Estratégias/Táticas - Artigo 89

 

Bloqueio - Combinações de Ataque no Voleibol Atual

 

Assistindo, pela televisão, os jogos do último Campeonato Mundial Masculino, realizado na Polônia, observei aspectos interessantes que faço questão de compartilhar com vocês.


Minha intenção ao apresentar as observações que se seguem é a de proporcionar subsídios a todos aqueles que desejam estudar a questão. Refiro-me ao Sistema Defensivo. Vamos lá.


Atualmente todas as equipes atuam no ataque praticamente da mesma maneira, isto é, utilizam as mesmas Combinações de Ataque, evidentemente com variações.
Nos diagramas a seguir, exemplo das Combinações de Ataque mais utilizadas pelas equipes no Campeonato Mundial.

No diagrama 1, um rodízio com 3 Atacantes na Rede. A Ordem de Saque está abaixo, à direita.

 

Levantador (L) - pos. 1
A4 - Atacante de Ponta Oposto - na pos. 4
A3 - Atacante de Bolas de Primeiro Tempo – pos. 3
A2 - Atacante Ponta Passador – pos. 2
A6 - Atacante de Bolas de Primeiro Tempo – pos. 6
A5 - Atacante Ponta Passador – pos. 5

A Combinação é composta da seguinte maneira:

A4 – ataca a Bola Chutada na Entrada da Rede, pos. 4;
A3 – ataca Bolas de Primeiro Tempo: Cabeça Frente (Positiva ou Esquerda), Cabeça Atrás ou Chutada de Meio.
A2 – ataca a Bola Chutada na Saída da Rede, pos 2;
A5 – ataca a Bola do Fundo pela pos 6.

 

 

Nota

A fim de facilitar o acompanhamento, A4 corresponde ao Oposto; A3 e A6 aos Atacantes de Bolas de Primeiro Tempo; A2 e A5 aos Atacantes de Ponta Passadores e L ao levantador.

 

 

Algumas considerações a fim de conseguir explicar o raciocínio que determina a execução dos tipos de bola que compõem as Combinação de Ataque.
De modo geral, A3 ataca as 3 Tipos de Bolas de Primeiro Tempo: Cabeça Frente (Positiva ou Esquerda), ou Cabeça Atrás, ou Chutada de Meio. O que determina qual das três será levantada/atacada é o vínculo que existe com a Segunda Bola da Combinação. Vamos numerá-las.

Segunda Bola 1 - Chutada na Pos. 4 para A4, o Oposto (OP).

Segunda Bola 2 - Chutada na Pos. 2 para o Atacante Ponta Passador (A2).

No caso de ser a Segunda 1, Chutada na Pos. 4 para o Oposto (OP): o vínculo é com Cabeça Frente Positiva ou Cabeça Atrás. Ou seja no ponto mais distante em relação ao ponto do ataque da Segunda Bola.


No caso de ser a Segunda 2, Chutada na Pos. 2 para o Atacante Ponta Passador (A2): o vínculo e com Chutada de Meio. Mesmo raciocínio, no ponto mais distante em relação ao ponto de ataque da Segunda Bola.

Existe outra Bola: a Atacada do Fundo, pelo outro Atacante de Ponta Passador (A5), que está posicionado para a recepção do saque e que, na medida do possível, ataca pela pos. 6. Também há um vínculo para esta:

- Cabeça Frente e ou Cabeça Atrás, ataque pela Pos 6, no limiar esquerdo do Terço Central da Rede.

- Chutada de Meio; ataque pela Pos. 6 no limiar direito do Terço Central da Rede.

 

Na representação gráfica a seguir, o exemplo da vinculação das bolas de Primeiro Tempo com as Segundas Bolas, na Combinação de Ataque mencionadas acima.

 

 

 

No diagrama 2 a seguir, um rodízio com 2 Atacantes na Rede. A Ordem de Saque está abaixo, à direita.

L - Levantador - pos. 5
A4 - Atacante Oposto - na pos. 1
A6 - Atacante de Bolas de Primeiro Tempo – pos. 3
A5 - Atacante Ponta Passador – pos. 2
A3 - Atacante de Bolas de Primeiro Tempo – pos. 6
A2 - Atacante Ponta Passador – pos. 5

A Combinação de Ataque é composta da seguinte maneira:

A4 – o Oposto, em ambas as combinações (diag 3 e 4) ataca a Bola do Fundo, pos. 1;
A6 – ataca Bolas de Primeiro Tempo: Cabeça Frente (Positiva ou Esquerda), ou Cabeça Atrás, ou Chutada de Meio, ou China com 1 Pé na Saída da Rede (mais utilizada pelas equipes femininas).
A5 – ataca a Bola Chutada na Entrada da Rede, pos 4;
A2 - ataca a Bola do Fundo pela pos. 6.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nota

A fim de facilitar o acompanhamento, A4 corresponde ao Oposto;

A3 e A6 aos Atacantes de Bolas de Primeiro Tempo; A2 e A5 aos Atacantes de Ponta Passadores e L ao levantador.

Nota

Neste diagrama 4, à direita, tem um A4 a mais. O certo é o destacado com círculo, em azul claro. O que está grafado, à direita sobre a linha de ataque da quadra acima deve ser desconsiderado.

 

É o mesmo o raciocínio que determina a execução dos tipos de bola que compõem as Combinação de Ataque.

De modo geral, A6 ataca as 3 Tipos de Bolas de Primeiro Tempo: Cabeça Frente (Positiva ou Esquerda), ou Cabeça Atrás, ou Chutada de Meio ou a China com 1 Pé na Saída da Rede. O que determina qual das três será levantada/atacada é a Segunda Bola da Combinação. Vamos numerá-las.

Segunda Bola 1 - Chutada na Pos. 4 para o Atacante de Ponta (A5);

Segunda Bola 2 – Bola do Fundo pela pos 1 para o Oposto (OP); Chutada na Pos. 2 para o Atacante Ponta Passador (A2).

No caso de ser a Segunda 1, Chutada na Pos. 4 para o A5: o vínculo é com a Cabeça Frente Positiva, ou Cabeça Atrás, ou China com 1 Pé para a Saída da Rede. Ou seja no ponto mais distante possível em relação ao ponto do ataque da Segunda Bola.

No caso de ser a Segunda 2, Bola do Fundo pela Pos. 1 para o Oposto (OP): o vínculo é com a Chutada de Meio. Mesmo raciocínio, no ponto mais distante em relação ao ponto de ataque da Segunda Bola.

Existe outra Bola: a Atacada do Fundo, pelo outro Atacante de Ponta Passador (A2), que está posicionado para a recepção do saque e que, na medida do possível, ataca pela pos. 6.

Também há um vínculo para esta:

- Cabeça Frente, Cabeça Atrás ou China com 1 Pé para a Saída da Rede, ataque pela Pos 6, no limiar esquerdo do Terço Central da Rede.

- Chutada de Meio; ataque pela Pos. 6 no limiar direito do Terço Central da Rede.

 

Resumindo. As Bolas da Combinação não são levantadas/atacadas aleatoriamente. São vinculadas umas às outras. A fim de dificultar a atuação do Sistema Defensivo da equipe adversária.

A concepção das Combinações de Ataque é atribuição de treinadores e com seus levantadores, levando-se em consideração as características dos atacantes.

- Alguns princípios que norteiam a concepção das Combinações de Ataque.

1 - Obrigar os bloqueadores-centrais a pensarem, a terem discernimento tático individual. Colocá-lo em dúvida sobre qual das bolas da Combinação será levantada/atacada.

2 - Induzir os bloqueadores-extremidades participarem do bloqueio das Bolas de Primeiro Tempo, de modo geral levantadas/atacadas no terço central da rede, de maneira afastá-los das extremidades da rede, porção na qual muitas bolas são finalizadas.

3 - Criar situações/alternativas/circunstâncias com vistas conseguir a finalização sem bloqueio, com bloqueio simples ou com o bloqueio, duplo ou triplo, mal composto.

4 - Dificultar a atuação dos defensores, impossibilitando que os mesmos se posicionem antecipadamente em suas disposições defensivas.

5 - Como óbvio, obter o maior rendimento possível nas ações ofensivas.

Conclusão.

Doug Beal, extraordinário treinador norte-americano, Campeão Olímpico com os Estados Unidos, masculino, em 1984, em Los Angeles proferiu uma frase muito interessante: “o jogo de voleibol são seis jogos diferentes no mesmo jogo”.

Ele quis dizer que como são seis rodízios, em cada qual há uma disputa. Ou seja: o no 1 do seu time contra o no 1 do adversário, o no 2 contra o no 2... e assim por diante.


Logo, ao conceber a Estratégia Ofensiva da equipe, treinadores e levantadores devem:


1 - conceber combinações de ataque para cada um dos seis rodízios;

2 - estabelecer alternativas táticas para cada combinação;

3 - estabelecer alternativas de ataque para as transições do sistema defensivo para o ofensivo, em cada um dos seis rodízios;

4 - definir alternativas para ocasiões em que a recepção do saque é falha.

Como é possível constatar, é muito trabalho. Isso, apenas em se tratando de seu próprio time. Importante mencionar a necessidade de se estudar a equipe adversária. A fim de tentar “casar” seus rodízios mais eficientes de acordo com os rodízios da equipe adversária. É o que passo a focalizar no próximo artigo. 119.

 

Continuação no Art. 90 com Bloqueio no confronto com as Combinações no Voleibol Atual

 

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