Estratégias/Táticas - Artigo 79

 

- Estratégias / Táticas Ofensivas - Transições entre Sistemas.

 

- Transição dos Sistemas:    - do Defensivo para o Ofensivo;
  - do Ofensivo para o Defensivo.

      
                                                                                                                    

- Transição do Sistema Ofensivo para o Defensivo - Parte Única.

 

É ação em que a equipe que está atacando se organiza defensivamente ao ter a posse da bola (atacada) conquistada pelo amortecimento no bloqueio e/ou defendida pela equipe adversária.

 

- Situações de Jogo que se desencadeiam as Transições.

 

1 – Após realizar o ataque e ter a bola Defendida pela equipe adversária.

2 – Após realizar o ataque e a bola Tocar no Bloqueio, e continuar em jogo, com o adversário.

 

Nos casos a equipe adversária realiza a Transição do Sistema Defensivo para o Ofensivo; e a equipe que atacou, do Sistema Ofensivo para o Defensivo.

De modo geral, a equipe que está atacando pode ter todos seus jogadores afastados de seus posicionamentos defensivos; de bloqueio e de defesa. Por isso, alguns procedimentos são de extrema importância.

 

- Procedimentos dos Jogadores.

 

- Dos Atacantes.

 

As equipes atacam com 3 Jogadores, cada qual em um dos terços da rede:

- 1 no terço central – meio de rede(*) – (pos. 3);

- 1 no terço à esquerda – entrada da rede(*) – do terço central (pos. 4);

- 1 no terço à direita do terço central – saída da rede(*) – do terço central (pos. 2).

(*) – denominação utilizada no voleibol brasileiro.

Na Defesa:

- 1 na pos. 1;

- 1 na pos. 5;

- 1 na pos. 6.

 

 

Nota

Equipes que atuam no sistema de ataque 5-1 e/ou 4-2, sem infiltração, têm o levantador e mais dois atacantes na rede, em três dos seis rodízios.

Nem sempre, os atacantes se posicionam para o bloqueio nos mesmos pontos em que finalizam seus ataques.

Nos diagramas a seguir, um exemplo da movimentação dos atacantes após a obtenção da posse de bola pela equipe adversária. Vamos tomar como exemplo as funções e o ponto em que se posicionam para o bloqueio.

 

A4 - oposto   - bloqueia na pos. 2
A3 - central       - bloqueia na pos. 3
A2 - atacante de ponta - receptor - bloqueia na pos. 4

                                                                                                                                                                                                             
          

No diag. 1. A disposição de toda a equipe no momento da recepção do saque: recepção com 3 . Repare que todos os atacantes estão em seus posicionamentos para realizarem suas aproximações finaisA2 participa da recepção: o Levantador infiltrou e já esta no ponto em que executa o levantamento.

No diag. 2, dois momentos. Primeiro, a disposição de todos os jogadores no momento do ataque, de A4. Os atacantes (A3 e A2) nos pontos que terminam suas aproximações finais. Repare que todos os atacantes estão no ponto para receber a bola para atacar (em azul claro). Só A4 recebe. No segundo momento, todos os jogadores se deslocam para seus posicionados na cobertura do ataque (grafados em vermelho); no exato momento do ataque.

No diag. 3. Conquistada a posse de bola pela equipe adversária, todos os jogadores se deslocam para disposição defensiva (bloqueadores e defensores), como está demonstrado no diagrama. No exemplo a disposição defensiva para o ataque na pos. 4 da quadra oposta (grafados em verde).

 

 

 

 

Agora, um exemplo de uma equipe em rodízios com 2 atacantes e o levantador na rede. Neste caso, um dos atacantes, posicionado na linha de defesa, executa o ataque da Bola do Fundo.

 

Nota

Os rodízios com 2 Atacantes na rede, são comuns em equipes que atuam no sistema 5 x 1 e/ou qualquer dos outros sistemas, sem infiltração (do levantador, quando está na zona de defesa).

 

Vamos tomar como exemplo as funções e o ponto em que se posicionam para o bloqueio.

 

A4 - atacante de ponta - receptor   - bloqueia na pos. 4
A3 - central       - bloqueia na pos. 3
L - Levantador    - bloqueia na pos. 2
D6  - oposto    - ataque do fundo

    

Diag. 1. A equipe disposta para o ataque no exato momento da recepção do saque. Repare: A3 ataca a Cabeça Frente, A4 ataca uma Chutada na pos. 4 e A2 - que participa da recepção - ataca uma "Chutada na pos. 2.

Diag. 2. O ataque é finalizado por A4, na pos. 4 . Todos os jogadores já deslocados para a Cobertura do Ataque. Os atacantes A3, o Levantador (L) e D5, na primeira linha da cobertura. D2 e D6, na segunda.

Diag. 3. A disposição defensiva para o ataque da equipe adversária, na pos. 4, da quadra oposta. A3 e L, no bloqueio. A4, D5, D6 e D1 compõem a defesa.

 

 

- Procedimentos dos Jogadores.

 

Uma das tarefas mais difíceis para o treinador é treinar o Sistema Defensivo da equipe e, consequentemente obter bons rendimentos. Isso, com a bola entrando em jogo com o saque da própria equipe. Todos os jogadores estão concentrados para a execução de suas atribuições.

A Transição é tarefa mais complicada ainda. A equipe está concentrada no ataque. No momento em a equipe adversária obtém a posse de bola, todos os jogadores têm que, digamos, sair desse estado de concentração para atacar e entrar no estado de concentração para defender. Por conseguinte, todos os jogadores têm que saber as atribuições que lhes cabem, de acordo com o sistema de ataque do adversário.

Mais: no rodízio em que o jogo é disputado. Nunca é demais repetir a definição de Doug Beal, o ex-treinador dos EUA, medalha de ouro, nos Jogos Olímpicos, de 1984, em Los Angeles: numa partida ocorrem seis rodízios, são seis jogos completamente diferentes.

Isso tudo, ou seja, essa dinâmica toda é deflagrada em curtíssima fração de tempo. Por esta razão, a apresentação dos procedimentos dos jogadores será degrau por degrau. De maneira que fique absolutamente compreensível a importância do vínculo que existe entre as funções.

 

Dos jogadores que atuam na Zona de Ataque (atacantes e/ou levantador). No momento em a equipe adversária conquista a posse da bola, transformam-se em bloqueadores.

 

- No momento da Recepção do Saque (diag. 7).

 

Os atacantes saem dos pontos em que estão posicionados para a mesma e se deslocam para os pontos da quadra em que iniciam suas aproximações finais para o ataque.

Os jogadores responsáveis pela recepção saem dos pontos em que posicionam para a mesma e se dirigem para a Zona de Ataque.

No diagrama a seguir, um exemplo. Uma formação com 2 atacantes (A4, na pos. 4 e A3 na pos. 3, e o Levantador na rede. O outro atacante, da Bola do Fundo, está na pos. 6. Juntamente com D5 e D1 compõem a recepção do saque. Todos os jogadores já estão em seus posicionamentos para a realização do ataque.

 

 

 

 

- No exato momento do levantamento (diag. 8).

Os atacantes realizam suas aproximações finais para o ataque, cada qual em sua função.

Os defensores se preparam para a cobertura do ataque.

 

 

 

- No momento do Ataque (diags. 9 e 10).

Só um ataca. No exemplo, A4. Os atacantes que não recebem a bola (A3 e D6) e o Levantador (L), que se encontram na Zona de Ataque, deslocam-se, com velocidade máxima, para os pontos estabelecidos, para cada qual, na cobertura do ataque.

Os defensores, sabendo o ponto do ataque, se deslocam para seus posicionamentos na cobertura do ataque.

A cobertura do ataque fica composta da seguinte maneira: A3, L e D5, na primiera linha, e D1 e D6, na segunda.

 

 

 

 

- No momento em que a equipe adversária conquista a Posse da Bola (diags 11 e 12).

Desencadeia-se, imediatamente, a transição do sistema ofensivo para o defensivo. Vamos tomar como exemplo, um ataque na pos. 2, da quadra oposta. Todos os jogadores saem dos pontos que ocupavam na cobertura do ataque e vão para seus posicionamentos no Sistema Defensivo.

Os atacantes (A4 e A3) e o levantador (L) , que se encontram na Zona de Ataque, deslocam-se para seus posicionamentos no bloqueio.

Os jogadores da recepção, para seus posicionamentos na defesa.

 

 

 

Nota

Repare no diag. 11. Com o ataque na pos. 2, da quadra oposta, o único deslocamento mais longo é o do levantador (L)., que está na pos. 2 para o bloqueio.Os demais jogadores já se encontram próximos dos pontos que ocupavam na cobertura do ataque. Com o ataque na pos. 4, A4, A3 e D1 estariam distantes. Logo, teriam que fazer deslocamentos bem mais longos.

 

- Aspectos que contribuem para o Sucesso da Transição.

 

1 - Diante da dinâmica apresentada nos procedimentos dos jogadores, é necessário que os jogadores possuam uma série de qualidades:

a - discernimento tático individual, de modo saber como proceder em cada situação de jogo;

b - iniciativa, a fim de não titubear nos momentos de executar os deslocamentos requeridos e ainda contribuir para que seus companheiros não titubeiem;

c - velocidade de deslocamento, tendo em vista não cometer atrasos nos momentos em que as ações ocorrem.

 

2 – Diante da dinâmica apresentada e as qualidades requeridas, no item 1, é necessário raciocinar. Como é adquirida a capacidade para realizar a Transição do Sistema Ofensivo para o Defensivo de modo eficiente?

O treinamento específico e de modo sistemático é essencial para que a equipe adquira tal capacidade.


No Planejamento Global está estabelecido o treinamento das funções do jogo; recepção do saque, levantamento, ataque, cobertura do ataque, bloqueio, defesa. Devem e são treinadas uma a uma, de modo estanque. Devem ser treinadas, também, levando-se em conta a dinâmica do jogo. Isto é, que existem ações precedentes e subsequentes. Com isso, os jogadores se habituam e passam a participar do jogo de maneira mais efetiva, mais producente, com maior eficácia.

 

3 – Como veremos adiante, nos artigos em que serão apresentados sobre o treinamento específico, é realizado de algumas maneiras:

- sem a bola em jogo, no qual o treinador estabelece os procedimentos de cada jogador em todas as funções e todos os seis rodízios;

- com a bola, simulando as situações de jogo - do tipo “sombra” – em que é praticada a movimentação, de todos os jogadores, nas situações de jogo mais frequentes;

- com a bola, parte a parte, isto é, primeiramente, as funções dos bloqueadores, depois, as dos defensores;

- de modo vinculado, com as situações de jogo reais, executadas pelos jogadores da equipe em treinamento e de uma oponente.

Com esta progressão os jogadores vão assimilando seus procedimentos, gradualmente e, muito provavelmente, obterão o desembaraço para realizar eficientemente a transição e, consequentemente, marcar pontos importantes.

 

4 – No treinamento tático coletivo, em que é praticada a transição com a equipe em treinamento e uma oponente, é ótimo. Enquanto uma das quais executa a transição do sistema ofensivo para o defensivo e outra executa a transição do defensivo para o ofensivo. Ou seja, ocorre uma estimulação recíproca. Contribui para melhorar o desembaraço em todas as funções, concomitantemente.

5 - Creio que é possível concluir, diante dos procedimentos apresentados, que todos os jogadores estão afastados dos posicionamentos defensivos – diria – tradicionais. Até a conclusão da transição há uma sequência de deslocamentos, curtos, médios e longos. Além das qualidades mencionadas no item 1, é necessário que os mesmos sejam realizados, sempre, com velocidade máxima. Vale repetir: mas vale chegar antes do que atrasado. Pior, sem o discernimento tático existe até a possibilidade de se chegar atrasado e/ou não se chegar.

6 - Posso ter sido repetitivo, exagerado no detalhamento do assunto. Foi intencional. A eficácia na execução das transições entre os sistemas é item fundamental para uma boa performance da equipe. Do ofensivo para o defensivo, então, é marca registrada de equipes competitivas. Isso por que? Requer uma série de atributos a todos os jogadores. O sucesso resulta da coordenação de várias ações, individuais e coletivas. Isso, obviamente, sem contar com os méritos dos jogadores da equipe adversária. Enfim, se pequei... foi pelo excesso; acho que vale!

Cont. no art. 80, com Cobertura do Ataque e Re-Ataque.

 

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