Brasil Campeão do Mundo - O Caminho da Pedras
Por Jorge Barros [Jorjão]
Victor Barcellos, Carlos Feitosa, Carlos Nuzman ( ex-Presidente da CBV e atual Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro), Ary Graça (atual Presidente da CBV), Paulo Márcio Costa (atual Coordenador da Unidade de Seleções da CBV), Bebeto de Freitas (ex-Treinador da Selção Brasileira) e muitos outros, sempre disseram que no Brasil tivemos excepcionais craques de enorme talento. Muitos eu não cheguei ver jogar. Eu sempre perguntei: por que nunca tivemos entre as principais forças do voleibol mundial? A resposta sempre foi imediata: nunca tivemos a estrutura que dispomos hoje! Mas como surgiu essa estrutura? Disso posso falar.
Os quatro últimos nomes ali de cima começaram tudo. Carlos Nuzman, após revolucionário trabalho como presidente da Federação de Vôlei do Rio de Janeiro, candidatou-se à Presidência da Confederação Brasileira de Voleibol e venceu a eleição. De maneira imediata, constiuiu um grupo com Ary Graça e Paulo Márcio Costa, os outros dois ali de cima. Bebeto de Freitas, o último ali de cima, ainda jogava nos Estados Unidos.
Não demorou muito o inteligente e árduo trabalho começou a dar frutos. Já no Campeonato Mundial, que realizaram na "marra", isto é, sem grana, começou a surgir a primeira grande "geração" do voleibol: a "Geração de Prata". Vejam bem, sem querer desmerecer as anteriores, esta, além de grandes jogadores, nasceu e desenvolveu-se com a estrutura - reclamada pelas anteriores - por trás.
Refiro-me a Renan Dal Zotto, Amaury Ribeiro, José Montanaro, João Granjeiro e outros que, por um motivo ou outro, ficaram pelo meio do caminho. Não participaram do Mundial Juvenil de 1977, nomes como Bernard, Badá, Bernardinho. Tínhamos remanescentes de seleções anteriores, como Moreno, William Carvalho, Jean Luc Rossat (Suiço) e outros. Esses jogadores, salvo engano, contituíram a base da equipe que disputou a Olimpíada de Moscou, em 1980, e conquistaram o quinto lugar.
Para o quadriênio seguinte, Carlos Nuzman conquistou o apoio de Antônio Carlos de Almeida Braga (Atlântica Boavista de Seguros) e, logo logo, da Pirelli. Competência e respaldo financeiro. Bebeto de Freitas assumiu o comando das Seleções Adulta e Juvenil. O primeiro podium em competições internacionais chegou logo: a Medalha de Bronze na Copa de Mundo, em 1981. Estava aberto o "caminho das pedras". Dele não saimos mais. Foram conquistas e mais conquistas. Os sonhos começaram a ocorrer. O primeiro - sem desfazer de qualquer outra conquista - a Medalha de Ouro, na Olimpíada de Barcelona. O segundo, agora, Medalha de Ouro no Campeonato Mundial.
Quem poderia imaginar? Aqueles lá do começo imaginaram, sonharam e trabalharam muito e competentemente, para tornar tudo isso viável, palpável, real. Já a algum tempo o Brasil está entre as maiores potências do voleibol mundial. Exatamente o que queriam jogadores e treinadores que, ao longo da nossa hitória, contribuiram com competência e garra para que tudo que estamos vivendo agora fosse possível. Estou evitando citar nomes, para não cometer injustiça com quem quer que seja. O mais importante: valeu dirigentes, treinadores e jogadores de todas as gerações do voleibol brasileiro. Estão todos de parabéns. Por esse brilhante trabalho, muitas outras vitórias virão.