Estratégias/Táticas - Artigo 76

 

- Estratégias / Táticas Ofensivas - Transições entre Sistemas.

 

- Transição entre os Sistemas: - do Defensivo para o Ofensivo;
- do Ofensivo para o Defensivo.

                                                                                                                  

É propriedade característica das grandíssimas equipes. Ao longo da história todas as grandes equipes desempenharam com extraordinário desembaraço as transições entre os sistemas. As mais extraordinárias apenas para citar alguns exemplos: a China, no feminino, Campeão Olímpica, em Los Angeles, em 1984, os Estados Unidos, no masculino, Bicampeão Olímpico, respectivamente em Los Angeles, 1984 e em Seul, 1988. Nas últimas décadas o Brasil, no masculino, Medalha de Ouro em Barcelona, 1992 e Atenas, em 2004.

Os países asiáticos sempre foram especialistas nessas transições. Segundo treinadores e jogadores que atuaram no final dos anos 50 e no início dos anos 60, a equipes asiáticas já atacavam por meio de fintas e combinações de ataque, e defendia, com e extrema mobilidade e grande capacidade técnica. O mundo todo veio a tomar conhecimento dessas características depois dos Jogos Olímpicos de 1964, em Tóquio, Japão. Na ocasião, o Japão foi Medalha de Ouro, no Feminino, e de Bronze, no Masculino.

A partir daí houve uma revolução no voleibol internacional. Todos os países passaram a copiar esse novo modo de jogar, sobretudo o ataque com fintas e combinações. Mas nenhum conseguiu igualar a velocidade das transições entre os sistemas. As equipes asiáticas, no masculino e no feminino, permaneceram entre os primeiros do mundo em toda a década de 70 e início da década de 80. O Japão, no masculino, foi Medalha de Prata nos Jogos Olímpicos do México, em 1968, e de Ouro em 1972, no Munique, Alemanha. No feminino, voltaram a ganhar a Medalha de Ouro em 1976, no Canadá. Em 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, a China, no feminino, conquistou a Medalha de Ouro.

Não tenho dúvida de afirmar que dntre outras muitas qualidades, as equipes asiáticas se notabilizam pelo extraordinário desembaraço e, por conseguinte, eficiência com que realiza as Transições entre o Sistemas, tema que passaremos a abordar a partir deste artigo.

Nota

As equipes asiáticas utilizavam como tática e-fe-ti-va, o ataque sem potência e de propósito no bloqueio adversário, a recuperação da bola pela cobertura e novo ataque por meio de combinações. Isso, enquanto a equipe que estava defendendo se reorganizava para deter o novo ataque; enfim, muitas vezes nesse novo ataque pegava a equpe adversária completamente desarrumada.

 

 

- Transição do Sistema Defensivo para o Ofensivo.

 

É ação da equipe se organizar para o ataque depois de conquistar a posse da bola, pela defesa, atacada pela equipe adversária; é mais comumente chamado de Contra-Ataque.

 

- Situações de Jogo que se desencadeiam as Transições.

1 – Após a conquista da posse da bola com uma Defesa.

2 – Após o Toque no Bloqueio, em que a bola fica de posse da equipe que está Defendendo.

 

A qualidade da Ação Defensiva – defesa e/ou um toque no bloqueio – pode ser.

 

Excelentequando a bola é absolutamente dominada e direcionada à Zona de Levantamento (ZL); o ataque pode ser realizado por meio de todas as possibilidades.

Aceitávelquando a bola, após a defesa, fica no terço médio da quadra; o ataque pode ser realizado ainda por meio de algumas opções de velocidade.

Negativaquando a bola, após a defesa, fica no terço final da quadra e/ou fora dos limites da mesma; o ataque só pode ser realizado com Bolas de Segurança.

Nota

A Bola de Segurança, de modo geral, é a levantada/atacada Alta nas Extremidades da Rede. Algumas equipes utilizam o Ataque do Fundo.

 

 

- Transição do Sistema Defensivo para o Ofensivo, após Ação Defensiva Excelente.

Nos diagramas a seguir, os setores da quadra.

No diag. 1 a Zona de Levantamento.

No diag. 2 o Terço Médio da quadra.

No diag. 3 o Terço Final da quadra e os setores fora da mesma. A Ação Defensiva Excelente ocorre quando na defesa e/ou após um toque no bloqueio a bola é levantada da Zona de Levantamento (diag. 1). No caso, o ataque pode ser executado com todas as possibilidades, por combinações de ataque, com maior velocidade.

 

 

 

 

- Procedimentos dos Jogadores.

 

Os bloqueadores se afastam da rede, com maior velocidade possível, e se posicionam nos respectivos pontos da quadra em que fazem suas aproximações finais para o ataque, de modo estarem prontos no exato momento em que o levantador tem a bola nas mãos.

Os defensores saem de seus posicionamentos defensivos, ficam atentos ao ponto em que a bola é levantada e se deslocam para a cobertura do ataque.

 

Nota

Quando a estratégia de ataque possui o Ataque do Fundo – atrás da linha de ataque – o jogador-defensor incumbido do mesmo (AF) se posiciona para executá-lo.

 

No diagrama a seguir, o exemplo da mobilização da equipe após a conquista da posse de bola pela ação defensiva.

Os bloqueadores dispostos num bloqueio triplo (B4-B3-B2), no centro da rede, e os defensores no posicionamento defensivo mais comum; tudo, por exemplo.

Com a posse da bola.

Os bloqueadores recuam imediatamente para os pontos em que fazem suas aproximações finais para o ataque; cerca de 1 metro da linha de ataque.
A combinação de ataque (por exemplo) prevê: A3, atacando Cabeça Frente; A4, “Chutada” na pos. 4; A2, “Chutada” na pos. 2; AF, Ataque do Fundo pela pos. 6.

Os defensores preparam-se para a cobertura do ataque; exceto o defensor-centro, que está incumbido de atacar do fundo (AF).

Saída a bola das mãos do levantador, todos fazem suas aproximações finais para o ataque (setas tracejadas em azul). O que receber a bola ataca (A4, por exemplo). Os outros dois atacantes, A3 e A2 (que não recebem a bola para atacar) e mais os defensores, D5 e AF se dirigem para a cobertura do mesmo. No diag. 6, a disposição da Cobertura de Ataque.

 

 

Nos diagramas seguintes, outros dois exemplos aproveitando a mesma Combinação de Ataque.

No diag. 7, o bloqueio é duplo na pos. 2, com B3 e B2. B4, deslocado para a cobertura do bloqueio (grafados em azul claro).

Com a posse de bola.

Os bloqueadores recuam para os pontos em fazem a aproximação final; a tarefa de B4 é a mais difícil, em virtude do longo percurso.

Os defensores, exceto AF, ficam atentos ao levantamento, de maneira se se dirigirem rapidamente aos seus posicionamentos de cobertura do ataque.

Executado o levantamento, todos fazem suas aproximações finais para o ataque (setas tracejadas em cores mais escuras). O que receber a bola ataca. Os demais, incluídos os defensores, se dirigem para a cobertura do mesmo.

No diag. 8, o bloqueio é na pos. 4, com B4 e B3. B2, está em seu posicionamento defensivo (todos grafados em cores claras).


Com a posse da bola.

Os bloqueadores recuam para os pontos em que fazem suas aproximações finais.

Os defensores, atentam para o levantamento, a fim de realizarem a cobertura do ataque.

Levantada a bola, todos fazem suas aproximações finais para o ataque (setas tracejadas em cores escuras). O que receber a bola ataca. Os demais, inclusive os defensores, se dirigem para a cobertura do mesmo.

 

 

Nota

Os exemplos apresentados valem para equipes que jogam nos sistemas de ataque 5-1, 4-2 e 3-3.

 

Vejamos agora exemplo no qual um dos bloqueadores é o Levantador – rodízio com 2 Atacantes na Rede; situação característica de equipes que adotam o sistema de ataque 5-1.

Nos diagrama 9 a seguir, a disposição de bloqueadores e defensores por ocasião do ataque adversário na pos. 4, da quadra oposta (grafado com letra clara) e já preparados para o contra-ataque (grafadas com cores forte). Repare que o Levantador BL está no bloqueio. Conquistada a posse da bola, ele já está praticamente no ponto em que normalmente faz os levantamentos. A Combinação de Ataque é: China com 1 Pé para a Saída da Rede, "Chutada" na pos. 4 e Ataque do Fundo, pela pos. 6.

Nota

Nos casos em que o contra-ataque é bloqueado e cobertura recupera a bola, a equipe realiza o re-ataque, isto é, um novo ataque.

- Aspectos que contribuem para o Sucesso da Transição.

1 – Ter a Estratégia / Tática de Ataque previamente estabelecida.

É fundamental que todos os jogadores saibam a Estratégia / Tática de Ataque a ser realizada por ocasião da conquista da posse da bola. É vital para o sucesso da Transição que os jogadores (todos) não hesitem no momento de cumprir sua atribuição. Muitas vezes, ocorrem equívocos do Levantador, ou do atacante da Bola de 1o. Tempo, ou por qualquer outro atacante, por exemplo. Pronto, pode haver comprometimento da ação ofensiva e, consequentemente, perda de ponto precioso.

O treinador deve estabelecer e treinar, exaustivamente, a estratégia / tática ofensiva, para cada um dos seis rodízios, de maneira que a mesma fique absolutamente consolidada.

 

2 – Velocidade nos deslocamentos.

É muito curto o espaço de tempo entre a conquista da posse da bola e a finalização do ataque. Logo, é essencial que todos os jogadores se desloquem com máxima velocidade para as ações subsequentes. O Levantador tem que ter absoluta certeza de que todos os atacantes estão prontos para executar o contra-ataque. Depois, no caso de qualquer insucesso, bloqueio do adversário, por exemplo, os jogadores incumbidos da Cobertura do Ataque têm que estar em seus posicionamentos, a fim de que estejam aptos para tentar recuperar a bola e realizar o re-ataque.

3 – Comunicação entre todos os jogadores, sobretudo o atacante da bola de 1º. Tempo; elemento base da combinação de ataque.

É essencial que todos os jogadores se sintam responsáveis pelo sucesso da transição. Em todos os momentos de um jogo é necessário que tomem iniciativa, que se comuniquem com a bola "em jogo". A transição do defensivo para o ofensivo é desencadeada quando a equipe tem o saque e conquista da posse da bola, que é tarefa, de modo geral, extremamente difícil. Logo, o sucesso resulta em ponto precioso; denominado no tênis por "break-point", ou o "ponto de ouro", ou o "ponto duplo".

Por isso, todos os atacantes têm que transmitir ao Levantador que estão prontos, que querem receber a bola, que estão confiantes. De que maneira? Pedindo a bola. É muito difícil dizer que este ou aquele atacante é mais ou menos importante. Mas o atacante da bola de 1o. Tempo tem que ser o primeiro a chegar e pedindo a bola; ele é o jogagor-chave de qualquer combinação de ataque. Cabe aos defensores, chamar os companheiros para a composição da cobertura do ataque.

 

4 – Iniciativa do Levantador, de se deslocar rapidamente a fim de que todos os demais jogadores saibam que a segunda bola é dele.

Em algumas circunstâncias, normais de jogo, ocorrem algumas confusões. Por exemplo:

a - em ocasiões em que a posse da bola é conquistada com a defesa do Levantador. A equipe tem que ter estabelecido, neste caso, qual o jogador que se encarrega pelo levantamento.

b - em bolas "de graça", o Levantador passa esse tipo de bola, em virtude de alguma hesitação do jogador que deve fazer o passe - atualmente, quase sempre o Líbero é o responsável; da mesma maneira, deve ter estabelecido qual dos outros jogadores deve fazer o levantamento.

A fim de evitar tais confusões, o treinador deve, no primeiro caso, estabelecer qual e em que circunstância o jogador A ou B deve fazer o levantamento. No segundo caso, já no treinamento, deve instruir o Levantador a não passar a bola de maneira alguma. Deve se deslocar, incontinenti, para a Zona de Levantamento. Inicialmente pode até ocorrer de ninguém passar e a bola cair. Com a sucessão de treinamentos, a tendência é a de que a equipe adquira o entrosamento necessário.

Resumindo, cabe ao Levantador tomar a iniciativa de se deslocar rapidamente para a Zona de Levantamento, de maneira que fique convencionado que a segunda bola é dele, sob qualquer circunstância.

 

Continuação no art. 77, com a Transição do Sistema Defensivo após Ação Defensiva Aceitável.

 

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