Campeonato Mundial de Vôlei Masculino – Os Levantadores estão decidindo?
Dois jogos transmitidos pelo SPORTV – aliás, show de transmissões. Brasil e República Theca. Itália x Estados Unidos. Em ambos os levantadores fizeram a diferença; para mais ou para menos.
No primeiro confronto os levantadores das duas equipes, Bruninho, do Brasil, e Lukas Tichacek, da República Theca, jogaram muito aquém do que se espera de levantadores de alto nível. Durante o jogo cheguei a pensar com meus botões: vence o time cujo levantador errar menos. Não deu outra. Bruninho se recuperou no desenrolar da própria partida. A partir do quarto set melhorou e foi extraordinário até o final da partida, contribuindo e muito para a vitória por 3×2. Ou seja, acabou fazendo a diferença.
No jogo de hoje, os EUA deram um espetáculo no primeiro set. Eficientíssimos nos saques, bloqueio, defesa e nos contra-ataques. Venceram por 25×14. Não deixaram a Itália jogar. Um detalhe importante: o levantador atuou, praticamente, em contra-ataques.
Veio o segundo set. A Itália equilibrou e o jogo passou a ser jogado. Explico. Os EUA tiveram que recepcionar os saques, levantar e atacar; sequência que realizara esporadicamente no primeiro. Muito bem. Seus levantadores, titular e reserva, Kevin Hansen e Sean Rooney, respectivamente, não conseguiram jogar nem fazer seus atacantes jogarem. Erraram sucessivamente as bolas para as extremidades da rede. Nem os extraordinários Stanley e Priddy se livraram da má performance de seus levantadores. Enquanto isso, Valerio Vermiglio, da Itália, tomou conta do jogo. Estratégico, criativo e regular comandou sua equipe levando-a à uma espetacular vitória. Ou seja, fez a diferença.
Aproveito para fazer uma observação. As estatísticas da competição são obtidas por meio de critérios objetivos, em alguns fundamentos/funções. Por exemplo. No saque, na recepção do saque, no ataque, no bloqueio e na defesa, a performance resulta do número de ações bem sucedidas divididas pelo número total de ações. No Levantamento, não. É subjetivo e não tem como ser diferente. Não tem como o estatístico avaliar o levantamento considerando itens importantes, tais como: a qualidade estratégica, a decisão tática e precisão dos mesmos. O que é levantamento bom para uns, pode não ser para outros.
O critério estabelecido, pela FIVB, e que se encontra em vigência, considera o acerto do atacante. Ou seja, um levantamento bom ou ruim é considerado certo se o atacante botar a bola no chão. O levantamento, estrategicamente bem concebido e com trajetória perfeita é considerado errado se o atacante não botar no chão. Estranho, não é? Mas é assim, e ponto.
Por isso, causa espécie Lukas Tichacek, até este momento, ser o lider das estatísticas para levantador. Pelo que demonstrou na partida contra o Brasil e, muito provavelmente, hoje no jogo em que sua equipe perdeu para Alemanha por 3×0.
Amanhã, Brasil x Alemanha decidem a classificação para as semi finais. Jogo duro. Sou mais Brasil. Vamos torcer.