseguem atacar (na paralela) e quando isso ocorre, o encarregado da defesa é o D5. Geralmente são bolas atacadas com acentuada potência. Logo, ele encontra dificuldade em recuperar bolas largadas atrás do bloqueio. O B3, no caso, é o encarregado.
B2 - Não tem tempo para participar da defesa. Move-se em direção do ataque e, no caso de bloqueio duplo (muito difícil), encarrega-se da bola "largada" atrás do bloqueio, inclusive as detrás da linha de ataque.
Nota
É muito importante a presença do B3 ou B2 na cobertura da "largada", pois a China na Saída caracteristicamente é atacada no fundo da quadra, o que dificulta a intervenção dos defensores nessa cobertura.
No diagrama a seguir, o posicionamento inicial e os deslocamentos dos bloqueadores. Repare que o B3, pela impossibilidade de compor o bloqueio duplo, desloca-se diretamente para a cobertura do bloqueio simples de B4.
- Procedimentos na Defesa.
1 - Defensores posicionados na Posição Fundamental (PF), aguardam a recepção da equipe adversária.
2 - Diante do passe apropriado ao levantamento da China com 1 Pé na Saída da Rede, permanecem na PF.
3 - Definido o levantamento da China na Saída, ajustam-se, a fim de ficarem de frente para o ataque.
D1 - Defesa da bola atacada à direita do bloqueio ou, em caso de bloqueio duplo, a bola que passa entre os bloqueadores. Como a maioria das vezes o bloqueio é simples, o D1 deve adiantar-se sempre que perceber a possibilidade do cortador atacar mais para baixo. A faixa sob sua responsabilidade é grande. - Bola que toca no bloqueio e sai pela linha lateral à direita. - Bola "Largada" atrás da linha de ataque, no centro da quadra. - Segunda ação, depois de defesa de um companheiro.
No diagrama a seguir, duas alternativas.
Na primeira, B4 posicionado para obstruir a passagem da bola para a paralela. Com isso, o ataque pode ser mais para baixo. No caso, D1 está posicionado um pouco mais para o centro da quadra (B4 e seta trajejada, que indica a trajetória da bola, em verde forte). Caso a mesma seja direcionada para a linha lateral, ele pode tentar a defesa por meio do toque acima da cabeça.
Na segunda, B4 fechando o ataque para a diagonal. A tendência é a de que a trajetória da bola seja mais aberta. No caso, D1 se posiciona mais aberto, mais próximo da linha lateral.
D5 - Defesa da bola atacada à esquerda do bloqueio ou, no caso de bloqueio duplo, a que passa entre os bloqueadores. Quando o bloqueador opta por obstruir a passagem da bola:
- para a diagonal, é grande incidência de ataques potentes nesta zona.
- para a paralela, aumenta a probabilidade das bolas que tocam no bloqueio e saem da quadra, pela linha lateral.
Nas duas alternativas o D5 não deve se preocupar com a bola "largada" atrás do bloqueio. A atribuição cabe ao bloqueador que não participa do bloqueio.
- Bola que toca no bloqueio e sai da quadra, pela linha lateral. - Segunda ação da defesa, depois de defesa de um companheiro.
Nota
O D5 só deve tentar recuperar a bola "largada" após o golpe do cortador. Como a ação, como todo, é muito rápida, ele geralmente está deslocando de frente para o fundo da quadra; portanto, no "contra-pé".
No diagrama a seguir, a representação gráfica que exemplifica o posicionamento do D5. B4 mais ao centro para obstruir a passagem da bola para a diagonal. Repare que sua área é bem estreita, entretanto, mais comprida. Quando B4 fecha a passagem da bola para a paralela, aumenta a probabilidade das bolas que tocam no bloqueio e saem da quadra, pela linha lateral.
D6 - Defesa da bola atacada à esquerda, à direita do bloqueio ou, no caso de bloqueio duplo, a que passa entre os bloqueadores. Por determinação tática ou por iniciativa própria o D6 pode se posicionar em pontos diferenciados, ou seja:
- mais para à sua esquerda, quando a opção do bloqueador for a de obstruir a passagem da bola para a diagonal;
- mais para a sua direita, quando a opção do bloqueador for a de obstruir a passagem da bola para a paralela;
- permanecer no centro da quadra, quando não houver qualquer opção prévia do bloqueador.
- Bola que toca no bloqueio e se dirige para o fundo e/ou para fora da quadra (pelas linhas laterais e/ou do fundo), inclusive as que encobrem os D1 e D5. - Segunda ação da defesa, depois de defesa de um companheiro.
No diagrama a seguir, o D6 está posicionado nos três pontos mencionados anteriormente: no centro; mais para a esquerda (a fim de defender a bola atacada na paralela) e mais para a direita (a fim de defender a bola atacada na diagonal). Repare que quando se posiciona mais à esquerda e ou mais à direita, as áreas destacadas no diagrama são preenchidas pelo D5 e pelo D1, respectivamente.
Na parte que focaliza as estratégias e tática das Combinações de Ataque, esta e outras variações de posicionamento, adotada no sistema defensivo, serão apresentadas com máximo detalhamento.
- Conclusão.
Nos artigos em que foi abordada a Tática Individual, é possível observar a importância que treinadores e atletas devem dar a mesma. Chamei atenção, desde o início, para o fato de que os atletas têm que possuir todo o embasamento possível para ter o discernimento indispensável para exercerem diversas e complexas atribuições no decorrer de um jogo.
Tal discernimento pode ser adquirido. Começa pelo interesse do treinador em propiciá-lo aos seus atletas. Depois, pelo interesse dos atletas em adquirí-lo. Pensando assim, apresentei, uma a uma, as Bolas Altas nas Extremidades nas Extremidades da Rede, as Bolas Atacadas do Fundo, as 2as Bolas das Combinações e as Bolas de Tempo. São Componentes Fundamentais das Combinações de Ataque, todas componentes de um Sistema Ofensivo. Fiz questão de detalhar, ponto a ponto, todos os procedimentos, de bloqueadores e defensores. Fui intencionalmente repetitivo, por considerar da maior importância o entendimento absoluto dos mesmos. Por que?
Porque na próxima parte, a que trata dos Procedimentos no Sistema Defensivo para a Combinações de Ataque, a capacidade de cada jogador de discernir situações de situações concorre para o sucesso da equipe na execução de uma estratégia de uma tática, enfim, do sistema defensivo como todo.
Com a compreensão da importância da tática individual o treinamento técnico-individual torna-se polivalente. Ou seja, contribui para a melhoria do condicionamento físico dos atletas, para a construção das estratégias defensiva e ofensiva e, consequentemente, para a consolidação da equipe como todo. Por exemplo, no treinamento técnico individual cada fundamento executado pelo atleta deve ter em vista uma ou mais aquisições. Quando o atleta está treinando a manchete, por exemplo, ele deve saber o objetivo para com cada exercício. Deve saber que cada sessão do treinamento visa capacitá-lo para desempenhar funções, atribuições, etc...
É atribuição do treinador, despertar o interesse dos atletas em serem auto-suficientes contribuindo para adquiram o hábito de raciocinar, de discutir, enfim, tudo que possa ajudar a torná-los mais conscientes diante de suas atribuições no decorrer de um jogo.
Há jogadores que ao longo de suas carreiras não se dispõem a entender o jogo, entender o porquê das suas atribuições, o porquê do acerto, o porquê do erro, o porquê da vitória, o porquê da derrota e muitos outros porquês. O espaço para esses jogadores é cada vez mais restrito e tende a acabar. O voleibol atual é complexo, tem que ser entendido nos mínimos e decisivos detalhes.
Dito isso, espero que treinadores e atletas encontrem nos artigos disponíveis sobre a tática individual, subsídios de que precisam para seus auto-aperfeiçoamentos. Nos artigos que se seguirão abordaremos as Estratégias/Táticas Defensivas para neutralizar as principais Combinações de Ataque.
Continuação no artigo 31, com Estratégias / Táticas Defensivas para neutralizar Combinações de Ataque (em reformulação).
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