Considerações sobre as Estatísticas da FIVB no Campeonato Mundial 2010.

As estatísticas da FIVB, adotadas para todas as competições promovidas por ela, foi criada por notáveis membros da Comissão Técnica. Não é nada fácil alinhar tantos critérios até se chegar a resultados fidedignos. Logo, os comentários que farei a seguir, não têm em vista refutá-las ou depreciá-las. Muito pelo contrário, minha intenção é a de iniciar uma discussão saudável que, quem sabe, pode resultar em algumas sugestões para aperfeiçoá-las. Vejamos.

Maior Pontuador.

Não considera qualquer grau de dificuldade. Vamos raciocinar. Uma coisa é marcar pontos contra equipes, diria, mais fracas, nas primeiras fases da competição. Outra, marcar nas partidas nas fases semifinal e final. Obviamente, onde estão envolvidos os melhores times. Partindo deste pressuposto, vejamos um exemplo.
O espanhol Iban Perez foi o primeiro colocado com 173 pontos; 152, de ataques, 10 de bloqueios 11 de saques. A Espanha classificou-se em décimo segundo lugar.
Agora vejamos o caso de Leandro Vissoto, do Brasil. Foi o décimo sexto colocado com 116 pontos: 101 de ataques, 12 de bloqueios e 3 de saques. Importante: na semifinal e final marcou 46 pontos. Seu time, Brasil o campeão.
Conclusão. Vissoto marcou 67 % dos pontos em relação ao espanhol. Só que jogando contra Itália e Cuba. Adversários muito mais fortes e em momentos de decisão.
Sugestão. Atribuir-se pesos correspondentes às diferentes fases. Ou seja, maior peso nas fases decisivas

Melhor Atacante.

O vencedor foi Maxim Mikhaylov, da Rússia (quinta colocada), com o aproveitamento de 58.8. Ficou à frente de Wilfredo Leon, de Cuba, terceiro colocado com 56.14, e de Leandro Vissoto, do Brasil, décimo colocado com 50.25. Ora, existe diferença de grau de dificuldade entre marcar pontos com ataque em jogos das semifinal e final (Brasil x Cuba) e em outros jogos.
Outro aspecto importante: os atacantes de bolas de Primeiro Tempo recebem muito menos bolas do que os de ponta. Logo, nunca serão líderes de ranking. Cito como exemplo, a equipe brasileira.
Leandro Vissoto foi décimo primeiro, atacou 201 bolas, aproveitamento de 50.25. Murilo Endres, foi décimo nono, atacou 174, aproveitamento 47.85. Dante Guimaraes foi vigésimo segundo, atacou 174 bolas, aproveitamento 47.70.
Agora, vejamos os resultados dos centrais (que atacam bolas de Primeiro Tempo). Lucas Saatkamp e Rodrigão Santana. Atacaram 74 e 71 bolas, respectivamente. Não têm o aproveitamento registrado, pois não atingiram o quantitativo de ataques requeridos (NR). Assim como todos os demais atacantes centrais de todas as equipes. Enfim, mais um caso de comparação com valências heterogêneas.
Sugestão. Estabelecer-se rankings diferentes. O atacantes de bolas de Primeiro Tempo teriam uma competição justa.

 

Melhor Bloqueador.

Primeiramente, uma explicação. Existe o bloqueador central (BC) e os bloqueadores das extremidades (BE). O BC é o principal responsável pelos bloqueios das bolas atacadas no terço central da rede. Os BE são responsáveis, cada qual, nos terços relativos às extremidades, esquerda ou direita, da rede. Na figura a seguir, a divisão da rede em terços.

 

 

Vamos imaginar um bloqueio duplo vencedor na extremidade da rede composto pelo BC e BE. O autor do mesmo foi, flagrantemente, o bloqueador da extremidade (BE). O sucesso é atribuído aos dois. Mesmo que o bloqueador central tenha, por exemplo, tenha chegado atrasado e não tenha composto o duplo, lado a lado, com o da extremidade, como manda o figurino.
Agora, uma bola de primeiro tempo no terço central da rede. Bloqueio duplo formado pelo BC e um dos BE. Mesma situação. O bloqueador central foi flagrantemente o autor. Novamente o sucesso é atribuído aos dois, mesmo que o bloqueador da extremidade não tenho composto corretamente o bloqueio duplo.
O sucesso só é atribuído a apenas um dos bloqueadores quando este o executa individualmente. Se tiver outro, exagerando, por perto, é atribuído aos dois.

Feita a observação, de modo geral, o bloqueador central está envolvido em praticamente todos os bloqueios, isto é nos três terços da rede. Os de extremidades em praticamente em todos do terço da rede em que é responsável. No voleibol moderno, com muita frequência, pelo menos dois realizam os bloqueios no terço central; o BC e um dos BE. E, esporadicamente, três no mesmo terço.
Logo, o bloqueador central é contemplado com sucesso e/ou erro em todos os bloqueios realizados em todo o decorrer do jogo. Os das extremidades em, pelo menos, um terço dos mesmos. E com a possibilidade de alguns no terço central.

Conclusão. Os centrais têm maiores possibilidades de pontuar, em relação aos das extremidades. Na estatística do Mundial, igualmente às de todos os campeonatos promovidos pela FIVB, os bloqueadores centrais foram sempre os primeiros colocados. Robertlandy Simon, de Cuba, com aproveitamento de 1.05, Luigi Mastrangelo, da Itália, com aproveitamento de 0.91 e Rodrigão Santana, do Brasil, com aproveitamento de 0.85, foram os três primeiros colocados.


Sugestão. Atribuir pesos diferenciados para o bloqueador principal (BP) e para bloqueador assistente (BA). Isto é.

 

Bloqueio no Terço Central: - BC, o bloqueador principal; BE, o bloqueador assistente;
Bloqueio em um dos Terços das Extremidades: - BE o bloqueador principal; BC o bloqueador assistente.

 

Melhor Sacador

Os primeiros colocados foram Clayton Stanley, EUA, com aproveitamento de 0,70, Vladimir Nikolov, Bulgária, e Dimitry Muserskiy, Rússia, ambos com 0.53 e Maxim Mikhaylov, Russia, com 0.50. Todos extraordinários sacadores. Porém, nenhum dos três jogou a semifinal e a final.

Murilo Endres, do Brasil, em quinto lugar, com aproveitamento de 0.42, Yoandy Leal, de Cuba, com aproveitamento de 0.35, e Fernando Hernandez, também de Cuba, com aproveitamento de 0.32, foram respectivamente sétimo e oitavo colocados. Estiveram envolvidos nas semifinais e na final. Os seguintes do Brasil, na décima sexta colocação, foram Bruno Resende, com aproveitamento de 0.21, e Dante Amaral, na vigésima colocação com aproveitamento de 0.18. Ou seja, tem algo errado. Acho que apropriado considerar a atribuição de peso conforme a fase em que o jogo e disputado.

 

Melhor Defensor – Melhor Líbero.

Antes de mais nada, considero necessário mencionar o que estabelece a regra para o ataque: é toda bola enviada para a quadra do adversário, exceto o saque e o bloqueio.
Ou seja, cabe aos defensores as bolas atacadas por meio de cortadas, largadas, outros golpes, e as bolas “de graça”; estas últimas, pela regra, são consideradas ataque. Ocorrem com elevada frequência ao longo de todo o campeonato. De modo geral, são defendidas – passadas – pelos Líberos.


Conclusão. Os Líberos, além de permanecerem todo o tempo na zona da defesa, são os responsáveis pela defesa – passe – das bolas popularmente conhecidas por “de graça”; que são muitas ao longo de todo o campeonato. Por isso, são candidatos (e quase sempre vencem) aos títulos em duas modalidades; melhor Líbero e melhor Defensor. Então vejamos:

Melhor Líbero: 1 - Ferdinad Tille, Alemanha, aproveitamento de 3.17
  2 - Davide Marra, Itália, aproveitamento de 3.03
  3 - Martin Krystof, República Theca, aproveitamento de 2.85
  4 - Franceso Llenas, Espanha, aproveitamento de 2.71

                
                               
                                  Mario Júnior, do Brasil, foi o sétimo colocado, com aproveitamento de 2.24.

Melhor Defensor: 1 - Ferdinad Tille, Alemanha, aproveitamento de 7.43
  2 - Davide Marra, Itália, aproveitamento de 7.20
  3 - Martin Krystof, República Theca, aproveitamento de 6.91
  4 - Franceso Llenas, Espanha, aproveitamento de 6.53.

 

Mario Júnior, do Brasil, foi o sexto colocado, com aproveitamento de 5.82.

Enfim, os mesmos Líberos foram os mais eficientes nas duas modalidades. E mais: os Líberos constam nas dez primeiras posições no quesito Recepção de Saque, como veremos a seguir.

 

Melhor Passador – Recepção de Saque.

Impressionante as performances de Peter Platenik, República Theca, com 190 recepções perfeitas em 253 saques, com aproveitamento de 74.31 e Murilo Endres, Brasil, com 160 recepções perfeitas em 217 saques, aproveitamento de 70.51. Recepcionar os saques do tipo “Viagem” que são dados atualmente, não é tarefa nada, mas nada fácil. Outro aspecto altamente complicador: têm a função de recepcionar e atacar – bolas do tipo “Chutadas” nas Extremidades da rede, quando nos três rodízios da Zona de Ataque (posições 1, 6 e 5). E as do Fundo, pela Pos. 6, nos três rodízios em que na Zona de Defesa (posições 2, 3 e 4).


Nas demais dez colocações, temos quatro líberos. Que além de só treinarem para recepcionar, defender e levantar, não têm o ataque como atribuição. Logo, comparam-se valores diferentes.

 

Melhor Levantador.

Outro ranking que dá margem à discussão. O aproveitamento do Levantador está diretamente relacionado ao acerto do atacante.
Alguns exemplos. O levantamento corretamente concebido e com trajetória perfeita, só é considerado sucesso do levantador quando o atacante marca o ponto, na primeira ação: bola no chão, um toque no bloqueio ou do defensor e a bola “morre”. Insucesso em todos os outros casos, isto é, em que a bola continua em jogo.
O contrário. O levantamento taticamente mal concebido, com trajetória imperfeita, mas que o atacante marca o ponto, é atribuído sucesso ao levantador.

Os cinco primeiros do ranking: Valerio Vermiglio, da Itália, com aproveitamento de 10.97, Lukas Tichacek Lukas, da República Theca, com 10.18, Bruninho Resende, do Brasil, com 8.12, Hierrezuelo Raydel, de Cuba, com aproveitamento de 7.92 e Nikola Grbic, da Sérvia, com 7.57. Na opinião dos observadores mais abalizados, Bruno Resende, Valerio Vermiglio e Nikola Grbic estiveram em nível bem mais elevado em relação a todos os demais.

Conclusão.

Como mencionei no início, não é nada fácil criar uma estatística que reflita fidedignamente as performances, em diferentes funções. Sei que o atual sistema é mais popular, ou seja, facilita a compreensão de jornalista e aficionados.


Contudo, com a evolução de aplicativos largamente utilizados no voleibol, creio que nada seja impossível. No caso, é possível adotar critérios que diferencie valências e programá-los em sistemas de capturas dos aplicativos. Com vistas a desmembrar os dados e, consequentemente, obter-se resultados mais fies. Pelo menos a fim de diminuir distorções. Como às apresentadas no decorrer desta apresentação. E tornar mais hogêneas valências heterogêneas que são comparadas.

Por exemplo. Você pode capturar numa produção em DVD:

Recepção: - do atacante passador;
  - do atacante nos três rodízios na Zona de Defesa (pos. 1, 6 e 5);
  - do Líbero.
   
Defesa:   - do Líbero;
  - dos demais jogadores.
   
Bloqueio:  - do bloqueador principal;
  - do bloqueador assistente.
   
Ataque:   - do atacante de bolas de primeiro tempo;
  - dos demais atacantes.

 

 O caso do Leventador é mais complicado. Pois são muito itens a serem considerados. Sobretudo, a análise da concepção estratégias/táticas do levantamento, a perfeição da trajetória da bola, o tempo em relação à capacidade dos atacantes.

Para finalizar, espero ter contribuído para esclarecer os critérios adotados na elaboração dos rankings, que apontam os melhores jogadores. Tentei fazer a apresentação mais clara possível. Agora, não me coloco como dono da verdade. Muitos podem discordar. Muitos podem acrescentar algo a mais. Alguns podem não entender. Em qualquer dos casos, agradeceria retorno através do e-mail: jorjaovmj@hotmail.com.br ou pelo Facebook.

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