Vôlei de Praia com o Vento Forte

 

Vôlei de Praia com Vento Forte - Bloqueio.

Nos artigos anteriores da série Vôlei de Praia com Vento Forte, foram focalizados a cadeia Recepção do Saque - Levantamento - Ataque. A fim de demonstrar que a eficiência da ação ofensiva está relacionada à qualidade na execução de cada uma dessas funções. O Jogador-Bloqueador toma decisões a cada ataque do adversário. Ou seja:

- o posicionamento mais adequado, ponto do bloqueio (PB);

- o exato momento do salto, tempo do bloqueio (TB);

- a estratégia/tática, visar a bola; obstruir a passagem para a paralela, obstruir a passagem para a diagonal.

A observação e avaliação da qualidade na Recepção e no Levantamento é fundamental e podem ajudar muito no acerto das decisões.

A seguir relaciono os links.

Parte 1 - Saque.

Parte 2 - Recepção 1, quando o adversário saca com o Vento Contra.

Parte 3 - Recepção 2, quando o adversário saca com o Vento a Favor.

Parte 4 - Levantamento, a favor e contra o vento

Parte 5 - Ataque com Vento a Favor.

Parte 6 - Ataque com o Vento Contra.

 

Antes de entrar no assunto, considero importante abordar propriedade muito importante para a eficiência do bloqueador: O Tempo de Bloqueio.

O bloqueio resulta:

- execução correta do fundamento;

- posicionamento adequado no momento do salto;

- execução no tempo exato.

Todas essas propriedades são interligadas. O ideal é que o bloqueador possua todas; uma ou outra apenas não é suficiente para um bom rendimento.

No Vôlei de Praia, sobretudo nos jogos em que há vento forte, o Tempo de Bloqueio é fundamental.

 

Com o Adversário Atacando com o Vento a Favor.

 

Na Fig. 1 abaixo, a representação demonstra a ação do vento. A bola é levantada e ação do vento a empurra no sentido da rede. Como vimos no artigo que focaliza o ataque, o atacante deve:

- acelerar as passadas que antecedem o salto;

- buscar o maior alcance possível;

- e golpear de modo imprimir uma trajetória retilínea.

 

Nota

Antes de prosseguir, considero importante mencionar que cada treinador e/ou atleta tem um modo de fazer a marcação, e seus respectivos códigos. A seguir, sugiro a minha.

 

Como a tendência é que o vento empurre a bola no sentido da rede, o bloqueador deve, em primeiríssimo lugar adotar a MARCAÇÃO BOLA. O seja, aproximar as mãos, o máximo possível, do ponto em que a bola é golpeada, a fim de diminuir o espaço e, por conseguinte, dificultar o desvio do bloqueio.

Como a bola pode estar afastada da rede, ele tem como alternativa:

- a MARCAÇÃO 1 (obstruir a passagem para a paralela);

- a MARCAÇÃO 2 (obstruir a passagem da bola para a diagonal).

Logo a marcação deve ser:

- BOLA 1;

- BOLA 2.

Resumindo. Se a bola estiver próxima à rede o objetivo deve se BOLA, isto é, aproximar as mãos da mesma, a fim de dificultar o desvio do bloqueio. Com a mesma afastada da rede, está convencionado, a MARCAÇÃO 1 ou 2. Ou seja, BOLA 1 ou BOLA 2

 

 

 

 

 

 

Procedimentos do Bloqueador

1 - Posicionar-se rápida e adequadamente no ponto em que vai realizar o bloqueio.

2 - Identificar a proximidade a bola em relação à rede. Próxima da da Rede, marcação Bola; afastada da 1 ou 2.

3 - Decidir o exato momento do salto (tempo de bloqueio).

4 - Executar o bloqueio com velocidade máxima de movimentos até o complemento do mesmo. Ou seja, flexão e extensão das pernas e entrada dos braços.

 

Nota

Os itens 3 e 4 são relacionados ao Tempo de Bloqueio. Na representação gráfica a seguir.

- A Postura de Expectativa na qual o bloqueador (em vermelho), no ponto adequado, avalia a altura da trajetória e a proximidade da bola em relação à rede. A fim de decidir o momento exato para saltar.

- A Complementação de Execução do Bloqueio. Isto é, o momento em que a mesma é finalizada. Deve coincidir com aproximação da trajetória da bola atacada.

O a distância a ser percorrida (linha tracejada vertical) entre a Postura de Exepectativa e a Complementação do Bloqueio deve ser no menor tempo possível.

A fim de se obter essa velocidade, e necessária a velocidade de movimentos:

- flexão e extensão da pernas;

- colocação dos braços sobre a rede, na angulação correta.

 

 

 

5 - Movimentação do Braços de acordo com a direção da bola atacada.

É outra propriedade relacionada ao Tempo de Bloqueio. Partido do pressuposto que o jogador completa a execução do bloqueio (representação acima);

- com os braços acima do bordo superior da rede, em angulação entre 25 e 30 graus (figura abaixo).

 

- com braços afastados (foto abaixo).

André Stein no bloqueio

 

O Bloqueio no Tempo - exato - perfeito ocorre:

- com a complementação da entrada dos braços/mãos no momento exato em que boa passa pelo seu raio de ação;

- com a movimentação do braços/mãos no sentido da direção da bola: ao centro, à direita , à esquerda.

 

Nota

Vale repetir que o no ataque com o Vento a Favor a tendência é que o mesmo empurre a bola no sentido da rede. O que requer ao bloqueador serenidade de modo evitar precipitação. Ou seja, é importante a tomada da decisão com relação ao exato momento do salto. Esperar no chão. E imprimir velocidade máxima à execução do bloqueio, do chão até a complementação do bloqueio.

Faço essa observação, pois é muito frequente, principalmente na bolas mais próximas ao bloqueio ("coladas") o atacante adversário se valer do recurso da "explorada"; atacar propositadamente no bloqueio de modo que a bola saia pela linha lateral e/ou do fundo da quadra.

 

Com o Adversário Atacando com o Vento a Favor.

Como vimos no início do artigo e está apresentada na Fig 2 abaixo. A tendência é que a ação do vento dificulte o levantamento ideal. Isto é, em relação à altura e proximidade da bola em relação à rede.

Também que predominam os ataques:

- por meio da cortada com potência máxima;

- visem o fundo da quadra;

- por meio de "lobs" dão a impressão de que a bola sairá para fora, mas o vento trava a trajetória da mesma.

- os "cuts" com a bola mais próxima à rede são fatais; o vento faz com que mesma caia muito mais mais próxima a rede.

 

 

 

Considerando essas circunstâncias, os Procedimento do Bloqueador são semelhantes aos apresentado no ataque com o Vento a Favor. Com algumas diferenças:

- é maior a frequência de o bloqueador sair do bloqueio diante de bolas levantadas fora da rede (Manobra Reco-Reco);

- é grande a probabilidade de a bola passar mair rente ao bordo superior da rede, logo a invasão do braços/mãos é mais importante do que o alcance (figura a seguir);

 

Nota

Com o Vento Contra e a probabilidade de a bola ser atacada mais distante da rede, o atacante utiliza a cortada com potência máxima visando o fundo da quadra. Logo, a tendência é que a bola passe mais rente à rede. Diferentemente no ataque com o vento a favor, em que o atacante visa o maior alcance possível tendo em vista imprimir trajetória retilínea e rápida. Na figura a seguir bolas e trajetórias estão representada por tons de azul.

Outro aspecto importante nos ataques com a bola afastada da rede é possibilidade de o bloqueador pode atrasar um pouco mais o momento do salto (tempo) e visualizar a trajetória da mesma desde o golpe.

 

 

 

Conclusão.

Sempre que abordo o Bloqueio, menciono repetidamente e com toda ênfase que não é uma ação isolada. Com a Defesa faz parte, do Sistema Defensivo. Nos jogos com Vento Forte é muito maior a ocorrência de imperfeições nas execuções e até erros em todas as ações que precedem o ataque; recepção e levantamento. Em decorrência, de ataques.

O Bloqueador tem como atribuições:

- tentar o ponto;

- o amortecimento do impacto da bola atacada, visando o contra-ataque;

- a ocupação de um espaço de maneira propiciar referência para o posicionamento adequado ao jogador-defensor.

Em outras palavras, uma atribuição técnica individual e outra tática coletiva. Sua eficiência decorre no sucesso da ação individual e da inteligência na tomada de decisões, a bem da eficiência do Sistema Defensivo como todo.

Sobre a segunda, há necessidade de se entender que uma bola que passa pelo bloqueio pode ser defendida e resultar em um contra-ataque e, consequentemente, em ponto.

A serenidade é uma qualidade fundamental à atuação do bloqueador, sobretudo nos jogos com Vento Forte. Fator que contribui para perda de concentração no desempenho das atribuições individuais.

Sobre isso, é importante sublinhar que aumenta consideravelmente a frequência de Transições entre os Sistemas; do ofensivo para o defensivo e do defensivo para o ofensivo. Diante dessa circunstância é maior a necesidade de se manter a concentração. Sobretudo com a bola em jogo. Situação de jogo em que requer ao bloqueador (marcação e posicionamento) e ao defensor (posicionamento adequado em relação ao bloqueio) a adoção de procedimentos com a bola em jogo. Requer, evidentemente, elevado discernimento tático individual (dois dois jogadores) e o melhor entrosamento possível.

É necessário enfatizar a importância do treinamento em dias com vento forte até que as táticas e os procedimentos (técnicos e tático individual) se consolidem.

Para encerrar, vale mencionar que times e jogadores de alto nível possuem extraordinário desembaraço em jogos com vento. Superam todas dificuldade provocadas pela ação do vento com extarodinária capacidade técnica. Principalmente, no Brasil, os nordestinos. Pela característica da região, treinam frequentemente com vento.

 

No próximo e último artigo da série Vôlei de Praia com Vento Forte, focalizarei a Defesa.

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