JUST VOLLEYBALL
Pergunte ao Jorjão
P - Meu no é Edson (BOB) trabalho com voleibol a alguns anos. Estou com dificuldades de treinar três garotos em idades de 14/15 anos. Os mesmo são esquerdos, e as dificuldades no domínio de treinamento de ataque. Na expectativa de ser atendido agradeço desde já a atenção dispensada.
Um abraço, até outra mensagem.
Edson.
R - Caro Edson, segue algumas considerações sobre o treinamento de cortadores esquerdos/canhotos/sinistros.
- Cortada pelo Atacante Sinistro/Canhoto/Esquerdo.
A dificuldade do atacante sinistro não é tratada com a devida atenção por professores, treinadores, autores de livros, etc. Sempre que se menciona a cortada (fundamento do ataque) e o ataque (função do jogo) o atacante destro é utilizado como referência. Com isso, o processo de aprendizagem para o atleta sinistro torna-se incompleto e, conseqüentemente, resulta na aprendizagem de uma serie de defeitos.
Um aspecto da maior importância para a correta execução da cortada é o Ponto em que o atleta golpeia a bola.
Na figura a seguir, a linha tracejada na vertical, em vermelho, significa o eixo do corpo do atleta, tronco e cabeça. A bola com traços vertical e horizontal para caracterizá-la como um alvo. A bola está no Ponto Ótimo (PO), Isto é, no qual o atacante (destro ou sinistro) deve golpeá-la, tanto para sua direita quanto para sua esquerda.
Na figura abaixo, a bola está ligeiramente à esquerda em relação ao prolongamento do eixo do atacante. Neste ponto, o atacante sinistro encontra maior facilidade para atacar a bola a sua esquerda. Entretanto, seu movimento do braço para o ataque à sua direita torna-se – mecanicamente – inviabilizado. A fim de atacar nesta direção, ele tem que golpear a bola no seu centro esquerdo. No caso, pode ocorrer perda de potência e precisão.
Na figura abaixo, a bola está ligeiramente à direita em relação ao prolongamento do eixo do atacante, num ponto em que o atacante sinistro encontra maior facilidade para atacar a bola à sua direita. Entretanto, seu movimento do braço para o ataque à sua esquerda torna-se – mecanicamente – inviabilizado. A fim de atacar nesta direção, ele tem que golpear a bola no seu centro direito. No caso, a decorrência e a perda de potencia e precisão no golpe.
Transpondo-se os pontos das duas figuras anteriores para a Entrada da Rede, Posição 4, e considerando um bloqueio do adversário teremos o seguinte quadro.
O ponto da bola (A) e favorável ao ataque, tanto para a esquerda quanto para a direita.
O ponto da bola (B) e favorável ao ataque à esquerda (paralela) e altamente desfavorável para o ataque à direita (diagonal). Neste ultimo caso, o atacante tem que golpear o centro-esquerdo da bola (perde potência e precisão) e a bola cruza o espaço que o bloqueio ocupa (retângulo tracejado em laranja).
O ponto da bola (C) e favorável ao ataque à direita (diagonal) e desfavorável ao ataque à esquerda (paralela). No caso, o atacante tem que golpear o centro direito da bola, o que pode implicar em perda de potência e precisão e, ainda, em a bola passar pelo espaço em que o bloqueio esta ocupando (retângulo lararanja sobre a rede).
Transferindo a figura das bolas para a saída da rede (posição 2) e considerando um bloqueio do adversário teremos o seguinte quadro.
O ponto da bola (A) é favorável ao ataque, tanto para a esquerda quanto para a direita.
O ponto da bola (B) é favorável ao ataque à esquerda (diagonal) e altamente desfavorável para o ataque à direita (paralela). Neste ultimo caso, o atacante tem que golpear o centro-esquerdo da bola (perde potência e precisão) e a bola cruza o espaço que o bloqueio ocupa (retângulo tracejado em laranja).
O ponto da bola (C) e favorável ao ataque à direita (paralela) e desfavorável ao ataque à esquerda (diagonal). No caso, o atacante tem que golpear o centro direito da bola, o que pode implicar em perda de potência e precisão e ainda a bola passar pelo espaço em que o bloqueio ocupa.
Conclusão.
O PO é aspecto fundamental para que o atacante tenha completo domínio da bola e do respectivo espaço em que ela ocupa, em relação à rede e ao bloqueio adversário. Sem a observância desse aspecto o atacante pode ter seus movimentos mecanicamente tolhidos.
Alguns atacantes têm habilidade extraordinária para golpear a bola em diferentes pontos e, ainda assim, obter bom aproveitamento, ou seja, direcioná-la para todos os pontos da quadra. Mas não é o ideal. É fator limitante. Sobre isso, cabe a pergunta: - será que golpeando a bola nos pontos adequados não teria melhor aproveitamento?
- Aprendizagem do Fundamento.
O processo de aprendizagem é trabalhoso. Deve ser realizado de maneira lenta e gradual. Ou seja, enquanto não houver a assimilação da habilidade não é aconselhável passar para outra fase, acelerar o mesmo. Graficamente resulta.
- Aprendizagem do fundamento – cortada.
- Execução da cortada golpeando a bola no PO, em todas as direções.
- Aplicação do fundamento em situações de jogo.
A fim de se obter os dois primeiros itens, sugiro a utilização de um meio auxiliar muito útil, a forca (figura a seguir).
A - Um poste de madeira ou material similar, de cerca de 2,50 m de comprimento, com uma boa base de sustentação. Por exemplo, um pneu cheio com cimento.
B – Uma haste horizontal, também de madeira ou material similar de aproximadamente 1,5 m, que serve de sustentação para o aro que fixa a bola.
C - Fixador da bola, em forma de aro ou elipse, com material macio e flexível. A bola fica presa e sai facilmente depois de golpeada.
D – A bola presa, nos pontos em que o treinador desejar. Por exemplo, no centro, na entrada e na saída da rede.
- Exercícios para Aprendizagem.
1 – A forca colocada cerca de 1m da rede, de maneira que a bola não fique muito próxima do bordo superior da rede. A bola muito próxima da rede pode tolher o completo movimento dos braços, uma vez que, preocupado em tocá-la o atleta, muitas vezes, não realiza movimentos amplos; o atleta não deve temer tocar a rede. A altura da mesma depende da estatura do atleta. As alturas da rede e da posição da bola devem ser adequadas a cada atleta ou grupo de atletas.
O atleta, praticamente sob a bola, executa um salto e golpeia a bola, sem a menor preocupação com a direção – o objetivo e o acerto do fundamento e do golpe no PO da bola.
2 – O atleta se afasta um passo para trás. Deste ponto, executa uma passada, salta e golpeia a bola, sem a menor preocupação com a direção.
3 - O atleta se afasta dois passos para trás. Deste ponto, executa duas passadas, salta e golpeia a bola, sem a menor preocupação com a direção.
4 - Idem ex. 1, isto é, a cortada sem passada, com ataque para a direita.
5 – Idem ex. 4, sem passada, com ataque para a esquerda.
6 – Idem ex. 4, isto é com uma passada, com ataque para a direita.
7 – Idem ex. 6, isto é, com uma passada, com ataque para a esquerda.
8 – Idem ex. 6, com duas passadas e ataque para a direita.
9 – Idem ex. 8, com duas passadas e ataque para a esquerda.
Consolidada a aprendizagem da execução do fundamento e da aquisição do controle sobre o ponto em que a bola deve ser golpeada, é o momento de começar a aplicação do fundamento em situações semelhantes às do jogo.
10 - O treinador posicionado a um metro da rede, alça a bola verticalmente sobre a cabeça do cortador. Este, sob a bola, isto é, sem passada, salta e golpeia a bola, sem preocupação com a direção.
Nota
É extremamente importante que a trajetória da bola, alçada pelo treinador, seja vertical (figura a seguir), ou seja, de modo que a bola fique em ponto semelhante ao da forca.
11 – Idem ex. 10. O atleta se afasta um passo para trás. O treinador, no mesmo ponto, lança a bola verticalmente. O atleta executa uma passada, salta e golpeia a bola, sem preocupação com a direção da bola.
12 – Idem ex. 11. O atleta se afasta dois passos para trás. O treinador, no mesmo ponto, lança a bola verticalmente. O atleta executa duas passadas, salta e golpeia a bola, sem preocupação com a direção da bola.
13 - Idem ex. 10, sem passada, com o ataque para direita.
14 – Idem ex. 13, sem passada, com ataque para a esquerda.
15 – Idem ex. 13, com uma passada, com ataque para a direita.
16 – Idem ex. 15, com uma passada, com o ataque para a esquerda.
17 – Idem ex. 15, com duas passadas, com ataque para a direita.
18 - Idem ex. 17, com duas passadas, com ataque para a esquerda.
A próxima etapa do processo de aprendizagem é o ataque da bola alçada pelo levantador. O treinador tem que orientar o levantador para que a trajetória da bola seja, na medida do possível, absolutamente vertical.
19 – O atleta parado nas proximidades da linha de ataque. O treinador lança a bola para o levantador. Após a saída da bola das mãos do levantador, o cortador executa duas passadas bem compridas e ataca a bola, sem preocupação com a direção da trajetória da bola.
20 – Idem ex. 19, com o ataque para a direita.
18 – Idem ex. 17, com o ataque para a esquerda.
Realizada a seqüência de exercícios sugerida, muito provavelmente os atletas terão assimilado o procedimento a ser realizado. Nos treinamentos táticos com situações de jogo diferentes, os atacantes são obrigados a atacar bolas procedentes de levantamentos de todo tipo, toda atenção é pouca.
Futuramente, em jogos de competitividade mais alta, os cortadores terão que aprender atacar outros tipos de bolas (1º. Tempo, Meia Bola, Chutadas, etc).
Nas figuras a seguir, exemplos de trajetórias de uma Bola de Tempo e os pontos em que a bola deve ser golpeada, de maneira que possa ser atacada para todas as direções.
Na figura a seguir, a trajetória de uma bola de tempo de três tipos.
A bola A é a chamada Normal, absolutamente sobre a cabeça do levantador. O atacante salta para o ataque rigorosamente na frente do levantador.
A B é a Positiva, ligeiramente à direita do ponto em que o levantador se posiciona. O atacante salta ligeiramente à direita do ponto em que o levantador está posicionado.
A C é a Esquerda, ligeiramente à esquerda do ponto em que o levantador está posicionado. O atacante salta ligeiramente à esquerda do ponto em que o levantador está posicionado.
Em todas as três o cortador tem que, no momento do salto, se posicionar de maneira colocar o eixo do seu corpo, ri-go-ro-as-men-te sob a bola, a fim de poder golpeá-la no centro da mesma e no ponto mais alto da sua trajetória.
Na figura a seguir, uma Meia Bola. É a 2ª. Bola das Combinações de Ataque. São alçadas a cerca de dois metros em relação ao ponto em que o levantador se posiciona. O cortador tem que se deslocar e saltar com o eixo do seu corpo ri-go-ro-as-men-te sob a bola.
Na figura a seguir, uma “Chutada” na Extremidade da Rede. A trajetória da bola é retilínea e muito veloz – um segmento de reta entre aos mãos do levantador e o ponto em que a mesma é golpeada. O atacante parte para o ataque e, no momento do salto, tem que posicionar o eixo do seu corpo sob o ponto em que vai golpear a bola.
Nota
No caso do atacante que corta com a esquerda, na Entrada da Rede, de modo geral, o ponto de partida para o ataque é mais para dentro da quadra.
- Aspectos que devem ser observados durante a execução dos exercícios.
Nos exercícios em que a forca é utilizada, a mesma deve ser colocada no centro, na entrada e na saída da rede, a fim de que os atletas se familiarizem com os espaços em diferentes pontos da rede.
Nos exercícios em que o treinador alça as bolas, o lançamento da bola deve ser preciso, isto é, vertical, sem desvios para a direita/esquerda. Quando errar, não tem problema, interrompe a ação e lança novamente.
O atleta deve saltar e pousar praticamente no mesmo ponto. Salta e pousar muito a frente, para trás, para um dos lados, denota falta de equilíbrio. Deve ser corrigido: o comprimento da passada deve ser máximo.
A potencia do golpe não importa. O mais importante, repito, é a aprendizagem da execução do fundamento e a precisão do ponto em que a bola deve ser golpeada.
Um educativo interessante para aprendizagem da cortada – sobretudo dos movimentos dos braços. Obrigar o atleta elevar os dois braços, apontar a bola com o dedo indicador da mão direita (ele deve – praticamente – encostar o dedo na bola no momento do golpe) e atacar com a mão esquerda.
Nos ataques para a direita-esquerda o cortador tem que golpear a bola com o eixo do seu corpo, rigorosamente, sobre sua cabeça – prolongamento do eixo (fig. 1).