Histórias/Bastidores 19
Conversando com Bené - Parte IV.
Bené tinha uma característica marcante: colocar apelidos e chamar as pessoas a partir da primeira impressão. Quando se tratava das mulheres era, muitas vezes, inconveniente e, com isso, levava alguns desaforos pra casa.
As jogadoras mais gordinhas, ele chamava de cheiiinhas; as mais magras, de Olívia; as negras, de escurinhas; as descoordenadas, de bambi; as "marrentas", de deusa de joba, etc...
Tínhamos uma jogadora bem morena de cabelos crespos e feições finas; muito bonita. Quando queria elogiá-la e exclamava em voz alta:
- Linnnda minha morena cor de jambo.
Entretanto, quando queria repreender, arriscava a levar um "fora".
- Escurinha, bate para diagonal, escurinha faz isso, escurinha faz aquilo, etc...
Um belo dia arrumou a maior confusão. O treinamento de ataque corria forte e a jogadora estava com extrema dificuldade para acertar seus ataques. Estava cada vez mais irritada e Bené, à margem da quadra, tentava orienta-la:
- Escurinha, vire o corrrpo, escurinha, usa o tórax, porrra, escurinha... tem que acertar, porrra, etc...
A jogadora estourando de irritação com seus erros, mantinha o controle e não dava a mínima para Bené. Este, querendo ajudar, instruía, gritava e, também, muito irritado, não se conteve:
- Escurinha burrra!!!
Não completou a frase, pois a resposta veio ato-reflexo.
- Senhor Bené, escurinha vá lá... burra é a puta que te pariu!!!
Bené, muito malandro, não quis "bater de frente". Deu as costas e foi embora; calado.
Nota: quando chamava qualquer atleta de burro ou outra coisa qualquer, não o fazia, nem de longe, com intenção de ofender; havia uma conotação carinhosa, ainda que possa parecer inacreditável. E mais: chamava qualquer atleta, independentemente da categoria ou importância.