Estratégias/Táticas - Artigo 77

 

- Estratégias / Táticas Ofensivas - Transições entre Sistemas.

 

- Transição entre os Sistemas:

- do Defensivo para o Ofensivo;

 

- do Ofensivo para o Defensivo.

 

- Transição do Sistema Defensivo para o Ofensivo após Ação Defensiva Aceitável.

 

No Artigo 76, apresentei a Transição do Sistema Defensivo para o Ofensivo. Classifiquei o resultado da Ação Defensiva de três maneiras:

Excelentequando a bola é absolutamente dominada e direcionada à Zona de Levantamento (ZL); o ataque pode ser realizado por meio de todas as possibilidades.

Aceitávelquando a bola, após a defesa, fica no terço médio da quadra; o ataque pode ser realizado ainda por meio de algumas opções de velocidade.

Negativaquando a bola, após a defesa, fica no terço final da quadra e/ou fora dos limites da mesma; o ataque só pode ser realizado com Bolas de Segurança.

 

Neste artigo vamos focalizar a Transição do Sistema Defensivo para o Ofensivo que da Ação Aceitável – quando a bola, após a defesa ou o toque no bloqueio, fica no terço médio da quadra; no caso, as opções de ataque com velocidade ficam reduzidas.

Vamos tomar como exemplo, o que se segue nos diagramas a seguir.

No diag. 1, Ataque na pos. 4 da quadra oposta. A disposição de um Bloqueio Triplo (B4, B3 e B2) e a disposição da Defesa (D1, D6 e D5).

No diag. 2, os bloqueadores já nos posicionamentos em que fazem suas aproximações finais. D6, Atacante do Fundo, também no posicionamento para o ataque. D1, o Levantador, próximo ao ponto em que, nesta circunstância, executa o levantamento. D5, atento ao desfecho da ação.

A Combinação, previamente estabelecida, por exemplo, é:

A3, na Cabeça Frente;

A4, na “Chutada” na pos. 4;

A2, na “Chutada”, na pos. 2;

D6, no Ataque do Fundo pela pos. 6.

O Levantamento sendo feito do Terço Médio da Quadra, é necessário que se façam algumas adequações, de modo poder executar o ataque com maior velocidade. As mais importantes:

A3 não pode atacar a bola a Cabeça Frente, pois não há ângulo para a passagem de bola. Logo, tem que se deslocar à esquerda de modo proporcionar esse ângulo. para a passagem da bola. No caso a bola de Primeiro Tempo deve ser a "Chutada de Meio".

AF não pode atacar à esquerda de A3, com deslocamento deste à esquerda. Logo, ele ataca da Bola do Fundo entre a linha do levantador e a de A2.

A4 e A2 não precisam fazer ajustes. Apenas esperar a saída da bola das mãos do levantador, pois a trajetória da bola não deve ser tão veloz quanto quando é feita com o levantador na Zona de Levantamento.

 

 

 

A Combinação, previamente estabelecida, por exemplo, é: A3, na Cabeça Frente, A4, na “Chutada” na pos. 4, A2, na “Chutada”, na pos. 2 e D6, no Ataque do Fundo pela pos. 6.

 

- Procedimentos dos Jogadores.

 

Os bloqueadores se afastam da rede, com maior velocidade possível, e se posicionam nos respectivos pontos da quadra em que fazem suas aproximações finais para o ataque, de modo estarem prontos no exato momento em que o levantador tem a bola nas mãos. Como a bola se encontra afastada da Zona de Levantamento, é necessário observar:

1 – O atacante da Bola de 1º. Tempo tem que se deslocar mais para a esquerda, de maneira propiciar ângulo mais aberto e, assim, tornar possível a passagem da bola.

Nos diagramas a seguir, é possível fazer a comparação.

No diag. 3, A3 aproximando-se com o faz para atacar a Cabeça Frente quando o Levantador está na Zona de Levantamento (linha tracejada em azul clarinho). Repare que o ângulo é muito fechado (linha tracejada em verde). A trajetória da bola é, praticamente, perpendicular à rede. O atacante recebe a bola vindo de suas costas; portanto, com difícil visualização do bloqueio e da quadra do adversário.

No diag. 4, repetindo: A3 fazendo a aproximação final deslocado mais à esquerda. O ângulo é muito mais aberto e, consequentemente, mais propício ao ataque deste tipo de bola. O atacante recebe a bola na sua frente; com melhor visão do bloqueio e da quadra adversária.

 

 

 

2 – Os atacantes das Bolas “Chutadas”, tanto na pos. 4 quanto na pos. 2, devem esperar a saída da bola das mãos do levantador, uma vez que, a trajetória da mesma não pode ser retilínea, como habitualmente, e sim um pouco mais curva; no caso após o levantamento, os mesmos devem acelerar a aproximação final para o ataque.

3 – D6, atacante da Bola do Fundo, deve aguardar o levantamento para então iniciar sua aproximação final.

 

Os defensores saem de seus posicionamentos defensivos, ficam atentos ao ponto em que a bola é levantada e se deslocam para a cobertura do ataque. Importante: em virtude da dificuldade que os atacantes podem ter no ataque de bolas mais lentas, a probabilidade de serem bloqueados aumenta consideravelmente. Logo, toda atenção é pouca.

 

Nota

Quando a estratégia de ataque possui ataque do fundo – atrás da linha de ataque – o jogador-defensor incumbido do mesmo (D6) se posiciona para executá-lo.

 

Levantada a bola, todos fazem suas aproximações finais para o ataque (setas tracejadas em azul). O que receber a bola ataca. Os outros dois e mais os defensores se dirigem para a cobertura do mesmo.

 

Agora, exemplo no qual um dos bloqueadores é o Levantador – rodízio com 2 Atacantes na Rede; situação característica em equipes que adotam o sistema de ataque 5-1.

Nos diagramas a seguir: a disposição de bloqueadores e defensores por ocasião do ataque adversário na pos. 2, da quadra oposta (diag. 5). As linhas tracejadas em azul significam os deslocamentos para os pontos em que fazem as aproximações finais para o ataque.

Repare que o Levantador B2, o Levantador, está no bloqueio. Conquistada a posse da bola, ele tem que recuar para o terço médio da quadra e, dali, executar o levantamento.

A Combinação de Ataque é: China com 1 Pé para a Saída da Rede, com A3, "Chutada" na pos. 4, com A4 e Ataque do Fundo, por D1, pela pos. 6.

 

 

Como mencionado nos procedimentos para a execução da transição em rodízios com três atacantes na rede, os atacantes devem atentar para o fato de que as bolas levantadas do terço médio da quadra possuem trajetórias diferentes, de modo geral, mais lentas.

Logo:

A4, o atacante da “Chutada” na pos. 4, e D1, atacante da Bola do Fundo, pela pos. 6, devem aguardar a saída da bola das mãos do levantador para iniciarem suas aproximações finais para o ataque.

A3, atacante da China com um Pé na Saída da Rede, deve fazer sua aproximação final um pouco mais afastado da rede, em comparação com a que faz quando o levantador se encontra na Zona de Levantamento. O procedimento é essencial para propiciar espaço entre ele e a rede e, com isso, tornar mais fácil a visualização do bloqueio e da quadra adversária.

No diagrama a seguir, o exemplo do procedimento de A3. Ele tem fazer a aproximação mais distante em relação à rede (seta tracejada em azul), de maneira que torne possível a trajetória da bola (seta interrompida em verde).

Nota

Nos casos em que o atacante da 1ª. Bola não se sentir capaz de realizar o deslocamento para a China com 1 Pé, deve pedir outro tipo de bola, na frente do levantador (seta em azul claro); Cabeça Frente ou “Chutada” de Meio, por exemplo. O que não deve fazer, de maneira alguma, é parar, pois facilita, e muito, a tarefa dos bloqueadores da equipe adversária.

 

 

- Aspectos que contribuem para o Sucesso da Transição.

 

1 - Treinamento da Transição com o Levantamento do Terço Médio da Quadra.

O treinamento tático coletivo das transições deve constar no Planejamento Global da equipe, visto que é componente importante na performance final.
O treinamento de todos os tipos de Bolas, das Combinações de Ataque e da Transição do Sistema Defensivo para o Ofensivo é, com toda certeza, realizado com o Levantador na Zona de Levantamento (ZL), acredito, por todas as equipes. Agora, com o mesmo afastado da ZL, também acredito, não é muito comum. Porém, deve ser realizado sistematicamente. É fundamental para que os atletas adquiram autoconfiança, de maneira que, nesta circunstância, que ocorre com elevada frequência num jogo, não tenham receio de executar as combinações.

 

2 - Confiança Recíproca Levantador-Atacantes.

A importância do treinamento sistemático da Transição, tanto com o Levantador na ZL quanto no terço médio da quadra, é o de justamente consolidar, primeiramente a autoconfiança individual, depois, a confiança recíproca que deve existir entre os atacantes e o levantador. Sobretudo em momentos decisivos. O atacante tem que ter certeza de que se fizer o combinado receberá a bola; o levantador, de que os atacantes farão suas partes. É propriedade marcante das grandes equipes.

 

3 - Avaliação da Situação de Jogo, como todo – Tática Individual.

No decorrer de uma partida, muitas das situações de jogo que ocorrem, muitas vezes, foram treinadas, não foram suficientemente treinadas ou não foram treinadas. É aí que é que requerido o discernimento tático individual. Todos os jogadores devem avaliar a situação de jogo como todo. Isto é, o ponto em que a bola será levantada; as opções do levantador; os procedimentos de cada atacante, a composição do bloqueio e da defesa da equipe adversária, enfim, todas as variáveis possíveis. Estes elementos ajudam na tomada das decisões e, por conseguinte, contribuem para o sucesso da transição. Aquele expediente de a bola está ruim, não tem jeito, não dá pra fazer nada, etc. e parar. Não é bom. Para nada contribui. É fator limitante.

 

4 – Comunicação entre todos os Jogadores, com a bola em jogo.

Vale lembrar a importância da comunicação entre todos os jogadores, com a bola em jogo. O levantador chama os atacantes, os atacantes pedem a bola, os defensores “cantam” a cobertura do ataque, alguém encoraja alguém, alguém alerta alguém, etc. Enfim, cada um pode dar sua contribuição.

 

5 – Cobertura do Ataque.

O ataque com o levantamento vindo do terço médio da quadra é uma situação de jogo, diria, especial. É mais arriscado. Por conseguinte, mais provável de ser bloqueado. Logo, cresce a importância da Cobertura. Todos os jogadores – exceto o que recebe a bola – são di-re-ta-men-te responsáveis.

 

Cont. no art. 78 com Transição do Sistema Defensivo, após a Ação Defensiva Negativa.

 

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